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Para complementar o artigo da semana passada sobre a gordura saturada, segue um estudo e informações adicionais sobre não apenas os riscos de um regime alimentar baixo em gordura saturada, mas também da sua substituição por gorduras poliinsaturadas na forma tipicamente consumida.

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Uma meta análise foi conduzida com o objetivo de fazer uma revisão sistemática de 12 ensaios clínicos randomizados com um total de 7.150 participantes, para acessar os efeitos de um cosumo de gordura saturada vs poliinsaturada no risco de mortalidade por doenças cardiovasculares, em indivíduos que já possuem doenças cardíacas.

Apesar de todos os esforços do governo aliados à industria de alimentos processados nos EUA (o mesmo ocorre aqui) em incriminar a gordura saturada como a matéria prima causadora de doenças cardiovasculares e promover o consumo de óleos de sementes processadas como a solução para a nação, a grande maioria dos estudos não mostra nenhum benefício cardiovascular neste sentido, tampouco dados epdemiológicos de países que consomem mais gordura saturada (veja o paradoxo Europeu)

Com esta série de estudos não foi diferente, as análises não demonstraram nenhuma vantagem em substituir as gorduras saturadas (alimento natural) por poliinsaturadas (gordura altamente processada). A mortalidade cardiovascular não foi reduzida.

Abstract:Objective Previous systematic reviews were not restricted to either primary or secondary prevention trials, this study aimed to investigate the effects of reduced and/or modified fat diets and dietary fatty acids on all-cause mortality, cardiovascular mortality and cardiovascular events in participants with established coronary heart disease.
Design Systematic review, meta-analysis and univariate/multivariate meta-regression.
Eligibility and criteria for selecting studies Electronic searches for randomised controlled trials comparing reduced/modified fat diets versus control diets were performed in MEDLINE, EMBASE and the Cochrane Library.
Data extraction Pooled effects were calculated using an inverse-variance random effect meta-analysis. Random effects univariate and multivariate meta-regressions were performed including changes in all types of dietary fatty acids. 
Results: Overall, 12 studies enrolling 7150 participants were included in the present systematic review. No significant risk reduction could be observed considering all-cause mortality (relative risk (RR) 0.92, p=0.60; I2=59%) and cardiovascular mortality (RR 0.96, p=0.84; I2=69%), combined cardiovascular events (RR 0.85, p=0.30; I2=75%) and myocardial infarction (RR 0.76, p=0.13; I2=55%) comparing modified fat diets versus control diets. This results could be confirmed for the reduced fat versus control diets (RR 0.79, p=0.47; I2=0%), (RR 0.93, p=0.66; I2=0%), (RR 0.93, p=0.71; I2=57%) and (RR 1.18, p=0.26; I2=18%). The multivariate and univariate model showed no significant associations between the independent variables and the changes from saturated fat, monounsaturated fat, polyunsaturated fat and linoleic acid. Sensitivity analyses did not reveal a significant risk reduction for any outcome parameter when polyunsaturated fat was increased in exchange for saturated fat
Conclusions: The present systematic review provides no evidence (moderate quality evidence) for the beneficial effects of reduced/modified fat diets in the secondary prevention of coronary heart disease. Recommending higher intakes of polyunsaturated fatty acids in replacement of saturated fatty acids was not associated with risk reduction.

Conclusão:

 Esta revisão sistemática não fornece nenhuma evidência dos efeitos benéficos da redução / substituição das gorduras na prevenção secundária da doença cardíaca coronária. Recomendar uma maior ingestão de ácidos graxos poliinsaturados em substituição de ácidos graxos saturados não foi associado à redução do risco”

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A gordura polinsaturada é mais instável, ou seja, está mais sujeita a oxidação do que as outras gorduras, quando são expostas ao calor, luz e ar, sendo o aquecimento o principal responsável pela oxidação. Quando as gorduras polinsaturadas são oxidadas há uma maior liberação de radicais livres, o que danifica as células, o que está relacionado ao envelhecimento. Os radicais livres causados pela oxidação das gorduras destes alimentos também estão relacionados ao surgimento de rugas e problemas na pele, ao contrário dos antioxidantes

Nos artigos os segredos sujos da indústria de alimentos, foi feito uma explicação sobre o processamento destes alimentos. Eles mostram todo o processo, incluindo a extração química, o aquecimento intenso, branqueamento e desodorização.

Durante o processo de desodorização, processo que visa reduzir o cheiro intenso do óleo, acidos graxos com uma estrutura química diferente são criados, as gorduras trans. Estas gorduras perversas (para dizer o mínimo) produzem danos metabólicos no organismo, como a desregulação dos níveis de insulina e do controle da glicose sanguínea. Apesar das leis que visam assegurar que as empresas vendam estes óleos com um aviso no rótulo que possuem gorduras trans, isto não está acontecendo em São Paulo e provavelmente no resto do país, pelo menos é isto que este estudo que já mostrei algumas vezes no blog diz (link).

Já não bastando o efeito prejudicial das gorduras trans no metabolismo, ela é apenas o topo da pirâmide dos problemas destes alimentos. O excesso de gorduras polinsaturadas omega 6 oxidadas afeta negativamente as redes de controles biológicos que dependem das moléculas de omega 6 eicosanóides, o que causa inflamação, baixa imunidade e problemas no sistema nervoso central, diminuindo a capacidade do corpo de lutar contra vírus, infecções e doenças. Afeta negativamente a integridade da camada celular interna dos vasos sanguíneos, contribuindo para o entupimento das artérias.

Você pode encontrar mais informações sobre as gorduras poliinsaturadas aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui.

Embora a indústria promova a ideia de que estes são saudáveis…

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o bom senso diz que são estes.

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Colesterol

4 Comentários

  1. Marco Aurélio disse:

    Gostaria de saber se a carne tradicional (os cortes magros) possui gordura saturada e é benéfica para o consumo, tendo em vista que a carne orgânica é muito cara no local onde moro.
    Quanto a carne de porco tradicional, o bacon por exemplo, é benéfico?
    Abraço!

  2. Vilande disse:

    Muito bom este artigo, mas gostaria de saber se a banha de porco é saudável para o consumo, porque não vejo mais nos supermercados a exposição deste produto.Eu tomo remédio para o colesterol, mas o “bicho” não diminui.
    Abraço.

    • Bruna e Caio disse:

      Sim, mas isso depende do contexto individual. Se realmente precisar diminuir o colesterol não, mas a maioria das pessoas não sabem quando devem reduzir o colesterol. Abs

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