Dr. Tom O’Bryan é um médico e palestrante bem renomeado nos EUA, pesquisador especializado na doença celíaca e intolerância ao glúten. Ele é também um médico muito reconhecido no tratamento de doenças crônicas e distúrbios metabólicos por meio da Medicina Funcional. Dr. O’Bryan é um brilhante investigador das doenças crônicas e distúrbios metabólicos.

Em uma entrevista recente, Dr. Tom O’Bryan explica como o glúten é tão prejudicial a saúde, sendo um vilão para a saúde de todos.

A doença celíaca é uma doença que afeta o intestino, causada pela ingestão de alimentos que contém glúten, como trigo, cevada e centeio. Os principais sintomas incluem fadiga, perda de peso, dor abdominal e diarréia.

Outras doenças também têm apresentado correlação com o consumo de glúten, sendo algumas delas: enxaqueca, déficit de atenção e hiperatividade e diversas doenças autoimunes como artrite reumatóide, Tireoidite de Hashimoto, Retocolite ulcerativa e esclerose múltipla.

Dr. Tom O’Bryan argumenta em uma de suas entrevistas recentes que, apesar de aproximadamente 3 milhões de indivíduos terem sido identificados como celíacos nos EUA, a sensibilidade ao glúten acomete uma porcentagem muito maior da população e que praticamente TODO MUNDO se beneficia da eliminação do glúten da dieta, resultando em uma melhor saúde em geral. 

Segundo Tom, a sensibilidade ao glúten era e continua sendo um fato difícil de ser aceito pela comunidade médica nos EUA como descreve:

“Nos últimos três anos, a aceitação da sensibilidade ao glúten não-celíaca na comunidade médica passou de uma criança órfã chorando no mundo, a ser aceito como um dos distúrbios relacionados ao consumo de glúten”

“A doença celíaca é uma das doenças que dura a vida inteira mais comum na Europa e nos EUA”

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O consumo de glúten gera respostas imunológicas que causam problemas cognitivos.  Em sua experiência clínica com crianças diagnosticadas com distúrbio de déficit de atenção, TODAS as crianças de acordo com seus pais, relataram melhoras cognitivas e comportamentais significativas após seis meses em uma dieta sem glúten. Mais alem O’Brian relaciona o consumo de glúten ao nascimento de bebês com problemas de desenvolvimento e uma alta taxa de aborto.

Permeabilidade intestinal

Embora a maioria dos celíacos não apresente sintomas gastrointestinais, não sendo essencialmente uma doença do intestino delgado, o consumo de trigo e do glúten está relacionado a um aumento da permeabilidade intestinal devido ao aumento de reações imunes indesejáveis originadas no trato gastrointestinal.

Problemas gerados na mucosa intestinal causados pelo consumo de grãos, especialmente o trigo, podem comprometer a integridade da barreira intestinal e aumentar a entrada de antígenos não digeridos em circulação, de modo a sobrecarregar o sistema imunológico.

A reação do sistema imunológico aos antígenos resulta em processos inflamatórios, desencadeando a produção de anticorpos e de substâncias pró-inflamatórias que contribuem para o aumento da permeabilidade intestinal. Em outras palavras, este processo se torna um ciclo vicioso onde a passagem dos antígenos pela circulação sanguínea  resulta no aumento a permeabilidade intestinal e vice-versa, de modo a cada vez mais sobrecarregar o sistema imunológico, tornando-o menos apto a estabelecer a homeostase do organismo e  combater doenças.

De acordo com Dr O’Bryan, os indivíduos não estão cientes deste problema até que o consumo de alimentos ricos em trigo ocorra em excesso e a pessoa acabe tendo que ir para o médico com o intestino danificado.

 Reatividade cruzada

Muitas pessoas se perguntam o porquê de seus sintomas não melhorarem com a retirada do glúten. Segundo Dr.Tom, 7 a 30% das pessoas com sensibilidade ao glúten continuam a manifestar os sintomas da doença em uma dieta sem glúten.  36% dos indivíduos com a doença celíaca e sensibilidade ao glúten continuam a manifestar os sintomas da doença após uma semana ou mais, devido à continuação do consumo de glúten que não pode ser identificado pela pessoa. Já os outros 64% continuam a manifestar os sintomas devido à reatividade cruzada com outros alimentos de uma dieta sem glúten, sendo normalmente outros grãos.

Quando celíacos e pessoas sensíveis ao trigo consomem outros alimentos sem glúten, mas que geram uma resposta imunológica similar ao consumo do glúten, ocorre a chamada reatividade cruzada, pois o sistema imunológico confunde um tipo de alimento com outro muito similar.

A reatividade cruzada ocorre quando um anticorpo se liga com partes que são similares à ele em alguns tipos de proteínas, logo iniciando uma reação imunológica.

A reatividade cruzada gerada pelo consumo de diversos alimentos acorre não apenas em celíacos, mas em indivíduos sensíveis ao glúten que representam grande parte da população.

Alimentos que podem criar reatividade cruzada com o glúten são os leites de vaca, caseína, queijo americano, chocolate ao leite, fermento, aveia, centeio, cevada, espelta, café.

A definição de um alimento que gera reatividade cruzada é: um fato que ocorre quando um celíaco ou pessoa sensível ao glúten consome um destes alimentos, que possuem um maior ou menor potencial, de se ligar a um anticorpo de gliadina, de acordo com o grau de sensibilidade pessoal a cada alimento. Ele se encaixa em dois dos três pontos de ligação e quando isso ocorre, uma resposta imunológica é gerada.

Segue abaixo uma imagem da reatividade ao glúten, reatividade cruzada à caseína de laticínios seguida pela não reatividade ao arroz (neste exemplo)

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Já a reatividade direta ao glúten em indivíduos sensíveis ao glúten  ocorre quando a molécula da proteína gliadina do trigo encaixa em três dos três pontos de ligação dos anticorpos de trigo e quando isso ocorre, uma resposta imunológica é gerada para combater o invasor.

No caso do arroz (neste exemplo) não houve reatividade cruzada, pois as moléculas de proteínas do arroz somente fixam em um ponto de encaixe, o que é insuficiente para encaixar nos anticorpos da gliadina, sendo ignorados pelos mesmos e insuficientes para gerar uma resposta imunológica.

Outros alimentos  que podem causar reatividade cruzada são: gergelim, milhedo, trigo sarraceno arroz, batata inglesa, amaranto e quinoa.

Um bom indicador para medir a sensibilidade ao glúten ou a própria doença celíaca é a atividade dos anticorpos IgA e IgG, que quando aumentada podem indicar a existência da doença celíaca não tratada. Medir a atividade destes anticorpos é uma maneira eficiente de monitorar a sensibilidade ao glúten, mesmo em pessoas que seguem uma dieta sem glúten.

Para quem quiser saber mais sobre o Dr. Tom O’Brien visite seu website:  http://www.thedr.com

ctalaranja

2 Comentários

  1. Afonso Celso de Moraes disse:

    As melhores informações sôbre trigo (glúten, etc) estão no livro “BARRIGA DE TRIGO” do Dr.William Davis (Cardiologista). Vale à pena conhecer.

  2. Ubiratan Rosa Passos disse:

    Eu pergunto: Pratico atividade física de moderada/intensa, logo, necessito de uma fonte de carboidrato de baixo índice glicêmico, como fonte energética, e de proteínas antes e após a prática das atividades físicas, certo? Caso contrário, perderei massa muscular.
    Ceio que a batata doce serve ao meu propósito, bem como outros carboidratos de baixo índice glicêmico, certo?
    Outra curiosidade: os diabéticos, os pré diabéticos e os com a glicemia alterada estão inseridos no grupo de indivíduos que, obrigatoriamente, necessitam praticar atividade física, pois diminuem a resistência à insulina e auxiliam, e muito, no controle glicêmico, melhorando sua qualidade de vida e diminuindo substancialmente a incidência de doenças cardiovasculares. Como fazem esses indivíduos para conseguirem seu “combustível” pré e pós atividade física? Vale lembrar que o catabolismo pode permanecer por até 48 horas após uma atividade física moderada/intensa, bem como a diminuição da resistência à insulina, o que pode levar a episódios de hipoglicemia (mesmo naqueles que não são diabéticos).
    Curioso, também, que me indique as fontes confiáveis, com estudos sérios, realizados sobre o mito do colesterol.
    Já faço dieta low carb, mas também sem abusar de gorduras saturadas, apenas as ingiro normalmente (ovos, carnes, bacon, leite e derivados sem lactose, carne de porco, etc). Quanto aos alimentos sem glúten, há que se tomar cuidado, pois o seu teor de caeboidratos costuma ser maior. Opção de carboidratos sem glúten e com baixo índice glicêmico, cito o arroz integral e o feijão.

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