Exercícios estimulam a saúde cerebral

“Fitness do cérebro é o estado em que o cérebro se encontra para manter-se operando em seu potencial ótimo, para lidar com as demandas do meio ambiente que irão determinar a sua sobrevivência e a sobrevivência da espécie a curto e longo prazo.”

Ao longo da nossa evolução como espécie, o cérebro humano se desenvolveu em conjunto com seu corpo, órgãos, ossos e músculos de forma a lidar melhor com as demandas impostas pelo meio ambiente. Para que o cérebro se desenvolvesse foi preciso que os seres hominídeos pré-humanos encontrassem uma fonte de energia abundante em seu meio ambiente, para que pudessem manter seus níveis de energia supridos durante o dia. Esta fonte de energia era somente possível de ser suprida por meio do consumo de animais selvagens.

Esta alimentação ancestral foi responsável por moldar o organismo humano de acordo com estes alimentos consumidos na época. Não obstante, para a manutenção do consumo destes alimentos foi preciso que a estrutura do corpo agindo sinergeticamente com o cérebro humano se desenvolvesse de forma a otimizar os esforços para a obtenção destes alimentos e para a sobrevivência em geral, que envolve mecanismos de defesa contra perigos externos, em geral outros predadores. Assim nos tornamos animais bípedes, desenvolvemos músculos, pernas compridas e feramentas sofisticadas de caça.

Moral da história, o ser humano sempre precisou usar o cérebro e o corpo para sobreviver. Ele viveu se exercitando ao longo de sua evolução como espécie e usando o cérebro durante estas atividades físicas para assegurar a maior recompensa dos esforços empregados para determinados fins necessários à sua sobrevivência. Nossos ancestrais passavam horas caminhando atrás de suas presas enquanto desenvolviam as estratégias para obtenção da caça.

A partir deste pressuposto, de que estamos genéticamente adaptados a consumir certos alimentos e a se exercitar constantemente, é concebível que muitos pesquisadores acreditem nele e em muitas das evidências arqueológicas e estudos observacionais, que indicam que uma alimentação e a prática de atividades físicas em consonância com a nossa carga genética são necessárias para a saúde física e mental.

A cada dia parece que este está se tornando um fato cada vez mais comprovado. Pesquisas têm constantemente demonstrado que exercícios físicos não são somente importantes para a saúde do corpo, mas necessários para manter o cérebro em forma. Em outras palavras, o nosso cérebro é não é diferente que nossos músculos. Ambos são importantes para nossa sobrevivência e estão sujeitos a atrofiarem caso não sejam exercitados regularmente.

Diversos estudos ao longo das últimas décadas tem demonstrado o efeito benéfico das atividades físicas em melhorar diversas áreas cognitivas. As atividades físicas são responsáveis por gerar maior oxigenação e circulação sanguínea em áreas cerebrais, assim como faz com que o cérebro produza hormônios e neurotransmissores como a dopamina, serotonina e a endorfina, que promovem o crescimento de células cerebrais e ajudam áreas cerebrais a funcionarem de forma mais harmoniosa entre elas.

Num estudo feito pelo departamento da Ciência do Exercício da Universidade de Geórgia demonstrou que exercícios aeróbicos, principalmente, são responsáveis por aumentar a atividade cerebral em certas áreas e gerar uma melhora em diversas áreas cognitivas. Neste estudo, 20 minutos de exercícios aeróbicos diários foram suficientes para gerar mudanças cognitivas surpreendentes, especialmente nas funções da memória e no processamento de informação.

Em outro estudo recente, feito pela UCLA, demonstrou que atividades físicas aumentam a plasticidade cerebral, ele faz com que o cérebro aumente a neurogênese, ou seja, a produção de novos neurônios. Isto ocorre por meio do aumento de fatores neurais de crescimento, auxiliando o cérebro a desenvolver novas conexões neurais.

Os efeitos positivos no cérebro não param por aí, pesquisas feitas com ratos demonstraram que atividades aeróbicas como a corrida, aumentam o número de células cerebrais do hipocampo, área do cérebro responsável pelo armazenamento da memória e o aprendizado. O volume cerebral em áreas frontais e temporais é considerávelmente maior em ratos que praticam atividades aeróbicas, se comparado com os que não praticam. Este aumento acredita-se ser resultado do aumento no número de vasos sanguíneos das conexões cerebrais nestas áreas.

Os benefícios cerebrais gerados pela atividade aeróbica são de caráter mais geral, eles podem ser mensuráveis em termos de níveis de concentração, memória e velocidade de processamento, ao contrário de exercícios mentais de tarefas específicas, como as relacionadas a certas tarefas em que o indivíduo é treinado a executar, como, por exemplo, algumas funções exercidas no trabalho diário, jogos, vídeo game e outras tarefas específicas. Tarefas específicas são beneficiadas pela prática de exercícios físicos enquanto as mesmas não beneficiam as funções cognitivas gerais do cérebro citadas, ao invés disso, auxiliam somente áreas cerebrais responsáveis pela execução da tarefa específica.

Parece que nosso cérebro é dependente da atividade física para o melhor funcionamento, o que reforça a hipótese evolucionista de que para o melhor funcionamento do organismo é necessário seguirmos certos hábitos que foram e são essências para que o organismo alcance melhor homeostase e longevidade. Tais hábitos são necessários para que nosso organismo possa regular o seu ambiente interno da melhor maneira para manter uma condição estável, mediante múltiplos ajustes necessários a este fim. Viver de forma a gerar uma expressão genética que facilite esta homeostase é necessário e para isso não podemos ignorar o fato de termos braços, troncos e pernas, não para ficarmos sentados, mas para utilizarmos como o corpo foi projetado a fazer.

 

Referências:

http://freud.psy.ohio-state.edu/lab/CNL/Publications_files/Colcombe,2006.pdf

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15769301

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15159540

http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0000052

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0306452200003493

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