Saia de casa!

Achei o feriado do Carnaval um momento bem apropriado para a tradução deste artigo! Espero que gostem!

No que diz respeito a nossa saúde, a maioria de nós tende a focar na qualidade de nossa dieta e nos exercitar como métodos para melhorar nossa saúde. Nós geralmente acreditamos que se formos “perfeitos” na nossa dieta e nos exercícios, o melhor estado de saúde será uma consequência direta. Esta concentração em aperfeiçoar tanto a alimentação quanto a forma física na busca pelo bem-estar pode frequentemente nos levar a negligenciar certas relações importantes nas nossas vidas, particularmente o relacionamento com os outros.

Mas e o relacionamento com a natureza?

Você pode não ter considerado a possibilidade de um relacionamento com a natureza – afinal, como você pode ter um relacionamento com uma entidade não-humana?

De uma perspectiva pessoal, quantos de nós já fizeram uma caminhada pela mata e se sentiram acalmados pelo som do vento nas árvores e o cheiro agradável das folhas? Ou se sentiram comovidos pela beleza das montanhas cobertas de neve? Quem não aproveitaria uma noite, assistindo ao pôr-do-sol na praia, a areia entre os dedos dos pés, com o ritmo das ondas do mar estourando na costa?

Experimentar estes momentos profundos de paz, felicidade ou bem estar no contexto da natureza é um evento universal e demonstra que o contato com a natureza é uma parte integral do nosso bem estar como humanos. Em um contexto de saúde pública, a exposição à natureza tem sido usada como terapia para a recuperação em curto prazo para o stress e a fadiga mental, para acelerar a recuperação de doenças e para uma melhoria geral a longo prazo da saúde e bem estar.

Pesquisas suportam a teoria que o nosso relacionamento com a natureza é um componente fundamental para a manutenção da saúde. Esta “hipótese da biofilia” sugere que há uma afiliação inata dos seres humanos com os outros seres vivos, tanto fauna quanto flora, e talvez uma ligação inata com a natureza em geral.

A teoria da biofilia é suportada tanto pelo senso comum quanto pelas evidências clínicas. Muitos estudos controlados e observacionais demonstraram um valor terapêutico positivo na exposição física e visual à natureza, com benefícios demonstrados para uma grande diversidade de diagnósticos, variando desde obesidade a esquizofrenia.

A teoria da biofilia faz sentido em uma perspectiva evolucionista também

Muitas espécies de animais usam a seleção do habitat como um critério para o sucesso da sobrevivência, concentrando-se apenas np padrão das árvores a abertura da vista. Os primeiros humanos não eram diferentes disso, uma preferência por viver próximo à água e numa abundância de plantas verdes indicava maior avaliabilidade de comida, com vegetação comestível e animais herbívoros em abundância.

A habilidade de identificar ambientes relaxantes, restaurativos e naturais também permitiu que o homem paleolítico tivessem a oportunidade de se recuperar do estresse ou da fadiga, e isso foi necessário para a sobrevivência. Aqueles indivíduos que conseguiram se instalar nesse tipo de ambiente ganharam vantagem na sobrevivência, o que pode explicar a preferência dos seres humanos por certas paisagens. 

Enquanto nós nos desenvolvemos no ambiente externo e no meio da natureza pela maior parte dos últimos dois milhões de anos de existência da nossa espécie, o movimento para um ambiente majoritariamente interno foi um desenvolvimento recente para os seres humanos. Assim como nossa dieta, nosso ambiente físico mudou drásticamente em um curto período de tempo.

Nós quebramos nossa forte conexão com a natureza recentemente e não tivemos a chance de nos adaptar a nossa nova vida com abrigo e confinamento. O advento da eletricidade é ainda mais recente, permitindo que nosso mundo seja inundado de luz artificial a qualquer hora do dia (ou da noite).

A falta de luz solar e/ou a quantidade excessiva de luz artificial pode ter uma variedade de consequências negativas para a saúde.

Nosso relacionamento com a natureza foi substituído pelo nosso relacionamento com a tecnologia

Estudos recentes tem se focado na ideia de ” distúrbio de déficit de natureza”, sugerindo que as crianças que passam muito tempo olhando para as telas podem desenvolver déficit de atenção, hiperatividade ou depressão. Enquanto nossas crianças podem levar a pior neste déficit de natureza, aqueles de nós que passam 40 horas ou mais, por semana, com os olhos grudados na tela do computador podemos ter consequências negativas similares.

Embora não seja possível largar nossos trabalhos, vender nossas casas e mudar para um lugar selvagem (ou seria?), existem muitas maneiras de aliviar nosso déficit crescente de natureza:

1. Faça seus exercícios ao ar livre: pesquisas mostram que se exercitar ao ar livre oferece benefícios ainda maiores física e mentalmente, se comparado aos exercícios feitos em ambiente fechado. Faça caminhadas longas no seu parque local (ou na praia) ao invés de fazê-lo na esteira da academia com luz artificial. Aproveite-se dos dias quentes e ensolarados e faça seus exercícios de força ao ar livre também. Isso pode necessitar de mais planejamento e criatividade, mas os benefícios físicos e mentais valerão o esforço.

2. Invista em um animal de estimação: a companhia de um animal foi essencial para a sobrevivência do homem primitivo e esta prática era comum nas sociedades caçadoras-coletoras. Possuir um animal de estimação não só dá uma sensação de companheirismo e criação, mas também oferece uma conexão mais tangível com a natureza. O contato com os animais tem demonstrado menor risco de doenças cardíacas, menos ansiedade e redução na depressão. Para não dizer que, além disso, não há nada mais motivante para sair de casa do que um cachorro hiperativo!

3. Crie um jardim dentro de casa: se sair de casa regularmente for um desafio, considere incluir algumas plantas dentro de sua casa. Os estudos tem demonstrado que manter plantas em casa aumenta o humor, melhora a qualidade do ar e reduz a ansiedade e a fadiga.

Nosso relacionamento com a natureza é um componente vital para o bem estar que muitas vezes é deixado de lado pelas preocupações da vida moderna. Para atingir nossa saúde completa como seres humanos, nós precisamos considerar  que a adequação biológica ao ambiente que vivemos pode ser tão importante para nossa saúde quanto a alimentação e o exercício.

Este artigo é uma tradução livre. O original pode ser encontrado em http://chriskresser.com/go_outside

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