Juliana Crucinsky! A nutricionista Primal

Antes que as pessoas comecem a pensar que temos algo contra nutricionistas, fizemos uma entrevista com a  Juliana Crucinsky, nutricionista e que apoia a dieta Primal. Nesta entrevista, você verá o que levou-a a mudar drasticamente seus conceitos sobre alimentação saudável.

A Juliana Crucinsky é nutricionista, graduada pela UERJ. Tem especialização em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral (Santa Casa de Misericórdia do RJ), Gestão da Saúde e Administração Hospitalar (Universidade Estácio de Sá/RJ), Nutrição Esportiva (Universidade Gama Filho/RJ) e atualmente cursando a pós graduação em Nutrição Clínica e Funcional, pela VP Concultoria/Universidade Cruzeiro do Sul.

Atuação em Nutrição Clínica, Funcional e Esportiva – atendimento em consultório, hospital e como consultora técnica da Acelbra/RJ e do site Semlactose.

6127_520082144679036_763051851_n

1- Como você se interessou por alimentação?

Comecei a me interessar durante a adolescência, porque sempre fui muito gordinha. Então comecei a ler alguns textos sobre Nutrição, até que na época do vestibular, acabei optando por esta área.

2- Nos conte mais sobre o seu problema de saúde.

Descobri ter doença celíaca há cerca de 2 anos, meio que “por acaso”. Nunca desconfiei que eu pudesse ser celíaca já que eu não apresentava os sintomas “típicos” da DC (diarréia e perda de peso, por exemplo). Apresentava muitos outros sintomas (enxaqueca, distensão abdominal, prisão de ventre, cansaço, dores musculares e muitas aftas), mas que só passei a relacioná-los ao glúten depois que já estava há um tempo na dieta de exclusão. Comecei a dieta sem glúten numa época em que muitas pessoas aderiram à ela buscando perder peso. Como eu achava isso um contra-senso, já que a maioria dos produtos isentos de glúten contém grande quantidade de amido e poucas fibras, resolvi, numa atitude de crítica, testar em mim mesma esta dieta. De fato, num primeiro momento, eu realmente não perdi peso, porém comecei a perceber uma melhora dos meus sintomas, muitos dos quais eu já havia desistido de usar medicação, pois não funcionavam por muito tempo, como era o caso da enxaqueca. Eram crises tão fortes que me impediam até de trabalhar e para minha surpresa, as crises foram se tornando mais espaçadas e de menor intensidade, até que desapareceram por completo. O resultado de alguns exames acabou sendo prejudicado pela dieta de exclusão, mas o exame genético e a melhora dos meus sintomas confirmaram meu diagnóstico de doença celíaca.

Porém, um ano depois, percebi que meus sintomas respiratórios haviam piorado muito, e acabei me dando conta de que no mesmo período, talvez numa forma de compensação pela falta do glúten, eu havia aumentando significativamente minha ingestão de leite e derivados, além de estar suplementando com whey protein, já que finalmente estava conseguindo fazer uma atividade física regular (coisa que antes da exclusão do glúten, eu não conseguia fazer por muito tempo). Acabei descobrindo que eu também apresentava hipersensibilidade às proteínas do leite, e somente após alguns meses de exclusão completa de todos os laticínios, meus sintomas desapareceram e eu, finalmente, consegui perder peso, desinchar e ganhar massa muscular.

3- Quais os profissionais ou colegas de trabalho que te auxiliaram no tratamento da sua doença?

Quando comecei a suspeitar que o glúten tivesse alguma relação com meus sintomas, a primeira pessoa com quem conversei, foi a Raquel Benati, que na ocasião era a vice-presidente da Acelbra/RJ. Apesar de não ter nenhuma formação na área da saúde, ela possui grande conhecimento no assunto, pois é celíaca há muitos anos, e há anos faz um excelente trabalho de divulgação da DC.

Foi ela quem me indicou um gastroenterologista que conhece bastante a doença celíaca, o Dr. Luiz João Abrahão Jr, e que me ajudou a fechar meu diagnóstico. A partir daí, comecei a pesquisar muita coisa por conta própria e trocar informação e artigos científicos com outros membros das Acelbras. Passei também a fazer parte de um grupo de discussão sobre DC no Orkut, que depois migrou para o Facebook, o Viva sem Glúten, que hj conta com quase 3 mil membros. Na mesma ocasião, passei a me interessar mais pela Nutrição Funcional e acabei resolvendo fazer pós graduação nesta área, o que por sinal, tem me ajudado muito a compreender muitos mecanismos envolvidos tanto na doença celíaca, quanto nas hipersensibilidades alimentares, de um modo geral.

4 – Como foi seu primeiro contato com a alimentação dos nossos ancestrais?

Justamente por conta da minha participação no grupo Viva sem glúten, fiquei sabendo que alguns celíacos, portadores de outras doenças auto-imunes (como diabetes, artrite, etc) mesmo após anos de exclusão do glúten, continuavam apresentando sintomas e estas pessoas, em busca de soluções, acabaram descobrindo na dieta Paleo ou Primal, a solução, para a melhora completa dos sintomas, já que os mesmos pareciam estar presentes por conta de uma “reação cruzada” com os demais cereais.

5- Que tipo de fonte de pesquisas você usa atualmente?

Minha primeira reação à esta forma de alimentação, tão acostumada ao arroz e feijão de cada dia e aos inúmeros alimentos industrializados (mesmo não sendo tão a favor dos mesmos), foi de estranhamento, porém, depois de ler alguns artigos científicos de pesquisadores sérios, como Loren Cordain, Staffan Lindeberg, me senti “mais segura” em continuar minhas leituras, principalmente de alguns blogs e livros que tratam da Paleo.

6- Como você enxerga a posição dos nutricionistas que você conhece, a respeito da alimentação Paleo/Primal?

Pelo menos aqui no Brasil, a Paleo ainda é uma grande desconhecida da maioria dos Nutricionistas e eu atribuo este desconhecimento, principalmente, a um certo preconceito com que a veem, porém tenho professores que a conhecem e até são favoráveis a ela.

O que penso agravar esse preconceito é que alguns defensores da Paleo seguem uma linha mais “cetogênica”, com muito pouco carboidrato, o que a primeira vista, faz lembrar a Dieta Atkins (vale lembrar que dietas cetogênicas tem uma péssima reputação frente aos Nutricionistas dos quatro cantos do mundo).

Entretanto, os estudos apontam para uma enorme variabilidade em termos de composição nutricional encontrada na alimentação dos caçadores-coletores primitivos, em função de sua localização, clima e disponibilidade de alimentos, muitos pesquisadores sérios como o Dr. Cordain e o Dr. Lindeberg, sugerem que a Paleo pode conter uma quantidade moderada (baixa para nossos padrões modernos, mas não tão baixa como na dietas de muito baixo carboidrato) de carboidratos, contidos nas frutas e hortaliças, os “bons carboidratos”, que fornecem calorias para o cérebro, acompanhadas de fibras (indispensáveis ao bom funcionamento do intestino) e de vitaminas e compostos bioativos, de ação antioxidante.

Atualmente existe um consumo exagerado de carboidratos refinados, como o próprio açúcar (puro ou “escondido” em muitos alimentos industrializados) e alimentos preparados com farinhas refinadas (pães, bolos, biscoitos, salgadinhos, pizzas, etc) associada a muita gordura trans, laticínios e aditivos químicos, o que contribui muito para a “má fama” que os carboidratos tem hoje, no sentido de favorecerem a obesidade e doenças como o diabetes. Porém, a medida que se escolhe fontes mais saudáveis de carboidratos (como as frutas e hortaliças), muito trabalho é poupado ao nosso metabolismo, garantindo assim, um fornecimento constante (porém não excessivo) de glicose para o cérebro, e permitindo que as proteínas sejam melhor aproveitadas em suas principais funções, como a formação e manutenção da massa muscular, pele, defesa, etc.

Eu vejo muitos aspectos positivos na Paleo e penso que a mesma pode ser útil, desde que bem orientada, na prevenção e no tratamento de diversas doenças do mundo ocidental moderno, como o Diabetes, a Obesidade, o Câncer e as doenças auto-imunes.

 

7 – Você enxerga alguma possibilidade de uma maior aceitação da dieta e compreensão sobre nutrição dentro do futuro próximo?

Sim, desde que a mesma não seja tratada com tanto “extremismo” ou como “dieta da moda’ como algumas dietas muitas vezes o são, e desde que os autores não se permitam distanciar-se da Bioquímica e da Fisiologia.

8 – Quais são os três principais conselhos que você daria para quem está interessado em alcançar excelência em todos os aspectos, seja no âmbito pessoal ou profissional, ser mais feliz, ou ter mais saúde e qualidade de vida?

Acho que o mais importante é fazer o que se gosta, é trabalhar com prazer, com alegria, e acreditar no que faz, porque quando o que se faz se torna um fardo pesado, o sucesso fica cada vez mais distante, sem descuidar, obviamente, de hábitos de vida mais saudáveis.

Obrigada Juliana Crucinsky, pela ótima entrevista!

CTA-principal4

15 Comentários

  1. Aline

    Entrevista bacana!

    A Juliana tb atende quem segue a dieta paleo? Faz plano de alimentação e tal, para este público?

    Se for assim, sugiro que ela atenda tb via skype ou hangout, para que pessoas do Brasil inteiro possam ter acompanhamento nutricional paleo com ela!

    Por outro lado, há nutricionistas paleo em São Paulo? Alguém conhece?

    Responder
    1. Vinicius Alves Toco

      Procure pela Mariana.

      Mariana Muniz
      R Pará, 50 cj 92, Higienopolis, São Paulo – SP
      Tel: 11-3255-9096.

      Responder
    2. Juliana Crucinsky

      Olá Aline.
      Eu só atendo no RJ.
      O Código de Ética dos Nutricionistas nos proíbe de fazer atendimentos não presenciais, e assim, infelizmente não tenho como atender da forma como vc sugeriu.
      Em SP não conheço ninguém espacializado para indicar, mas sei que alguns professores da VP Consultoria conhecem a Paleo.

      Gde abraço,

      Juliana

      Responder
  2. Isabela Campos Nagy

    Excelente entrevista! Juliana é uma nutricionista que não se cansa de pesquisar sempre. Profissional de primeira grandeza.

    Responder
  3. Bianca Camargo

    Uma pena que não haja mais como a Juliana pelo mundo. No interior, não tem. E eu acabei de ficar sem acompanhamento para meu campeonato porque a nutri que contratei não aceita a minha dieta nem acredita que assim eu conseguirei emagrecer o suficiente para o padrão. =/

    Nunca senti tanta falta de estar em um grande centro como agora!
    Vou ter que fazer tudo na raça, sozinha, apenas com o autoconhecimento.

    Beijos!

    Responder
    1. Emanuel Moura

      Por essas e por outras, nem me preocupei em procurar nutricionistas ou médicos. De minha saúde cuido eu, na falta de alguém que me compreenda. Faço meus exames de sangue particulares, me guio pelo livro do Robb Wolf, me inspiro nas fotos do Art De Vany, estudo pelo PubMed e vamo que vamo.

      A Dr.ª Juliana me inspirou a fazer Nutrição. Será que veremos uma massa crítica de nutricionistas Paleo em três ou quatro anos? 🙂

      Responder
  4. MÔNICA MANO

    PARABÉNS PELA ENTREVISTA, QUEM CONHECE A JU SABE O QUANTO ESTA PROFISSIONAL É DEDICADA E ESTUDIOSA.

    Responder
  5. Juliana

    Nossa, que descoberta maravilhosa! Marcarei uma consulta com certeza! Obrigada, PrimalBrasil!

    Responder
  6. Amanda Ayres

    Também sou nutricionista e sigo a linha low carb há varios anos. Lamento ainda que a maioria dos profissionais da minha área ainda estejam com a metalidade tão fechada quanto a este assunto. Existe ainda muito preconceito por parte dos profissionais da saúde quanto a dietas com este seguimento – o que é lastimável. Recentemente ouvi num Congresso Internacional sobre a dieta cetogênica no tratamento do cancêr!!! Quer coisa melhor do q ouvir isso num congresso para nutricionistas? Bom, são os primeiros passos de muitos que ainda estão por vir para acabar com a falácia do deficit calórico – o importante é que nós profissionais com a mente mais aberta e que buscam aprimorar nossos conhecimentos baseados em pesquisas atuais e não nos contetamos somente com o que a maioria segue, nós estamos a frente e nos pacientes acabam ganhando mais saúde com isso!!! Parabéns Caio Fleury e Juliana Crucinsky!!!!

    Responder
    1. Jucelino Salvador

      Ocorreu uma campanha no Sesc em curitiba com relação a dieta, osteoporose, exame de calcanho para avaliar o grau de osteoporose em setembro mais ou menos de 2013. A nutricionista que me atendeu utilizava a piramide alimentar, o patrocinador do evento era uma empresa produtora de iogurte com calcio. Lamentavelmente, questionei com a nutricionista a questão de eliminar o açucar e os carboidratos, a resposta ……… sem palavras

      Responder
  7. Mauricio Carvalho

    Deveria ter uma espécie de banco de dados que listasse os nuticionistas que seguem o paleo/low carb. Eu, por exemplo, gostaria de saber se existe um(a) nutricionista com este perfil que atenda em Curitiba/PR. Alguém sabe?

    Responder
    1. Luis Ribas

      O Dr Souto está tentando criar esta lista, mas de Curitiba realmente está difícil ! http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2013/04/lista-de-profissionais-de-saude-paleo.html

      Responder
    2. Jucelino Salvador

      Drª Telma, ginecologista, tem consultório na rua Barão do Rio Branco esquina com a Mal. Deodoro em frente a loja Cacique Esta medica tinha problema de tireoide e eliminou o gluten da dieta, surtindo otimos resultados, claro eliminou o principal carboidrato, a informação do endereço quem me passou foi uma amiga que tinha o mesmo problema da médica.
      Pena que ja faz um ano que o Mauricio perguntou…….

      Responder
  8. Jucelino Salvador

    Oi queridos…. como é bom saber que as coisas estão mudando, mas se não mudarem pelo menos eu sei que tem um jeito diferente. Solicitei o Livro de vo 6 na saraiva chega sumana q vem Beijos Ciao………

    Responder
  9. Hugo

    Atualmente estou cursando Ciencia e Tecnologia de Alimentos, mas estou pensando em mudar para nutrição mesmo. Quem sabe eu vire um futuro nutricionista Paleo 🙂

    Responder

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comments Protected by WP-SpamShield Spam Blocker

Show Buttons
Compartilhe no Face
Entre em contato
Hide Buttons