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Dieta paleo: Livros em português

Livros em português sobre a dieta paleo, este tem sido um tópico muito comentado recentemente com o lançamento do livro A dieta da mente, do Dr. David Perlmutter com Kristin Loberg. Infelizmente, o mercado editorial no Brasil é extremamente escasso no que diz respeito a livros renomeados sobre dieta. Centenas de livros, incluindo best sellers internacionais, não foram sequer mencionados pela mídia brasileira nos últimos anos, o que me faz indagar sobre os limites do efeito da globalização para indivíduos que buscam mais informação e conhecimento. Todos podemos comprar iPads, correto?

Temos um punhado de livros em português e outro punhado de blogs em português sobre a dieta paleolítica, o que deixa muitos leitores sedentos por informações. De fato, este foi o motivo principal pelo qual nós, do primal brasil, decidimos escrever o blog e o livro em primeira instância.

Eu simplesmente não podia me conformar com tamanha discrepância entre o que acontece no Brasil e no mundo afora. Não se trata apenas de alimentação, a propósito. Por que simplesmente não desligamos a televisão e preparamos nossos filhos para um mercado externo intelectual e não apenas legitimamente comercial (o último também implica o comércio). Eu divago…

 Barriga de trigo:

Publicado no ano passado no Brasil, pela editora Martins Fontes, Barriga de Trigo ou “wheat belly”, em inglês, é um best seller americano com um olhar  muito direto nos benefícios da eliminação do trigo da dieta (podemos de uma vez por todas pensar no nome dieta como alimentação!) não somente em termos de perda de peso, mas acima de tudo na redução dos níveis de inflamação dos tecidos do corpo revertendo uma série de patologias e condições de saúde incluindo doenças degenerativas, autoimunes, diabetes, só para tocarmos na superfície.

barriga de trigo

Na primeira parte do livro, Dr. Davis investiga as modificações da safra de trigo moderno, a qual tem sido alterada pelo homem ao longo dos séculos, sofrendo uma modificação mais dramática e potencialmente prejudicial para a saúde humana nas últimas décadas, pela indústria do trigo, com o intuito de produzir mais cultura, por meio da hibridização e modificações genéticas.

Sua popularidade foi um fenômeno marcante para a percepção do povo americano deste ingrediente. Guiado pela ciência da nutrição e as descobertas mais recentes sobre o trigo, junto com estudos de caso de homens e mulheres que sofreram transformações com base em sua prática clínica e no testemunho de mais de 2000 pessoas, o livro é a peça que faltava no quebra cabeça do estudo da obesidade, lançando um olhar crítico sobre a matéria prima que desencadeou a epidemia da obesidade e causou o adoecimento de americanos e pessoas ao redor do globo.

Apesar da qualidade da farinha de trigo ser apontado com a farinha mais inferior para consumo humano, o autor não abre espaço para leitores encontrarem “conforto” substituindo ela por outras farinhas refinadas como farinha de milho, farinha de arroz, ou goma de tapioca, que podem elevar os níveis de glicose sanguínea pós-prandial e resposta insulinêmica, que por sua vez desencadeia uma cascata de efeitos hormonais com potencial para o ganho de peso e redução da saciedade. Quem come farináceos como a farinha de trigo tende a consumir mais calorias, reação que é mais agravada com o trigo particularmente que age no cérebro como um opióide fraco. Não diferencia o amido comum do amido resistente, embora eles produzam efeitos distintos no corpo.

Os dados do governo americano apontam que o consumo do trigo nos EUA dobrou em relação aos anos 60, junto com o consumo de açúcar que quase triplicou, causando um aumento calórico total, per capita. Logo, entre estes e outros motivos a eliminação ou dramática redução no consumo do trigo torna indivíduos mais propensos a reduzir o consumo calórico e possivelmente do açúcar também, uma vez que ambos ingredientes costumam estar juntos em produtos de mercados e padarias. Este é um dos fatores que levam o autor a concluir que o consumo de trigo é potencialmente mais prejudicial a saúde humana do que o açúcar, que assim como o glúten e o etanol também é toxico para a corpo humano em quantidades elevadas.  Outro fator é a afirmação correta de que os carboidratos em excesso (em especial o trigo) são convertidos em triglicerídeos através de vias metabólicas que convertem carboidratos em gordura corporal DNL (lipogênese de novo) criando-se partículas de colesterol de muita baixa densidade (VLDL), uma causa direta do surgimento de placas arteriais no endotélio (link).

Apesar de não ser um proponente genuíno da dieta paleo de maneira direta, cita alguns estudos com populações primitivas no livro que mostram, sem muita controvérsia entre os pesquisadores uma saúde metabólica superior a indivíduos de países modernos (obesidade e sobrepeso > 2/3 da população americana adulta). Também sugere um consumo reduzido de carboidratos para atingir um estado de melhor saúde, abaixo de 150g/dia para a maioria das pessoas, pelo menos em termos do amido comum, o que é compatível com a proposta da dieta paleolítica além de um plano de ação para tirar do prato este ingrediente aparentemente inofensivo (pãozinho).

Para mais informações sobre este livro leia a entrevista com Dr. William Davis no primalbrasil:  Comer trigo é saudável? 

 A Dieta da Mente:

Outro livro muito bom que foi lançado neste ano no Brasil. Este livro, ao contrário do barriga de trigo, que eu havia lido no passado em inglês, até o momento presente não tinha lido, apesar de já ter escutado Dr. David Permutter em diversas entrevistas de podcasts. Apenas recentemente tive a oportunidade de ler, após receber A Dieta da Mente como presente, junto com um suplemento de proteína de grilo (literalmente) do super Rodrigo – Mojo Já.

Sabemos há muito tempo que o controle da glicemia por meio de uma dieta baixa em carboidratos é um dos meios mais eficazes, se não a forma mais eficaz, para prevenir a perda cognitiva e o desenvolvimento de doenças degenerativas e transtornos cognitivos como mal de parkinson, epilepsia, alzheimer, depressão, entre outros. Já abordamos este assunto algumas vezes no blog (aqui, aqui, aqui, aqui). Dr. Permutter como neurologista naturalmente é um investigador dos efeitos uma dieta low-carb dentro de uma perspectiva neurológica e cognitiva. Portanto, Dr. Perlmutter sugere assim como nós que um aconselhamento alimentar e estratégias direcionadas a manter estabilidade dos níveis de glicose no sangue são ferramentas essenciais para saúde física cognitiva, para indivíduos de todas as idades.

Dieta da mente

Isto não é nenhuma novidade, uma vez que o consumo de hidratos de carbono (carboidratos) entre vários problemas metabólicos causam elevação na glicose sanguínea e a inflamação que prejudicam as funções cognitivas. (aqui aqui)

Dr. Perlmutter sugere, com razão, que o consumo excessivo de carboidratos per capita é consideravelmente mais alto que o consumo de indivíduos de populações primitivas e supostamente nossos ancestrais do período paleolítico (acima de 55% das calorias no Brasil). Uma crítica constante ao seu trabalho por diversos pesquisadores é o fato dele focar estritamente em uma dieta muito baixa em carboidratos (<60g/dia) e implicitamente sugerir que tal dieta seria ideal para todos a longo prazo, que muitos, inclusive nós, não concordamos. No entanto, níveis até mesmo pouco elevados (90-100 mg/dl em jejum) de glicose sanguínea ao longo do dia, pós-prandial e em jejum tem sido associados a um ligeiro porém significante declínio de funções cognitivas atuadas em áreas do hipocampo, o que é um risco e um argumento muito válido do autor ao meu ver, que entre outros justifica uma restrição de carboidratos para não atletas.

Apesar do consumo excessivo de carboidratos estar no topo da lista de fatores que desencadeiam a obesidade, outros fatores associados ao estilo de vida moderno, além dos carboidratos em si, estão por trás da epidemia da obesidade no EUA e no Brasil como uso prolongado de antibióticos (causa ganho de peso considerável), toxinas, óleos de sementes processados, falta de nutrientes/fibras solúveis/antioxidantes, consumo de alimentos inflamatórios “vazios” e ricos em carboidratos, estresse entre outros levam a transtornos metabólicos e danos na saúde intestinal em muitos.  Podemos constatar a saúde extraordinária de muitas populações primitivas com um consumo de carboidratos mais elevado, em torno de 200g por dia, embora pense que no contexto moderno tal quantidade não se adequa a maioria das pessoas, principalmente a quem quer perder peso.

Um regime alimentar muito restrito em carboidratos como a sugerida pelo autor, apesar de ser benéfico ou ótimo a saúde de muita gente, também pode ser nocivo à saúde de muitos a longo prazo, podendo causar hipotireoidismo, constipação, insônia, baixos níveis de energia, entre outros. A disbiose intestinal pode ocorrer, servindo de porta de entrada para sérios problemas. Condição que pode, em alguns casos, ser resolvida apenas com a adição de amido resistente (RS) e probióticos, mas que em outros casos se torna primordial um consumo um pouco mais alto ou moderado de carboidratos “seguros”.

Este não foi o foco do livro e provavelmente a visão do autor, no entanto, é algo que não pode ser ignorado. Tenho certeza de que há muitos pontos positivos sobre ambos os livros, definitivamente mais do que negativos e por isto estou aqui divulgando-os para todos que buscam entender melhor sobre os danos causados por estes alimentos e os conceitos de uma dieta paleo baseada em princípios ancestrais de alimentação.

Aproveito, é claro, para divulgar também o meu livro, “A dieta dos nossos ancestrais”, o primeiro livro brasileiro escrito sobre a dieta páleo ☺

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3 Comentários

  1. Acabei de ler o livro Dieta da Mente. Esse livro é fantástico o autor mostra uma série de estudos científicos e acontecimentos provando esses estudos através do seu dia-dia, já que o mesmo é médico… muito bom!; vale apena comprar.

  2. Carlos Eduardo disse:

    Muito bom o artigo. Só o trecho abaixo que me intrigou:
    “(…) fato dele focar estritamente em uma dieta muito baixa em carboidratos (<60g/dia) e implicitamente sugerir que tal dieta seria ideal para todos a longo prazo, que muitos, inclusive nós, não concordamos. (…)"

    O fato de vocês não concordarem é de que cada indivíduo possui sua necessidade diária de carboidratos? Ou vocês indicam uma quantidade maior de carbos/dia?

    Li este post [ http://bit.ly/1t79jhn ] que indica quantidades limítrofes para cada objetivo. É mais ou menos assim que vocês pensam?

    Fico no aguardo.
    Obrigado pela atenção.

    Abraço!

    • Bruna e Caio disse:

      Olá Carlos. Significa que cada um tem uma necessidade específica de carbs para uma saúde ótima, mas em geral é baixa. Veja a curva dos carboidratos na barra lateral para maiores informações. Obrigado e abraços!

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