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Nosso cérebro precisa de carboidratos?

Por Mark Sisson

Na edição de hoje eu estou respondendo a uma pergunta. A primeira é a mais recente peça anti-paleo, desta vez do jornal Guardian. Aparentemente, o movimento de saúde ancestral teve um ano muito ruim ou algo assim, e nós estamos segurando as pontas depois de termos sido tratados por uma série de golpes pela mídia. Iremos superar os abusos? Descubra abaixo. Eu também uso a pergunta original para mergulhar na discussão maior sobre o novo estudo afirmando que os carboidratos foram necessários para a evolução do enorme cérebro humano. A mídia está vendendo-o como uma refutação total do estilo primal de alimentação, mas eu não tenho tanta certeza. Acontece que nós temos muito mais em comum do que você imagina ao ler as manchetes.

É difícil saber por onde começar. Eu não quero entrar neste tema com tudo, porque isso seria como vencer uma criança de seis anos de idade em um jogo de futebol, por isso vou apenas caminhar neste assunto gentilmente e abordar cada pedaço de evidência para o “ano ruim da paleo”.

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Vamos começar do início. Muitos estão mencionando o estudo de baixa gordura e moderado em carboidratos que acabou de sair. A implicação é que o estudo colocou toda a comunidade em alerta, mas a realidade é que nós levamos isto muito bem. Na minha cobertura na semana passada, eu não meto pau nele, fico na defensiva, ou descarto suas conclusões. Eu admiti que conseguiu fazer o que se propôs a fazer, mas também que não foi o prego no caixão da eficácia de dietas low-carb por algumas razões:

  • Estudos em câmara metabólica, enquanto úteis na elucidação de mecanismos, não são representativos da vida real com a dieta – e o autor do estudo, concorda.
  • O grupo low-carb teve que queimar seu glicogênio antes que eles pudessem realmente queimar gordura.
  • Os resultados não foram homogêneos, com indivíduos com boa sensibilidade à insulina queimando mais gordura na dieta com baixo teor de gordura, do que os indivíduos resistentes à insulina.
  • Foram apenas seis dias de duração.

Ah, claro, nós comemos muito mais vegetais do que a maioria das pessoas, nossos pratos são dominados por montes de folhas verdes, a nossa idéia de sobremesa é uma tigela de frutas coloridas e eu tenho argumentado para a essencialidade de alimentos de origem vegetal.

Eles não abrem mão de (e continuamente se referem como uma refutação de todo o nosso movimento) um novo artigo científico interessante sobre a importância de amido na evolução do cérebro humano. Ao contrário da cobertura da mídia sobre ele, o estudo é uma hipótese. Será que a hipótese nos condena?

Claro que não. Primeiro de tudo, a importância de tubérculos ricos em amido em dietas de humanos primitivos não é um grande golpe para a saúde ancestral. Nós temos falado de tubérculos por anos, e é sabido que os tubérculos são alimentos de base para muitos caçadores-coletores existentes. Para o meu dinheiro, tubérculos são a melhor fonte de carboidratos concentrados que um ser humano pode comer (quando alguém precisa de uma fonte densa de carboidratos).

Em segundo lugar, o plano de alimentação Primal não é necessariamente low-carb. Eu não sei quantas vezes eu preciso dizer para entenderem. Eu recomendo regularmente mais de 150 gramas de carboidratos por dia para indivíduos altamente ativos que podem realmente usar os carboidratos sem efeitos adversos. 150 gramas de carboidratos é mais batatas do que você pensa.

Em terceiro lugar, embora a cobertura da mídia tenda a apresentar a evolução do cérebro humano como dependente tanto de carboidratos ou carne, não é uma escolha binária. A hipótese de Hardy, o autor do estudo, sugere que o amido fez uma contribuição vital para o tamanho do cérebro humano – não a única contribuição. Não é um ou o outro. Hardy meramente apresenta amido como um fator que contribuiu, ainda que necessário, na evolução do cérebro humano. Eu não discordo.

Em quarto lugar, a hipótese de Hardy aparece para descartar a correlação entre a invenção da culinária e do aumento cópias de genes que codificam amilase salivar. Isto é, quando seres humanos começaram a cozinhar o seu amido, tubérculos fibrosos, a quantidade de seres humanos com amilase salivar produzida aumentou, para permitir uma maior utilização da glicose pré-formada por cozimento, e isso levou a uma aceleração do crescimento do cérebro humano, começando a 800 mil anos atrás. Esta é atraente, mas eu não tenho certeza de que todas as suposições acima são. De acordo com um artigo recente, duplicações no gene da amilase salivar surgiram em seres humanos em algum momento após a nossa divergência com os neandertais, 600 mil anos atrás e antes de nossa adoção da agricultura, 10 mil anos atrás. Se isso for verdade, o nosso tamanho do cérebro começou a acelerar antes de começarmos a fazer mais cópias do gene da amilase salivar. Embora amidos cozidos ainda pudessem ter (e provavelmente desempenharam) desempenhado um papel, parece que a duplicação de genes de amilase salivar não estava envolvida, pelo menos não desde o início.

No geral, a hipótese mais provável é que o cozimento de alimentos em geral permitiu a ingestão de mais calorias e um cérebro maior. Não há nada de especial sobre a glicose pré-formada (a partir de carbs). Se nós comemos glicose diretamente, através da conversão de proteína ou gordura, suficientemente para reduzir as nossas necessidades de glicose em todo o corpo e reservá-la para órgãos e processos fisiológicos essenciais, o importante é que tivemos acesso às fontes concentradas de calorias. Cozinhar tornou isso possível. Acho que amidos foram necessários, mas não suficientes ( carnes, gorduras, frutos do mar, e gordura marinha tem a ver com isso), e Hardy provavelmente concordaria.

De volta ao Jornal Guardian. Eu entendo a inteção de passar algumas horas escrevendo um artigo de isca rápida e fácil que você sabe que vai ter sucesso, mas se gastar um pouco mais de tempo, você pode fazer muito melhor. Ou talvez não… Teve aquele professor que escreveu todo um livro argumentando contra a saúde ancestral, provavelmente gastando mais do que uma tarde sobre ele. Ele acabou concordando com a maioria do que nós realmente dizemos nesta comunidade, argumentando contra comentaristas anônimos na internet, em vez de líderes de pensamentos reais, e recomendando um olhar mais atento para o descompasso evolutivo entre nossos genes e nosso ambiente (o que soa muito familiar para mim). Eu acho que o problema não é os seus argumentos, ou a quantidade de tempo que você gasta com eles. É que você está argumentando contra uma forma de viver, comer, e moventar-se que simplesmente funciona. Você está argumentando contra um alvo em movimento, um movimento de saúde que segue as provas científicas e reavalia velhos dogmas quando necessário.

Saúde é realmente difícil de vencer. Boa sorte para você.

Obrigado à todos pela leitura.

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