O problema da mamadeira

A maioria dos médicos considera a amamentação o melhor primeiro alimento para o bebê. Infelizmente no Brasil e em muitos outros países, médicos estão recomendando as fórmulas comerciais após os típicos seis meses de amamentação recomendados.

No Brasil e em muitos outros países as pessoas estão sendo bombardeadas por propagandas sobre os benefícios das “baby fórmulas” ou o leite infantil, seguindo a tendência dos EUA como sempre.

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Fico chocado com as recomendações que tenho escutado recentemente por hospitais públicos, que em muitos casos os quais pude presenciar estão fornecendo receita de leite infantil às mães que demonstram qualquer dificuldade na amamentação. Estes profissionais não hesitam em recomendar o leite infantil, demonstrando pouca instrução e treinamento para orientar às mães no preparo o para a amamentação e para que o bebê se acostume a tomar o leite materno. Ao se depararem com qualquer dificuldade de amamentação, não hesitam em aconselhar imediatamente a alternativa mais “fácil” e que dá menos trabalho para a mãe.

Infelizmente esse é um fato cada vez mais recorrente, onde sabe-se lá quantas mães e bebês estão sendo prejudicados.  Estes acontecimentos, em minha opinião, são uma evolução natural de uma sociedade em que alimentos processados se tornam cada vez mais comuns, tornando famílias cada vez mais dependentes. Não obstante, muitos estudos foram indiretamente financiados pela indústria de alimentos comerciais para bebês nos EUA, com o intuito de promover os supostos benefícios gerados ao consumir estes alimentos processados.

Mais recentemente, no entanto, muitos pais mais instruídos estão começando a questionar mais sobre a opção de alimentar seus filhos com as fórmulas/leites infantis, pesquisando mais sobre nutrição infantil, passando a questionar crenças comuns em relação às práticas de alimentação. Com mais informações disponíveis na internet, para que os pais estejam mais aptos a avaliar as alternativas, eles se tornam mais do que nunca, muito mais propensos a desafiar o conselho pediátrico em relação às questões de alimentação infantil.

Estamos tão acostumados com os hábitos da vida moderna, que às vezes é difícil parar para refletir e questionar as crenças que fazem parte de nossa própria cultura moderna. Precisamos comparar nossos hábitos com as crenças e práticas de culturas tradicionais que representam os hábitos alimentares que são mais coerentes com nosso passado evolutivo ao longo de centenas de milhares de anos, para que possamos identificar as diferenças e questionar o que é melhor para nós e para os bebês em termos de alimentação e cuidado.

Nossos ancestrais, por exemplo, amamentavam seus filhos até os dois anos de idade ou mais. O leite humano materno é um produto muito complexo de nossa evolução como espécie, com propriedades únicas para o bebê. O leite materno possui ácidos graxos essenciais ômega 3, fundamentais para o desenvolvimento do cérebro do bebê, alto teor de nutrientes e gordura saturada e monoinsaturada, essenciais para  que os bebês sejam saudáveis e tenham um sistema imunológico forte para combater doenças.

A amamentação na infância, uma alimentação rica em alimentos de origem animal e a prática de atividades físicas dos membros de populações primitivas, como relatado por Weston Price em seu livro e outros pesquisadores, favoreceu o desenvolvimento físico, desenvolvimento ósseo, dentário e estrutural destas populações, em contraste com populações industrializadas e populações que dependem fortemente da agricultura e do consumo de grãos como principal fonte de subsistência, carecendo de alimentos de fontes animais essenciais.

De fato, muitos bebês começam a ter reações alérgicas logo após o consumo das fórmulas infantis à base de leite de vaca ou soja. Muitos passam a ter problemas digestivos como, diarréia, vômitos, dor de estômago, problemas imunológicos e outros, que os tornam muito mais suscetíveis a desenvolverem doenças.

Muitas vezes os problemas de saúde não são atribuídos à alimentação pelos pais, mas quando são detectados, eles muitas vezes mudam para o leite de soja, que apesar de poder resolver os problemas de alergia é um alimento carente de nutrientes essenciais, e que tem grande potencial nocivo gerado pela desregulação de hormônios como o estrogênio, entre outros problemas associados ao seu consumo.

 Ingredientes de uma fórmula infantil tradicional 

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Vocês podem notar que ingredientes como maltodextrina, leite de vaca desnatado, lactose, óleos vegetais industrializados, aditivos químicos, etc são os ingredientes mais comuns destas fórmulas. Vale notar que as empresas estão no ramo alimentício e como qualquer ramo no comércio, o objetivo é a lucratividade, por isso os ingredientes devem ser os mais baratos, gerar um maior consumo e proporcionar a maior satisfação ao cliente, que no caso são as mães, que estão preocupadas em alimentar seus filhos, portanto a satisfação do cliente neste caso envolve além de pensarem que estão proporcionando o melhor alimento ao bebê, assegurar que engulam a comida sem fazer cerimônia. E é justamente isso que as fórmulas proporcionam, uma mistura de alimentos de alta palatividade, cheio de aditivos químicos,  os quais são minuciosamente elaborados para que as papilas gustativas do bebê se tornem mais propensas a querer consumir mais destes alimentos e mais suscetíveis a rejeitarem alimentos de verdade.

Já outras fórmulas, que geralmente são recomendadas para bebês com mais de um ano e crianças são mais nocivos ainda, pois a farinha de trigo refinada é adicionada, que já é um alimento extremamente problemático para adultos, então imagine para bebês e crianças que são muito mais sensíveis e possuem um sistema imunológico menos desenvolvido para combater doenças. Em outras palavras a fórmula do bebê se torna uma mistura de alimentos similar aos alimentos processados atualmente vendidos no mercado, logo o bebê ou a criança passa a se alimentar quase que exclusivamente de alimentos processados extremamente nocivos, enquanto adultos AINDA se alimentam em parte com alimentos de verdade, parcialmente se alimentando com alimentos nocivos e processados.  Ou seja, o bebê e a criança que já são mais vulneráveis que adultos por natureza, consomem a alimentação recomendada pela indústria de alimentos, que os torna mais vulneráveis e propensos a se adoentarem.

Primeiros alimentos a serem introduzidos

Amamentação é sempre a principal escolha até os dois anos de idade ou mais, uma escolha perfeita para o desenvolvimento do bebê, incomparável a qualquer outra fonte.

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Conforme a capacidade de mastigar alimentos sólidos, é importante que sejam introduzidos alimentos sólidos nutricionalmente densos, gradualmente.Os melhores alimentos a serem introduzidos aos bebês, sem sombra de dúvidas precisam ser de fontes naturais, ricos em nutrientes e antioxidantes, muitos dos quais nem sequer foram identificados. Os nutrientes interagem sinergeticamente com o alimento, ao contrário dos alimentos processados que possuem vitaminas e minerais sintéticos artificialmente introduzidos, que são promovidos fortemente pela indústria de alimentos.

A mensagem propagada é a de que alimentos processados são mais saudáveis e ricos nutricionalmente, pois estão cheios de vitaminas e minerais sintéticos que foram introduzidos, o que é incorreto. Alimentos moles, fáceis de mastigar e de digerir como gema de ovos, caldos de osso, frutas, vegetais e tubérculos são alguns dos alimentos muito ricos em nutrientes que podem ser introduzidos aos poucos no lugar da porcaria processada vendida por aí que é basicamente constituída de leite de vaca em pó desnatado, misturado com farinha de trigo refinada, açúcar, óleos vegetais ômega 6 oxidado e aditivos químicos.

Vamos refletir por um instante. O bebê nunca consumiu nada além de seu leite materno. O que você prefere dar ao seu bebê? Comida de verdade, que não é difícil de introduzir, fácil de mastigar, cheia de nutrientes essenciais para o desenvolvimento do bebê, ou o leite infantil tradicional, que apesar de ser fácil de mastigar traz diversos danos à saúde do bebê? O leite infantil sobrecarrega o sistema digestivo do bebê e gera uma “alta carga de açúcar” em seu sangue, principalmente devido aos cereais, em especial o trigo, que irá alimentar um ciclo vicioso no qual o cérebro do bebê se tornará viciado a comer a todo instante para manter os níveis de glicose sanguíneos altos.

Portanto, se você não quer ter que agüentar seu bebê chorando a todo instante para pedir “comida”, comece com o pé direito a alimentação de seus filhos e não cometa o erro comum de começar por dar-lhes alimentos que irão gerar altas doses de açúcar sanguínea que os tornarão mais suscetíveis a rejeitarem o sabor de comida de verdade. Seu filho irá rejeitar o brócolis como a maioria das outras crianças.

Os benefícios do consumo de leite materno em comparação a outras fontes são imensos, sendo crítico para o crescimento de um bebê saudável, mais inteligente e feliz. Muitas pesquisas constatam os benefícios do consumo de leite materno, como a redução do número de toxinas no corpo do bebê, um menor risco de contrair doenças como alergias, problemas gastrointestinais, asma e infecções respiratórias, diminui a probabilidade do bebe se tornar obeso e de desenvolver diabetes (fato que se torna cada vez mais comum nos EUA), melhora os marcadores sanguíneos, e diminui a probabilidade do bebe ter problemas de desenvolvimento.

Outros benefícios:

– O leite materno é rico em ácidos graxos ômega 3 DHA, responsáveis por gerar benefícios cognitivos essenciais para o desenvolvimento do cérebro do bebê

– Proporção de macronutrientes ideal para o bebê (Gordura, proteína e carboidratos)

– Fácil acessibilidade

– Fácil de ser digerido pelo bebê

– Fortalece o sistema imunológico do bebê para combater infecções e doenças

– É rico em nutrientes essenciais para o desenvolvimento do bebê

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2 Comentários

  1. Lisa Soares

    Olá! Ótima matéria…

    Mas… E quando o leite seca? O leite de coco pode substituir o materno? Afinal, tem gorduras boas e ácido láurico, tb presente no leite materno…

    Responder
    1. Bruna e Caio (Publicações do Autor)

      Nada substitui, mas outras gorduras boas podem quebrar o galho…

      Responder

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