Gorduras e colesterol: verdades e mitos

A gordura saturada e o colesterol têm sido criticados por autoridades da saúde e pela mídia há muito tempo. Quais são as bases para essas críticas? As recomendações das autoridades de saúde são justificadas pela ciência? Qual é a quantidade que podemos consumir de maneira saudável?

Para respondermos a essas perguntas temos que analisar as evidências científicas assim como as evidências antropológicas. O cientista da universidade de Stanford, Dr. Loren Cordain, em uma de suas pesquisas reúne dados sobre a alimentação de diferentes populações indígenas isoladas e de caçadores-coletores e analisa a quantidade de gordura saturada consumida por essas sociedades. Com base nos dados reunidos foi constatado que a média de consumo de gordura saturada das 229 sociedades indígenas de caçadores-coletores foi de 11,3% a 17% das calorias consumidas diariamente. Sua equipe de pesquisa também analisou o consumo de gorduras saturadas tendo como base fósseis de hominídeos, que demonstraram um consumo similar ao dos caçadores-coletores atuais.

As autoridades de saúde dos EUA e como consequências as autoridades brasileiras (somos marionetes) recomendam um consumo de gordura saturada de até 10%, o que não está de acordo com o nosso consumo histórico como espécie. Bom, então deve haver alguma explicação científica para essa recomendação né? Então vamos ver o que as pesquisas dizem sobre o consumo de gordura saturada e o colesterol.

O colesterol é um álcool policíclico de cadeia longa, encontrado nas membranas celulares e transportado no plasma sanguíneo de todos os animais. É um componente essencial das membranas celulares dos mamíferos. A maior parte do colesterol presente no corpo é sintetizada pelo próprio organismo, sendo apenas uma pequena parte adquirida pela dieta. [Fonte: Wikipédia]

colesterolcadeia

O colesterol tem sido apontado injustamente como o vilão das doenças cardíacas há muito tempo.

O mito do colesterol começou em 1913. O pesquisador russo Nikolaj Nikolajewitsch alimentou coelhos com colesterol e concluiu que o colesterol deles subiu, logo supôs que o mesmo ocorre com os seres humanos, sem considerar que ambos são seres muito diferentes. Galinhas e coelhos são essencialmente vegetarianos, por isso, quando foi realizado um estudo com estes animais onde eles eram alimentados com alto nível de colesterol em suas dietas, os bichinhos naturalmente desenvolveram Aterosclerose, já que sua fisiologia não é adaptada a digerir essa quantidade diária de colesterol, ao contrário dos seres humanos que são adaptados a consumir colesterol.

Basicamente, o mito do colesterol foi mais difundido após um estudo conduzido em 1953, pelo médico americano Ancel Keys, em que ele comparava a taxa de mortalidade por doenças cardíacas de um determinado país com a quantidade de gordura ingerida pela população deste mesmo país, demonstrando que a taxa de mortalidade era proporcional ao consumo de gordura. Infelizmente, apesar da grande quantidade de dados disponíveis, Keys utilizou-se apenas daqueles que podiam comprovar sua teoria e assim, surgiu o mito do colesterol.

Depois disso, vários estudos foram conduzidos ao redor do mundo para comprovar a hipótese de Keys, entre eles o Framingham Heart Study, um dos mais respeitados estudos no assunto, por ter acompanhado diversas gerações (o estudo começou em 1948 e continua até hoje). Neste estudo, embora os participantes consumissem alimentos com grande quantidade de colesterol, não houve diferença nos níveis de colesterol em seu sangue. Veja a tabela abaixo:

colesterol

Após anos de estudo, eles concluíram que não havia nenhuma relação comprovável entre a ingestão de gorduras e as doenças cardíacas. Aliás, até o próprio Ancel Keys, o “fundador” do mito, admitiu seu erro em 1997, declarando:

” Não existe a menor conexão entre o colesterol dos alimentos e o colesterol do sangue. E nós sabíamos disso o tempo todo. O colesterol da dieta não tem a menor importância, a não ser que você seja uma galinha ou um coelho.”

cenoura_e_coelho

Mas, eles não pararam por ai. Desde então, má ciência foi sendo construída em cima de má ciência, outros grandes estudos ainda insistiram na hipótese de que o colesterol na dieta estaria relacionado às doenças cardíacas, como o Multiple Risk Factor Intervention Trial, um dos maiores estudos médicos já realizado em humanos, envolvendo 28 centros médicos e 250 pesquisadores. Os pesquisadores observaram 361.662 homens, e solucionaram aqueles que tinham o maior risco de sofrerem doenças cardíacas, para que os resultados do estudo fossem mais efetivos. Eles cortaram o consumo de colesterol em 42%, de gordura saturada em 28% e o total de calorias em 21%. E mesmo assim não houve sucesso. Os níveis de colesterol no sangue caíram minimamente, e o mais importante, as doenças cardíacas não foram afetadas. Os pesquisadores declararam que ”os resultados gerais não mostram um efeito benéfico nas doenças cardíacas ou na mortalidade total, neste estudo multifatorial.”

Diversos grandes estudos demonstraram que não havia nenhuma relação entre os níveis totais de colesterol e mortalidade por doenças cardiovasculares ou quaisquer outras causas. Um estudo mais recente do Journal of American Medical Association indicou que o alto nível de colesterol LDL não é m fator de risco para a morte por doenças coronárias, ou para a mortalidade total.

A idéia errônea de que os altos níveis de colesterol no sangue causam doenças cardíacas é conhecida pela comunidade científica como “a hipótese dos lipídios” e embora muitos médicos e a sabedoria popular aceitem esta hipótese como verdade, muitas pesquisas indicam que as principais causas de doenças cardíacas são inflamações e stress oxidativo. Diversas pesquisas têm demonstrado que ao reduzirmos os níveis de colesterol no sangue e o consumo de gorduras saturadas, não reduzimos os níveis de doença cardíaca, mas os seguidores da hipótese lipídica nem sequer as mencionam, ao invés disso, se baseiam em pesquisas epidemiológicas (observacionais) inconclusivas.

Estas pesquisas indicam uma correlação entre o consumo de gorduras saturadas e doenças cardíacas o que de maneira alguma deve ser interpretada como causalidade. Nos países estudados nessas pesquisas epidemiológicas, existe um alto consumo de gordura saturada e colesterol nos países com altos índices de doenças cardíacas, mas também existe um enorme consumo de açúcar e carboidratos refinados, muitas vezes maior do que nos países com menores índices de doenças cardíacas. Um exemplo simples para este fato é um lanche típico de um restaurante que serve fast food, que normalmente é rico em pão, óleos industrializados, açúcar, refrigerantes, batatas fritas, etc. Seria correto concluir que o que causa as pessoas engordarem e desenvolverem doenças cardíacas é a carne? Sem considerar todo resto da refeição que corresponde à maior parte, ou grande parte das calorias? O centro da questão todo mundo consegue entender: CORRELAÇÃO NÃO SIGNIFICA CAUSALIDADE!

Agora, para uma maior compreensão da diferença entre o paradigma suportado pela ciência e o paradigma sustentado pelas autoridades de saúde e a sociedade em geral segue um simples resumo:

Velho paradigma suportado pela sociedade em geral:

Conceito baseado no fato de que o consumo de colesterol e gorduras saturadas irá aumentar o seu nível de colesterol e aumentar o risco de desenvolver doenças cardíacas. Devemos monitorar nosso nível de colesterol LDL e se ele estiver alto somos fadados a tomar drogas para diminuir o colesterol como a estatina, parar de comer gordura, ovos e alimentos provenientes de animais.

Novo paradigma suportado pela ciência:

Gordura não é prejudicial! Muito pelo contrário ela é o combustível preferido pelo metabolismo para ser usado como fonte de energia e tem sido assim durante a maior parte de nossa evolução como espécie. Supostamente devido à grande disponibilidade de gordura para ser consumida ao longo de milhares de anos e a baixa disponibilidade de carboidratos, a capacidade de nosso corpo de estocar glicogênio (longas moléculas de glicose que servem como principal meio do corpo para estocar glicose) se tornou muito pequena, de modo que agora temos que estocar os carboidratos como gordura corporal, quando o limite de estocagem é excedido. Em outras palavras, nosso corpo, órgãos e músculos têm uma capacidade limitada de estocar glicogênio, o que significa que se consumirmos muitos carboidratos de alta carga glicêmica, os quais são mais rapidamente convertidos em glicose sangüínea e de maneira mais duradoura, é quase certo que excederemos a capacidade do nosso corpo de estocar glicogênio e este excesso de glicogênio será convertido em gordura corporal.

O baixo consumo de gordura saturada é prejudicial ao nosso sistema neurológico, tornando os indivíduos mais suscetíveis a desenvolverem transtornos mentais.

O consumo de colesterol não reflete os níveis de colesterol sanguíneos.

O colesterol sanguíneo total tem uma fraca correlação com o desenvolvimento de doenças cardíacas, altos níveis de triglicérides e baixos níveis do colesterol “bom” HLDL são os melhores previsores de doenças cardíacas.

Altos níveis de colesterol VLDL (lipoproteínas de muita baixa densidade) estão relacionados a uma maior incidência de doenças cardíacas. O consumo de carboidratos de alta carga glicêmica, como massas, pão, doces, açúcar, arroz e a frutose está relacionado a maiores níveis do colesterol VLDL. Se você tem um nível alto de colesterol, não significa que seu colesterol VLDL é alto.

O consumo de colesterol não causa doenças cardíacas. O colesterol é essencial para o bom funcionamento do organismo, que se utiliza dele para produzir hormônios, manter a saúde intestinal e reparar células danificadas. Devemos consumir mais de 10% de gorduras saturadas diariamente, ao contrário do que as autoridades recomendam.

Colesterol

Referências

http://thepaleodiet.com/wp-content/uploads/2012/04/CRC-Chapter-2006a1.pdf

Framingham Heart Study

3 Comentários

  1. Ana Paula

    Gente, boa noite
    Eu tenho uma dúvida, pode ser boba, mas eu gostaria que me fosse esclarecida…
    Eu sei que não é preciso ter medo da gordura das carnes e tal, mas sempre me foi dito que é extremamente prejudicial consumir a PELE do frango. Então… a informação procede ou não? Agradeço desde já!

    Responder
  2. Reginaldo Ferreira

    Como vai?
    Entrei em seu site e percebi que é um site muito bom voltado para área de saúde.
    Sites assim, precisam ser atualizados periodicamente, por isso gostaria de oferecer meus serviços.
    Eu escrevo artigos para sites, e se você se interessar eu posso escrever alguns para o seu.
    Cobro um preço bem em conta por cada artigo.
    se você se interessar entre em contato comigo no e-mail: souzacarvalho98@hotmail.com

    Responder
  3. Felipe Monte

    O ”Framingham Heart Study” não está abrindo, queria muito ler esse artigo, poderiam me mandar ou link ?
    Obrigado.

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