Dieta Low Carb no tratamento do Mal de Alzheimer

A incidência de casos do mal de alzheimer tem crescido exponencialmente durante as últimas décadas, chegando a representar quase 10% dos casos de morte nos Estados Unidos atualmente. Um grande salto comparado a meio século atrás, ou até mesmo pouco mais de 3 décadas atrás quando a doença passou a ser oficialmente reconhecida.

Embora fatores hereditários definitivamente levam a uma maior predisposição a doença, a dieta e outros fatores ambientais estão por trás da manifestação da doença. Pelo menos é o que este estudo recende demonstra com clareza. Esta hipótese levantada por ensaios clínicos no passado certamente é condizente com o que a ciência vem demonstrando com mais preponderância na última década.

Um número considerável de estudos atualmente colocam em destaque o papel crítico da dieta baixa em carboidratos na diminuição da progressão da doença e no tratamento definitivo da doença.

Eles reforçam os princípios da epigenética, a qual consiste na premissa de que os genes fornecem os fatores de transcrição para as proteínas, que influenciam a estrutura e a função celular e estas proteínas são essenciais na expressão genética que favoreça a progressão de muitas doenças que afligem o homem moderno.

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Vamos direto ao ponto, em um estudo pequeno um programa abrangente e personalizado de dieta baixa em carboidratos foi capaz de reverter a perda da memória de 9 dos 10 participantes. Você leu certo sim, A dieta com exercícios e suplementos foi muito eficaz não só na diminuição da progressão da doença, mas em reverter boa parte da doença em poucos meses de programa, sendo que em 10% dos casos, um paciente em estado crítico e avançado da doença reverteu totalmente sua condição.

Agora, se você gosta de números como eu, provavelmente ficará espantado com os resultados. Repetindo: 90% dos indivíduos reverteram boa parte da doença ou se curaram completamente da doença. Embora trate-se de uma amostra pequena, este resultado é tão chocante quanto surpreendente!

O estudo foi realizado por Dr. Dale Bredesen da UCLA Centro de pesquisa da doença de Alzheimer Mary S. Easton e do Instituto Buck de Pesquisa sobre o Envelhecimento.Mary S. Easton Center for Alzheimer’s Disease Research and the Buck Institute for Research on Aging.

O programa incluiu uma série de medidas terapêuticas incluindo mudanças abrangentes dieta, práticas para estimular o cérebro, exercício, sono adequado, medicamentos e vitaminas específicas.

Entre os 10 pacientes com perda de memória associada à doença de Alzheimer, disfunção cognitiva amnésica leve ou disfunção cognitiva subjetiva (em que o paciente relata problemas cognitivos), um paciente que tinha sido diagnosticado com a doença de Alzheimer na fase tardia não melhorou, no entanto, o paciente que estava no estado mais grave da doença teve os sintomas totalmente revertidos.

Em geral, apesar do trabalho com os pacientes ter sido personalizado, o que serviu como base das mudanças no estilo de vida dos indivíduos foi o seguinte, de acordo com o próprio estudo:

  • eliminar todos os carboidratos simples, glúten e alimentos processados ​​de suas dietas  e comer mais vegetais, frutas e peixes não criados em cativeiro.
  • meditar duas vezes por dia e começar yoga para reduzir o stress
  • dormir sete a oito horas por noite, ao invés de quatro ou cinco horas.
  • tomar melatonina, methylcobalamin, a vitamina D3, óleo de peixe e coenzima Q10 todo dia.
  • otimizar a higiene bucal usando um fio dental elétrico e escova de dentes elétrica.
  • restabelecer a terapia de reposição hormonal, que tinha sido previamente descontinuado
  • jejum por um período mínimo de 12 horas entre o jantar e o almoço, e um mínimo de três horas entre o jantar e dormir
  • Se exercitar no mínimo 30 minutos, quatro a seis dias por semana”

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Em resumo, uma série me marcadores biológicos forma otimizados para que os indivíduos atingissem o estado de saúde necessário para reverter o declínio cognitivo associado a doença, sendo os principais a redução dos níveis de insulina que em geral são facilmente estimulados com o consumo de carboidratos, o macronutriente que mais estimula a produção da insulina, o metabolismo da glicose que também é melhorado com a redução dos carboidratos, com o consumo de ervas e certos alimentos específicos exercícios e sono, além da redução dos níveis de inflamação, que possuem também uma ligação estreita com a redução dos carboidratos na dieta (milhares de estudos e uma série de meta-análises demostram  com clareza este efeito da dieta low-carb).

O programa teve a duração de 5 meses e meio até 2 anos em alguns indivíduos, sendo que os pacientes voltaram aos seus empregos com um desempenho surpreendentemente melhor do que o anterior. Sobre os resultados:

The results reported here are compatible with the notion that metabolic status represents a crucial, and readily manipulable, determinant of plasticity, and in particular of the abnormal balance of plasticity exhibited in SCI, MCI, and early AD. Furthermore, whereas the normalization of a single metabolic parameter, such as vitamin D3, may exert only a modest effect on pathogenesis, the optimization of a comprehensive set of parameters, which together form a functional network, may have a much more significant effect on pathogenesis and thus on function.

“Os resultados aqui apresentados são compatíveis com a noção de que o status metabólico representa um determinante crucial e prontamente manipulável de plasticidade e em particular do equilíbrio anormal de plasticidade exibida em SCI, MCI e no começo da progressão do Mal de Alzheimer. Além disso enquanto que a normalização de um único parâmetro metabólico, tal como a vitamina D3, pode exercer apenas um efeito modesto sobre a patogénese, a optimização de um conjunto de parâmetros, que em conjunto formam uma rede funcional, pode ter um efeito muito mais significativo sobre a patogénese, e assim, sobre a função”

O resumo do estudo:

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“Resumo

Este relatório descreve um novo programa abrangente, personalizado e terapêutico que se baseia na raiz da patogênese do Mal de Alzheimer e que envolve várias modalidades concebidas para alcançar melhoras metabólicas para a neurodegeneração. Os primeiros 10 pacientes que utilizaram este programa são pacientes com perda de memória associada à doença de Alzheimer (DA), comprometimento cognitivo leve (amnestic mild cognitive impairment), ou comprometimento cognitivo subjetivo. Nove dos 10 exibiram melhora subjetiva ou objetiva na cognição iniciando dentro de 3-6 meses, com um caso de um paciente em fase avançada do Mal de Alzheimer. Seis dos pacientes tiveram que interromper o trabalho ou estavam tendo muita dificuldade com os seus empregos no momento da apresentação, e todos foram capazes de retornar ao trabalho ou continuar a trabalhar com melhor desempenho.

As melhorias têm sido sustentadas e neste momento o acompanhamento mais longo de um paciente foi de dois anos e meio desde o tratamento inicial, com melhoras sustentáveis e notáveis. Estes resultados sugerem que um ensaio clinico maior deste programa terapêutico seja garantido. Os resultados também sugerem que, pelo menos no início da doença o declínio cognitivo pode ser impulsionado em grande parte por processos metabólicos. Além disso, por conta do fracasso da monoterapia no mal de Alzheimer, até o momento, os resultados levantam a possibilidade de que um sistema terapêutico do tipo pode ser útil como uma plataforma sobre a qual as drogas que falhariam como monoterapia, podem ter sucesso, como componentes essenciais de um sistema terapêutico.”

Apesar da forte influência genética sobre patologias crônicas, a epigenética é um campo de estudo promissor e parece ser o fator chave no desenvolvimento de diversas doenças modernas. Basicamente trata-se do gatilho ambiental, ou o estímulo que desencadeia certas doenças. Para mim e para muitos, fica cada vez mais evidente o papel do ambiente o qual estamos inseridos, os estímulos e suas variáveis no tratamento, cura e prevenção de doenças.

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4 Comentários

  1. Marina Oliveira Braga disse:

    Gostei de tudo que foi explicado e dito. Tenho 77 anos e meio.Tenho níveis bons de glicose, pressão e outros mais. Tenho memória boa e cuido para assim continuar. Tenho artrose nas minhas juntas e ossos, mas procuro caminhar. Tenho sobre peso e hipotireoidismo. Penso poder conseguir uns 10 quilos a menos. Se conseguir, ficarei imensamente feliz. Agradecida pela materia

  2. Marcelo Warriordiet disse:

    ótimo artigo…perfeito!

    sou adepto da Dieta do Guerreiro (20h de jejum diários) e Crossfit a 6 anos e minha qualidade de vida está muito superior…:)

  3. Priscilla disse:

    Legal esta matéria e interessante o estudo. Eu sou nutricionista, trabalho em um grupo de investigação que pesquisa justamente os efeitos antioxidantes da melatonina em diversas patologias que tem como causa o estresse oxidativo e no esporte e sinceramente, não me estranha este resultado de 90%… a melatonina é bastante efetiva (digo com propriedade de uma investigadora) e a nossa dieta Paleo linda, nem se fala…por tanto, não tinha como esse povo não melhorar e muito, com estas intervenções!

    um abraço pra vocês, parabéns pelo trabalho!

    Priscilla

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