Novo guia alimentar, ainda longe do ideal

 

Um novo guia alimentar do governo americano passou a entrar em vigor em 2011, sendo desta vez promovido pela primeira dama Michelle Obama.  Agora ao invés da antiga pirâmide, esta nova figura passa a ser um prato chamado Myplate. A antiga pirâmide entrou em vigor em 1992 e depois foi atualizada em 2005.

USDA_Food_Pyramid

Pirâmide antiga.

myplate

Novo guia alimentar do governo americano.

A idéia é a de representar melhor como a pessoa comum come, usando um prato, sendo que a primeira dama Michelle Obama também acredita que o prato é mais simples e prático do que uma pirâmide.

O novo esquema parece ser melhor do que o antigo, que não servia para nada além da promoção da obesidade. Neste prato, vegetais e frutas passam a ser mais priorizados do que grãos, que antes formavam a base da pirâmide, com ênfase em produtos feitos com trigo. Grãos passaram a compor um pouco mais de 1/4 do prato, alimentos provenientes de animais ligeiramente abaixo de 1/4, vegetais um pouco mais de 1/4 e frutas um pouco abaixo de 1/4.

A princípio, para uma pessoa comum ela pode parecer sensata, pois passa a ideia de equilíbrio, a grande mensagem que a mídia adora propagar: Tudo com moderação, um pouco de tudo. Infelizmente quase 30% das calorias diárias na forma de grãos como o trigo está longe do ideal. Comer 30% de um alimento extremamente prejudicial não é nada sensato, apenas para quem acredita que é saudável se entupir de pão no café da manhã, à tarde e a noite. Não há nada saudável em comer porcarias, nem 30%, nem em moderação. É porcaria e ponto final!

Frutas

Consumir um pouco menos de 25% das calorias diárias na forma de frutas também está fora do padrão. Se uma pessoa consome 2500 Kcal diárias, ela deveria consumir aproximadamente 600 calorias na forma de frutas, o que representa 150g de carboidratos só de frutas, ou seja 150 gramas de açúcar praticamente, sendo quase 75g de frutose, o que é um absurdo!

A média de consumo de açúcar do americano típico é de 100 gramas ou mais. Pesquisadores sobre os efeitos do açúcar concordam, em geral, que um consumo diário de até 40g de açúcar parece ser seguro e ainda assim o governo está promovendo um consumo de 150g aproximadamente, com estas recomendações!

Pesquisas com ratos têm demonstrado que em poucas semanas ratos magros podem desenvolver a síndrome metabólica ao consumirem uma dieta rica em açúcar. Já em humanos, este efeito pode demorar mais tempo, mas é seguro que aconteça se o consumo for alto o suficiente.  A síndrome metabólica é uma condição em que um indivíduo desenvolve distúrbios que o tornam mais propenso a desenvolver doenças degenerativas como diabetes, doenças cardíacas, câncer, entre muitas outras. O diagnóstico da síndrome metabólica é dado quando marcadores sanguíneos como o colesterol “bom” HDL, triglicérides, nível de pressão, níveis de glicose sanguíneos e gordura abdominal estão em níveis que aumentam significantemente o risco de um indivíduo desenvolver estas doenças.

Além do consumo de tal quantidade de frutas dentro do contexto de uma dieta americana ser uma receita para o desastre, imagine o esforço que levaria para consumir 600 calorias de frutas. Frutas têm um teor baixo de calorias, salvo a banana e o abacate (não é fruta). Em média, elas possuem em torno de 50 kcal por cada 100 gramas, o que significa que para se consumir 600 calorias de frutas é preciso consumir em torno de 1,2 quilos de frutas!! Com certeza não pensaram nisso antes de desenvolverem este prato, a não ser que tenham considerado sucos de fruta. Neste caso, infelizmente, 3 ou 4 copos de sucos de frutas  podem fazer com que este objetivo seja alcançado mais facilmente.

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Sobre mais informações a respeito dos efeitos prejudiciais do consumo de açúcar clique aqui ou aqui.

Carnes

Alimentos provenientes de animais (exceto o leite) devem compor um pouco menos de 25% das calorias totais consumidas diariamente, média muito abaixo da média consumida por nossos ancestrais e a grande maioria das populações de caçadores e coletores já estudadas (link). No entanto, dentro uma perspectiva antropológica e epidemiológica este não é um consumo ideal. Deste grupo de alimentos devem ser priorizadas as carnes brancas e magras, o que também não vai de acordo com o padrão de consumo de nossos ancestrais.

Alimentos ricos em gordura aumentam a saciedade provocada pós-refeição, tornando o indivíduo menos suscetível a consumir grãos e carboidratos refinados. Outro fator prejudicial à saúde é a carência de nutrientes essenciais lipossolúveis contidos em alimentos ricos em gordura, como órgãos de animais, carne de porco, ovos, peixes gordos de água fria, etc. Deficiência nestas gorduras essenciais (link) pode causar graves problemas de saúde, tanto físicos quanto mentais.

Por incrível que pareça não há menção sobre a importância das gorduras, mesmo as gorduras reconhecidas como saudáveis pela mídia, como o abacate, peixes de água fria, azeite e oleaginosas.  As gorduras poliinsaturadas ômega 3 também não foram mencionadas, tão pouco foram mencionados os óleos processados ômega 6, como se todos eles não existissem e não provocassem nenhum efeito na saúde humana.

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Neste post (link), falo um pouco sobre a superioridade nutricional de alimentos de origem animal.

 Leite

O copo ao lado é referente ao consumo recomendado de um copo de leite desnatado diariamente. O consumo de leite desnatado não está relacionado à perda de peso, pelo contrário, pode aumentar a fome, gerar distúrbios metabólicos e o ganho de peso de acordo com estudos (link) e (link).

Um estudo (link) demonstrou que a gordura do leite possui propriedades benéficas ao metabolismo, sendo responsáveis por aumentar o colesterol “bom” HDL e diminuir os níveis de triglicérides, protegendo indivíduos contra o desenvolvimento de doenças degenerativas.  A gordura do leite é rica em nutrientes e vitaminas lipossolúveis. Um dos tipos de ácidos graxos da gordura do leite, o ácido linoléico conjugado, particularmente, tem propriedades que diminuem o risco do desenvolvimento de câncer.

 Estudos (link)  têm demonstrado que o consumo de leite desnatado aumenta a concentração sérica de IGF-1 (Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1).  Altos níveis de IG-1 estão associados ao desenvolvimento do câncer, e a redução da atividade dos seus receptores está associada a uma maior longevidade. Não obstante, o consumo do café da manhã está relacionado ao maior ganho de gordura corporal.

Grãos

O consumo de grãos, principalmente o trigo, está relacionado ao ganho de peso, aumento da gordura visceral (abdominal), aumento nos níveis de inflamação, reações alérgicas e a síndrome metabólica. Todos os fatores que contribuem para o aumento do risco de doenças cardíacas. O consumo do trigo causa um impacto negativo no sistema nervoso central, estando relacionado ao desenvolvimento de transtornos mentais como o déficit de atenção e hiperatividade, autismo, etc. O trigo age como opióide no cérebro, levando ao vício e produzindo efeitos semelhantes ao uso da cocaína.  Faz algum sentido promover o consumo destes alimentos?

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Para mais informações sobre os efeitos prejudiciais dos grãos, em especial o trigo clique aqui e aqui.

Vegetais

É possível que este seja o único grupo de alimentos que o governo americano acertou! Indivíduos que consomem carboidratos de baixa carga glicêmica, com relação a indivíduos que consomem grãos e açúcar, possuem melhores marcadores sanguíneos e menor risco de desenvolvimento de doenças (link). Destes carboidratos as verduras são recomendadas e, em menor proporção, tubérculos e frutas.

Apesar das alterações terem sido levemente positivas, as orientações nutricionais do governo ainda parecem bem alinhadas com a noção anterior e convencional do governo de que carboidratos, sendo principalmente os grãos e o açúcar, devem ser a base da alimentação, na esperança de que pessoas emagreçam como resultado de um suposto déficit calórico que este regime alimentar pode proporcionar. No entanto, apesar das orientações do governo nas últimas décadas, o efeito desejado não foi produzido, muito pelo contrário, houve uma explosão de obesidade nos EUA durante o mesmo período.

2 Comentários

  1. Lohanne Castro

    Olá… Gostei das suas colocações! Só discordei com relação às frutas. Realmente, consumir 600 kcal provenientes de frutas é um desafio. Mas o que discordei foi que ficou parecendo que as frutas só contém açúcares, sendo que sabemos que elas são igualmente ricas em minerais, vitaminas, fibras e compostos funcionais (fitoquímicos). Diferente de outros alimentos ricos em açúcares (como os doces), as frutas oferecem muito mais que carboidratos simples e calorias. Por isso o seu consumo é muito interessante para o organismo.

    Responder
    1. Bruna e Caio (Publicações do Autor)

      Frutas fazem parte de uma dieta saudável sim é claro, mas não fornecem quantidades suficientes de mineiras e outros nutrientes como fontes animais, tubérculos e vegetais.

      Responder

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