Dieta cetogênica para melhor funcionamento cerebral

Por Caio Fleury

Doenças degenerativas como o Mal de Alzheimer estão em alta e há milhões de pessoas no Brasil e no mundo a fora sendo afetadas pela condição que atualmente é uma das principais causas de morte atrás das doenças do coração e câncer.

É claro que estas condições compartilham características subjacentes comuns, a inflamação crônica de baixo grau, resistência à insulina e todas as suas consequências. O Alzheimer vem sendo chamado por profissionais de saúde de diabetes tipo 3, pois o surgimento de placas nocivas no cérebro, beta amiloide e proteínas tau surgem a partir do déficit no transporte de elétrons que compromete a produção de energia das mitocôndrias das células do cérebro causado pela resistência à insulina deste órgão.

Felizmente, há muitos estudos surgindo demonstrando a capacidade de dieta cetogênica como terapia coadjuvante no tratamento de condições cerebrais diferentes e também de melhorar a função cerebral de pessoas saudáveis. No post de hoje irei mencionar brevemente estes estudos e os potenciais mecanismos de ação da dieta cetogênica alta em gordura e baixa em carboidratos, muitos dos quais, inclusive, podem ser potencializados pelo uso de suplementos de cetose como ácidos graxos de cadeia média (TCM) e sais de cetose.

Os italianos da universidade de Roma, Alessandro Pinto e sua equipe fizeram uma revisão de alguns estudos mais novos com a terapia cetogênica, chamada: “Atividade Anti-Oxidante e Anti-Inflamatória da Dieta Cetogênica: Novas Perspectivas para a Neuroproteção na Doença de Alzheimer.”

Os supostos efeitos neuroprotetores dos corpos cetônicos foram associados aos seguintes mecanismos:

  • Aumento da disponibilidade intracelular de adenosina trifosfato (ATP);
  • Redução da geração de ERO (espécies reativas de oxigênio) pelo complexo mitocondrial;
  • Inibição da transição de permeabilidade mitocondrial;
  • Estimulo da biogênese mitocondrial, resultando em função sináptica estabilizada;
  • Alteração do metabolismo de neurotransmissores como o glutamato e o ácido gama-amino-butírico (GABA);
  • Ativação de vias de sinalização de detecção de energia, como as vias do receptor ativado por proliferador de peroxissoma (PPAR), alvo de rapamicina em mamíferos (mTOR no músculo principalemnte) e quinase ativada por monofosfato de adenosina (AMPK – responsável pela revitalização das células).

Há uma duzia de estudos mostrando os efeitos muito favoráveis e até mesmo profundos da cetose no cérebro, embora em número limitado devido ao surgimento atual do interesse na dieta, mesmo que já haja uma abundância enorme de evidências para epilepsia há mais de um século.

A conclusão da revisão foi a de que estudos futuros são garantidos e o que há no presente é muito animador com melhoras cognitivas, fluência verbal e remissão de sintomas de certas doenças degenerativas como alzheimer. Em indivíduos saudáveis esportistas a diferença a curto prazo em teste cognitivo é mais sutil, embora o efeito antioxidante e favorável no metabólico e na neuroquímica cerebral seja claramente evidente como aumento da neurogênese via BDNF, de forma um tanto similar a exercícios físicos.

Conclusão:

“Os resultados obtidos até o momento pela aplicação da dieta cetogênica ao tratamento de várias doenças neurológicas parecem ser particularmente interessantes para a recuperação das funções cognitivas, embora sejam numericamente limitados. Diferentes estudos realizados em modelos animais propuseram um papel causal para a Dieta cetogênica. Os poucos estudos realizados em humanos disponíveis até agora para este fim específico são baseados em um projeto pré/ pós, mas sem necessariamente randomização. De particular interesse foram os ensaios clínicos que correlacionaram a introdução da dieta a uma melhora do vocabulário receptivo verbal e do tempo de reação em crianças afetadas pela epilepsia, bem como uma melhora na atenção e memória em pacientes afetados pela esclerose múltipla. Os resultados demonstraram evidências causais e enfatizaram a necessidade de aumentar o número de estudos para demonstrar que a dieta cetogênica induz uma melhora cognitiva duradoura nas doenças neurológicas.”

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