O poder de ser honesto consigo mesmo

Este post é uma tradução livre de  “Why Health Integrity Matters, or The Power of Being Honest with Yourself“, escrito por Mark Sisson e publicado em seu blog Marks Daily Apple. 

Era uma vez, na época dos caçadores-coletores, as pessoas em geral viviam de acordo com o que as tornava saudáveis. Antes de colocar Grok (personagem caçador-coletor criado pelo Mark Sisson) e sua família em um pedestal, é importante saber que eles não tinham muita escolha. Se não fossem assim, eles provavelmente não veriam o próximo capítulo da história paleolítica. Mesmo nas melhores das circunstâncias e escolhas pessoais, muitos sucumbiam às tantas ameaças pré-históricas. Mesmo assim, em termos de estilo de vida, a imperativa da saúde estava lá. Eles tinham que se mover. Eles tinham que consumir alimentos reais. Eles viviam e dormiam geralmente seguindo o ciclo do seu ritmo circadiano. Eles tomavam sol. Eles se socializavam. Não havia razão para isso ser questionado, pois poucas ou nenhuma outra alternativa existia: se mudassem de grupo, as opções eram as mesmas.

Hoje nós temos possibilidades infinitas e nós sofremos e nos beneficiamos com isso. Nós temos a opção de sentar no sofá o fim de semana inteiro e assistir a uma maratona de Game of Thrones. Nós temos o potencial de comer no McDonald’s por 30 dias consecutivos. Nós podemos comprar um maço de cigarros independentemente do fato de estarmos ligados a um tanque de oxigênio. Nosso médico pode aumentar nossa dosagem de insulina e assim podemos comprar um milk shake no caminho para casa. Nós podemos nos estressar até o último nervo (e até a exaustão adrenal) ao vivermos com muito trabalho e pouco sono, muita preocupação e muitos estimulantes. Nós temos esta escolha – e é isso mesmo que isso significa: uma escolha. Qualquer que seja o nosso passado, qualquer que seja nossa condição no presente, estamos sempre livres para fazer uma próxima escolha diferente. 

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Nós podemos falar de fisiologia até não aguentarmos mais. Podemos ler e aprender o que é realmente saudável até que consigamos encher um livro ou um blog sobre este assunto. Nós podemos ter uma cozinha cheia de livros de culinária saudável. Nós podemos escutar as palavras encorajadoras de nosso médico (um abraço para os médicos Primal!). No final, no entanto, não é o quanto sabemos que importa. O que importa é o quão dispostos estamos a aceitar a responsabilidade pessoal pela nossa saúde.

Responsabilidade. É uma palavra difícil e para alguns, muito severa. Em uma cultura que glorifica a imaturidade e a gratificação imediata, o conceito pode parecer um grande estraga-prazeres. Quanto se trata de saúde, eu acho que esta associação é especialmente verdadeira. É bom se exercitar, por exemplo, mas ninguém quer ser visto levando isto muito a sério. Mesmo grandes atletas brincam sobre as porcarias que comem. É ok gastar um pouco mais com a carne orgânica, mas no minuto em que você recusa a sobremesa, você é um estraga-prazeres que está tentando fazer as outras pessoas se sentirem mal.

Claro, os massivos problemas de saúde no nosso país são em parte estimulados pela falsa mensagem médica, que leva as pessoas bem intencionadas aos caminhos errados em busca da saúde. A maioria disso, no entanto, pode ser simplesmente atribuído a uma falta de vontade de se levantar, tomar a responsabilidade da escolha, e viver com integridade com a saúde. Por integridade com saúde, eu quero dizer, honestidade com você mesmo, um comprometimento que começa e termina com você mesmo, um compasso interior que não tem nada a ver com o mundo lá fora.

Para cultivar este tipo de integridade com a saúde, nós temos que reconhecer que tudo conta. Não existem jogos, não da para se esconder, fingir, não há desculpas. Isso não significa que as pessoas que tem integridade com a saúde não comem alguma sobremesa de vez em quando, mas não há um truque emocional nem um sentimento de culpa. Você tem o controle – das coisas boas e ruins, você não culpa as pressões externas ou as pessoas. Você não se arrepende.

Uma parte do problema é uma fascinação com o transgressivo. De alguma maneira, trair a nós mesmos é uma grande gratificação. Nós confundimos a indulgência com a decadência, a disciplina com a privação. Comportamentos saudáveis são classificados como chatos, tem um papel moral na nossa cultura. Ser saudável é trabalhar duro e ser austero. Escolher alimentos saudáveis é dizer não. Pelo menos, esta é a mensagem que ouvimos. Do outro lado do espectro tem-se a aventura da Coca-Cola e a felicidade inspirada pelo Doritos que podem encher nossos dias – se nós fossemos tão rebeldes e ousados.

Você vive com integridade com a saúde quando você verdadeiramente é dono da sua jornada, quando você percebe que ela é sua e somente sua. Você para de viver o velho jogo da culpa e para de acreditar nas falsas dicotomias, as mensagens mentirosas de marketing, os rótulos culturais e as antigas limitações e identidades impostas. Há uma liberdade real na sua decisão. Não importa se você está no começo da sua jornada com centenas de quilos a perder e uma coleção de doenças para superar ou se você está com o seu peso ideal e saudável, mas quer sabe o que é se superar de novas maneiras. É a sua jornada, e daqui pra frente, é você quem a define. Você não faz as regras da fisiologia, mas você pode decidir a visão que irá seguir todos os dias.

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Neste sentido, viver em integridade com a saúde sugere um nível de autenticidade e autodeterminação. Uma vez que você aceita (não estou falando da lógica cerebral do tipo “isso é bom pra mim”, mas sim da assimilação interna, a qual você se rende de verdade) a sua jornada como apenas sua, você tem orgulho da sua saúde. Cultivar um senso de bem estar abre a sua vida ao invés de restringi-la. Não estamos falando de auto-restrição e sim de auto-possessão. Quanto mais você pratica e domina isso, mais isso faz parte de você. A disciplina estimula a criatividade ao invés do ressentimento. É muito menos controle e mais serenidade ao encarar os desafios do dia a dia.

Da mesma maneira, por mais que a integridade com a saúde nos chama a viver de um centro pessoal, ela não nos torna autocentrados. Quando nós estamos bem com nós mesmos, quando nós temos um respeito próprio genuíno, nós podemos viver nos relacionamos mais autenticamente e produtivamente com os outros. Quando não somos mais um atraso à nós mesmos, podemos oferecer ajuda honesta e significativa para os outros. Repetidamente, eu ouço leitores dizerem o quanto eles apreciam o senso genuíno de comunidade que eles sentem aqui, e esta é uma das razões pelas quais eu fiz disso minha vocação primária. Eu amo ver como as pessoas, quando estão motivadas por si mesmas, contribuem para a motivação do próximo. Isso leva nossas intenções e sucessos em um ciclo completo e nós podemos apreciar isso e muito mais fazendo o mesmo.

Boa semana à todos!

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4 Comentários

  1. Armando Marcondes Godoy

    Excelente! Muito além da mensagem! Ler e reler e repassar!

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  2. Erikah azzevedo

    Senti esse texto me descrever , e ler ele, reler ele é reforçar tudo que acredito, todas as escolhas que tenho feito, dia após dia. A coragem está em decidir com clareza e posso dizer , tenho cumprido com consciência o que quero pra minha vida, e sei o qto é bom sempre dizer nao posso pq não quero no lugar do não quero pq nao posso, e tem sido assim os meus dias.

    Excelente postagem.

    Erikah Azzevedo

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  3. Sandra dos Santos

    ” Nós confundimos a indulgência com a decadência, a disciplina com a privação.” e ” respeito próprio genuíno”, conceitos que eram pra ser naturais, hoje constituem um grande desafio. Reaprender e repassar essas verdades (principalmente pelo exemplo) que são o oposto do que a vida moderna, a geração atual tem assimilado( prazer imediato). Agradecida pela profundidade do post que vai bem além do aspecto alimentação.

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  4. Renata Amorim

    Que beleza!
    Parabéns pelo artigo, realmente inspirador e motivador!
    Somente nós mesmo, no nosso intimo, sabemos o quanto podemos nos comprometer e o quanto é importante para nós sermos o melhor que podemos.
    Perceber a diferença que as nossas escolhas fazem na nossa vida é essencial, antes que o tempo passe e a autoavaliação se torne mais distante.
    É verdade, quando somos honestos conosco nos tornamos, naturalmente, melhores para os outros.

    Obrigada pela postagem!

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