10 dicas para prevenir e tratar a obesidade infantil
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10 dicas para prevenir e tratar a obesidade infantil

A obesidade infantil representa uma crescente preocupação para o bem-estar das crianças globalmente, e a pandemia exacerbou essa questão devido ao confinamento, sedentarismo e alimentação inadequada, de acordo com especialistas entrevistados pela CNN. O excesso de peso está associado a diversas doenças e pode aumentar o risco de complicações relacionadas à Covid-19 em todas as faixas etárias.

Diante desse cenário, é crucial apoiar iniciativas que visem prevenir o ganho de peso entre as crianças. Por essa razão, hoje (3/06) é celebrado o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil.

“Os números de obesidade infantil estão em ascensão, e a condição já foi associada a formas mais graves de Covid-19, inclusive em crianças”, afirma Maria Edna de Melo, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade poderá afetar 2,3 bilhões de pessoas no mundo até 2025. Atualmente, existem 340 milhões de jovens com excesso de peso entre 5 e 19 anos, incluindo 40 milhões com menos de cinco anos. No Brasil, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que uma em cada três crianças de 5 a 9 anos está acima do peso.

A endocrinologista ressalta que controlar a obesidade desde cedo é crucial para prevenir problemas metabólicos como diabetes, hipertensão e colesterol alto, tanto na juventude quanto na vida adulta, e para promover uma vida longa. No entanto, é importante destacar que a obesidade infantil, embora tratável, não deve ser considerada mórbida.

Além dos riscos à saúde física, a obesidade pode causar sérios impactos psicológicos em algumas crianças e adolescentes, que enfrentam pressões sociais por padrões de magreza e frequentemente são alvo de bullying.

O período de confinamento durante a pandemia contribuiu significativamente para o aumento de peso entre as crianças. Segundo Caroline Peev, pediatra do Hospital Infantil Sabará, houve um aumento de quase 20% no número de crianças obesas atendidas no hospital e em seu consultório em São Paulo durante esse período.

Fernanda Rabello, nutricionista infantil do mesmo hospital, observou um aumento de peso em crianças e adolescentes devido à falta da rotina alimentar escolar e ao maior acesso a lanches rápidos consumidos diante de telas, sem atividade física.

Para identificar obesidade em crianças, não basta apenas o índice de massa corporal (IMC), como é o caso dos adultos. O diagnóstico leva em conta o IMC em relação à curva de crescimento (percentil), idade e sexo da criança (escore-z). Um percentil acima de 99 até os cinco anos ou entre 97 e IMC entre 35 e 40 após essa idade pode indicar obesidade.

Fatores genéticos, ambientais e comportamentais também podem contribuir para o excesso de peso infantil e devem ser considerados no diagnóstico. A intervenção precoce envolve mudanças graduais nos hábitos alimentares e de atividade física, com o envolvimento de toda a família e apoio multidisciplinar.

Em casos mais avançados, pode ser necessária a orientação de um endocrinologista para tratamentos específicos. A cirurgia bariátrica, por exemplo, é uma opção válida a partir dos 16 anos, após tentativas sem sucesso de reeducação alimentar, exercícios e medicações.

A família desempenha um papel fundamental na promoção de hábitos saudáveis. Criar atividades físicas dentro de casa, envolver as crianças na preparação de alimentos saudáveis, evitar comparações e melhorar o acesso a alimentos nutritivos são algumas das medidas recomendadas para ajudar no tratamento da obesidade infantil.

Em resumo, enfrentar a obesidade infantil requer uma abordagem holística que inclua educação alimentar, incentivo à atividade física e suporte emocional, adaptados às necessidades e ao contexto de cada criança.