Fígado gordo e seu tratamento

Por Donald McLean

O fígado gordo (esteatose) é praticamente a pré-condição de fibrose, cirrose e câncer hepatocelular.

A esteatose hepática e resistência à insulina hepática estão intimamente associados, mas ainda não é bem compreendido se trata-se da esteatose causando a resistência à insulina ou vice-versa. Contudo, é evidente que a esteatose e a resistência à insulina hepática normalmente precedem a inflamação, fibrose, e cirrose do fígado.

A esteatose é produzida experimentalmente em animais mediante a:

 

a) toxinas e álcool – neste caso, o efeito será agravado por dietas ricas em gorduras ômega 6 PUFA, revertidas por dietas que fornecem gorduras altamente saturadas, geralmente  gordura bovina ou óleo de coco e se mantem estável por gorduras moderadamente saturadas como o azeite e a banha de porco.

b) dietas ricas em gorduras polinsaturadas ômega 6 (PUFA) com várias refeições ao dia, simulando uma dieta moderna, mas não com uma janela restrita de alimentação (o jejum diário).

c) dietas deficientes em colina ou nas matérias-primas necessárias para fazer colina; metionina, ácido fólico e B12 (no entanto, deficiências de vitamina B12 e ácido fólico tem outros efeitos graves).

d) dietas deficientes em antioxidantes que impedem a peroxidação lipídica, geralmente selênio e tocoferol.

A regulação positiva de PPAR-alfa, fator de transcrição de proteínas que é o principal regulador do metabolismo lipídico no fígado, é protetora contra a esteatose hepática e inibe a replicação de hepatite C (HCV).

PPAR- alfa também foi relatado ser regulado pela hepatite C no fígado de pacientes infectados [88, 89]. Uma vez que PPAR- alfa bloqueia a replicação e a produção de partículas virais infecciosas, a sua regulação positiva provavelmente confere uma vantagem replicativa ao vírus, apesar das desordens metabólicas que resultam para as células hospedeiras [90, 91].

PPAR-alfa é regulada positivamente pela peroxidação intracelular de DHA (ômega 3 dos peixes gordos), por restrição de carboidratos, pelo jejum, bem como pela flavanona naringenina, um antioxidante encontrado na toranja, laranja e tomate.

A partir disso, é possível construir uma dieta que previne ou reverte o fígado gordo e, portanto, impede as suas sequelas:

  • A dieta deve fornecer ampla quantidade de colina, de ovos, e fatores de metilação, vitamina B12 e folato de carnes e legumes (espinafre e beterraba são excelentes fontes do fator alternativo de metilação, a betaína).
  • As gorduras na dieta deverão ser altamente saturadas: carne de cordeiro, óleo de coco, gordura do leite e azeite, mas também haverá quantidades ideais de DHA de peixes e frutos do mar.
  • Carboidratos devem ser restritos (e de baixo índice glicêmico), a ingestão calórica não deverá ser excessiva, várias refeições ao dia devem ser evitadas.
  •  A dieta deverá ser rica em antioxidantes. É importante para a ativação da PPAR-alfa para que o DHA (ômega 3) peroxidize nos hepatócitos e não no intestino ou no sangue. Neste artigo, a vitamina E protege o DHA, mas o extrato de semente de uva(*) é eficaz, portanto, provavelmente estamos falando sobre o efeito antioxidante geral como você deseja obter, seja a partir de um prato com sardinhas, tomate, espinafre cozido levemente em azeite de oliva extra virgem. No caso da hepatite C, que é um vírus que sequestra selênio e zinco, deve ser dada especial atenção à ingestão desses minerais e a suplementação moderada deve ser considerada.

(*) Extrato de semente de uva é uma polifenol de planta, não contém gorduras, e não deve ser confundido com óleo de semente de uva que é rico em ômega 6 (PUFA)

 Este estudo menciona a intrigante possibilidade de que o excesso de acumulação de NADH, um composto orgânico com papel importante na produção de energia das células, é um fator da esteatose hepática. Este fenômeno é conhecido como o stress redutivo e pode ser aliviado com a colina, betaína e moléculas semelhantes através da geração de metano.

Na prática, tais dietas funcionam? Já houve bons estudos sobre dietas ricas em gordura e low-carb em doenças hepáticas gordurosas. Considerando que estes só tem lidado com a redução dos carboidratos e a redução de gorduras ômega 6 rançosas e colina, gorduras PUFAs e antioxidantes ignorados, os resultados foram completamente encorajadores. Vejam abaixo o resumo dos estudos em português e inglês:

Dietary Composition and Nonalcoholic Fatty Liver Disease

There were no significant associations between either total caloric intake or protein intake and either steatosis, fibrosis, or inflammation. However, higher CHO intake was associated with significantly higher odds of inflammation, while higher fat intake was associated with significantly lower odds of inflammation. In conclusion, present dietary recommendations may worsen NAFLD histopathology.

Em português:

Composição da dieta e a doença hepática gordurosa não alcoólica

Não houve associação significativa entre o consumo de proteína ou ingestão calórica total com tanto esteatose, fibrose ou inflamação. No entanto, uma maior ingestão de carboidratos foi associada com uma probabilidade significativamente mais elevada de inflamação, enquanto que a ingestão de gorduras mais elevada foi associada a probabilidade significativamente inferior de inflamação.

Em conclusão, se as recomendações dietéticas não forem precisas, elas podem piorar a histopatologia desta condição.

The effect of a low-carbohydrate diet on the nonalcoholic fatty liver in morbidly obese patients before bariatric surgery

The findings show that 4 weeks of a very low carbohydrate diet reduces liver fat content and liver size, particularly of the left lobe. This approach may render bariatric surgery or any foregut operations less difficult in morbidly obese patients and may be a useful treatment for nonalcoholic fatty liver disease.

Em português:

O efeito de uma dieta pobre em carboidratos na doença hepática gordurosa não alcoólica em pacientes obesos mórbidos antes da cirurgia bariátrica

Os resultados mostram que 4 semanas de uma dieta muito baixa em carboidratos reduz o teor de gordura no fígado e o tamanho do fígado, particularmente do lobo esquerdo. Esta abordagem pode tornar a cirurgia bariátrica ou quaisquer operações intestinais mais fáceis ou desnecessárias em pacientes obesos mórbidos e é um tratamento útil para a doença hepática gordurosa não alcoólica.

The Effect of a Low-Carbohydrate, Ketogenic Diet on Nonalcoholic Fatty Liver Disease: A Pilot Study

Four of 5 posttreatment liver biopsies showed histologic improvements in steatosis (P=.02) inflammatory grade (P=.02), and fibrosis (P=.07). Six months of a low-carbohydrate, ketogenic diet led to significant weight loss and histologic improvement of fatty liver disease.

Last but not least, some case studies from everyone’s favourite blogger, Stephan Guyenet at Whole Health Source. Stephan is someone who has taken into account choline and all the other factors I’ve mentioned.

Em português:

O Efeito de um baixo teor de carboidratos, dieta cetogênica sobre a Doença hepática gordurosa não alcoólica: um estudo piloto

Quatro de 5 tratamentos pós- biópsia hepática mostraram melhorias histológicas  (P = 0,02) na graduação inflamatória da esteatose (P = 0,02 ) e fibrose (P = 0,07 ). Seis meses de uma dieta de baixo teor de carboidratos e dieta cetogênica levou a uma significativa perda de peso e melhora histológica da doença hepática gordurosa.

Por último, mas não menos importante, alguns estudos de caso do blogueiro favorito de todos, Stephan Guyenet no Whole Heath Source. Stephan é um pesquisador que levou em conta a colina e todos os outros fatores que mencionei (só para os leitores da língua inglesa):

Fatty Liver Reversal

Another Fatty Liver Reversal

Another Fatty Liver Reversal, part II

Exercícios e doença hepática:

 

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3070294/

Nem exercício de intensidade moderada, nem os exercícios totais por uma semana foram associados com doença hepática gordurosa (NASH) ou estágio de fibrose. Atingir recomendações vigorosas foi associado com uma diminuição das chances ajustadas de ter NASH (odds ratio (OR): 0,65 (0,43-0,98)). Dobrar o tempo recomendado de exercícios vigorosos, como é sugerido para alcançar benefícios adicionais de saúde, foi associado com uma diminuição das chances ajustadas de fibrose avançada (OR: 0,53 (0,29-0,97)) “.

Resumindo: Apenas exercícos de resistência, de alta intensidade melhoram realmente o quadro.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21618160

Isso nos trás uma gama de estratégias e combinações para tratar o fígado gordo com a dieta paleo, dietas de restrição de carboidratos, dieta cetogênica, restrição de calorias, alimentação com janelas de restrição de tempo (jejum) e exercícios de alta intensidade.

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3 Comments

  1. Excelente post! Parabéns! Sempre o indico a quem precisa.

  2. Nelci says:

    Boma dia,
    Meu figado está gordo, e eu faço a dieta cetogenica á um ano, devido a um cancer de mama. Fiz quimioterapia, mas nao fiz radio. Estou na duvida se a gordura no figado é da dieta ou da quimio,poderia me ajudar? Obrigado

  3. Helena says:

    Descobri que tenho cirrose hepática em janeiro de 2016. Decidi procurar um nutrólogo, e sob a orientação dele iniciei a dieta paleolítica. Sei que a cura se dá somente através de um transplante de fígado, mas meus exames estão bem melhores que antes. Parabéns pelo trabalho !

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