Por que algumas pessoas não engordam comendo carboidratos?

Tradução livre:

Observem duas pessoas. Elas comem exatamente a mesma quantidade de carboidratos e fazem a mesma quantidade de exercício. Mas por que uma ganha peso e a outra não?

Já se perguntou por que algumas pessoas que consomem grande quantidade de carboidratos e permanecem magros, enquanto os outros engordam e se tornam obesos?

Isso depende dos seus genes e, acreditem ou não, da sua saliva.

De acordo com a revista Nature Genetics, um estudo publicado em março de 2014 analisou a relação entre o peso corporal e um gene chamado AMY1, que é responsável por uma enzima presente na nossa saliva, conhecida como amilase salivar.

Logo quando comemos, o alimento entra em contato com esta enzima que começa a digeri-lo e isso continua no intestino.

Mas aqui está a sacada, que poderia explicar por que alguns de nós digerimos os carboidratos de forma mais eficiente do que outros. De acordo com os pesquisadores do Imperial College de Londres, todos nos possuímos diferentes número de cópias do gene AMY1. Quanto mais cópias você tem, melhor você vai digerir os carboidratos e o efeito conseguinte é que você será mais magro.

Professor Philippe Froguel, Presidente de saúde genômica da universidade Imperial de Londres e um dos principais autores do estudo, disse:

Eu acho que esta é uma descoberta importante porque sugere que a nossa capacidade de digerirmos o amido e como os produtos finais da digestão de hidratos de carbono complexos se comportam no intestino são fatores importantes no risco de obesidade”

A pesquisa mostrou que quanto menos cópias do gene AMY1 você possui, maior o risco de excesso de peso.

Eles acreditam que um maior número de cópias do gene da amilase salivar observado em algumas pessoas é devido a evolução do ser humano em resposta a uma mudança para dietas com mais amido desde os tempos pré-históricos.

O papel preciso da amilase salivar não é claro, mas acreditam que por quebrar açúcares na boca o sistema digestivo se prepara para receber o amido,  de modo a acelerar a taxa de absorção do mesmo.

Outra possibilidade interessante é que diferentes níveis de amilase salivar podem mudar a forma que o gosto de comida é percebido. Pessoas com baixos níveis de amilase salivar sentem os amidos com gosto mais cremoso e, portanto, mais atraente. Isso poderia aumentar o desejo por alimentos ricos em carboidratos e assim promover a obesidade.

Um fator impressionante é a conclusão dos pesquisadores de que a chance das pessoas com menos de quatro cópias do gene AMY1 de serem obesas foi cerca de oito vezes maior do que aqueles com mais de nove cópias do gene.

Gráfico do Colégio Imperial de Londres: Quanto mais cópias do gene você tem, menores as chances de que os carboidratos irão fazer você engordar.

gene carb2

A pesquisa pode ser uma ferramenta valiosa para nutricionistas. Com um foco no sistema digestivo de uma pessoa, sua constituição genética e o número de cópias do gene AMY1 que pessoas possuem, profissionais poderiam recomendar mudanças mais apropriadas na alimentação para a perda de peso, incluindo a redução de carboidratos, como parte de um plano alimentar saudável.

Colesterol

3 Comentários

  1. Maurício

    Olá !
    Sempre fui magro, mesmo comendo mais que todos.
    De certa forma, desde a infância minha alimentação era quase-páleo, e pratico capoeira há 30 anos.
    Mas desde pequeno, a minha mãe já apontava que eu mastigava MUITO a comida, hábito que mantenho até hoje, e que, na minha opinião, é a grande CHAVE para manter a saúde: mastigação excelente + salivação excelente.
    Na opinião de vocês, esse fato, somado ao exposto no artigo, são o que mantém a minha saúde facilmente domada ?
    Abraços
    Maurício

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  2. Fernando

    Este texto não fez sentido para mim. Vou detalhar o porque:

    O Amido é uma molécula muito grande, composta por muitas moléculas de glicose. Devido ao tamanho, o amido não é absorvido, por isso existe enzimas digestivas que o quebram liberando glicose, essa sim é absorvida rapidamente pelo intestino, por isso ela é de alto índice glicêmico.

    O texto diz que quanto mais cópias do gene AMY1, mais enzima amilase será produzida, e o amido será digerido rapidamente em glicose, e quanto mais glicose no intestino, mais rápida é sua absorção, e maior será o pico de insulina.

    Então minha conclusão é:
    Para pessoas com mais genes AMY1, o amido terá um índice glicêmico maior que as pessoas com poucas cópias.
    E a muito tempo já sabe-se que quando menor o índice glicêmico, mais lento o carboidrato será absorvido, o que é melhor para o organismo não acumular gordura.

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    1. Bruna e Caio (Publicações do Autor)

      Alguns estudos mostram claramente a relação entre menos cópias do gene e o maior ganho de peso independente do índice glicêmico.

      Dado o mesmo consumo de carboidratos os estudos não conseguem distinguir uma maior perda de peso com carboidratos de baixo índice glicêmico. A perda de peso tente a ser igual, portanto o índice glicêmico em si não oferece nenhuma vantagem neste sentido. Obrigado

      Responder

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