Dieta cetogênica no tratamento da epilepsia.

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por crises recorrentes, causada pode desequilíbrios nas funções neurais do cérebro que provocam crises de convulsões, incluindo perda de consciência e movimentos bruscos irregulares.

A epilepsia é um dos transtornos neurológicos mais frequentes nos Estados Unidos, junto com o mal de Alzheimer e crises de enxaqueca. Cerca de 1% dos americanos sofrem de crises epilépticas e dados indicam que uma porcentagem maior já sofreu ou sofrerá alguma crise em determinado momento da vida, mais comumente na infância e na terceira idade.

60 a 70% dos casos de epilepsia são de causas desconhecidas ou não aparentes, sendo que no restante dos casos ocorre como consequência de outros problemas neurológicos, como contusões cerebrais e derrames. Uma parte das crises apresentam convulsões focadas em áreas específicas e outros casos consistem em crises generalizadas

Os indivíduos com epilepsia possuem predisposição genética para esta condição, sendo este o fator que desencadeia as crises na infância, principalmente. No entanto, fatores ambientais são críticos na ativação de um conjunto de genes necessários para que haja os ataques epiléticos, alguns dos quais não podem ser facilmente manipulados para que silenciem estes genes.

Em cerca de 2/3 dos casos, o tratamento com medicação é eficiente em reduzir ou eliminar as crises epiléticas e em alguns casos ela se resolve sem nenhuma intervenção (não é recomendado). No entanto a alimentação é fundamental no seu tratamento e em muitos casos fator preponderante na cura, pois ela já vem sendo estudada e tratado há muito tempo com uma dieta cetogênica/low-carb, desde o começo do século passado ou mais cedo, com uma taxa de sucesso substancialmente alta.

Em torno de 1/3 das crianças com epilepsia não obtém nenhum benefício com medicamentos antiepilépticos, o que torna esta parte da população mais vulnerável e sem muitas opções de tratamento, exceto a mãe natureza (dieta cetogênica). Nestes indivíduos, de acordo uma série imensa de evidências, a dieta cetogênica consegue curar de 20-30% dos casos e reduzir substancialmente os números de episódios diários da crise, intensidade e duração em uma boa parcela do restante dos indivíduos com crises que não podem ser tratadas por medicações.

A natureza humana muitas vezes encontra uma forma de colocar a nossa casa em ordem.  =) Nada Mal, Um sucesso e uma eficiência inquestionável!

Em geral, os estudos indicam que uma dieta cetogênica tem um potencial de curar, ou reduzir os sintomas de doenças neurológicas, sendo que Alzheimer e epilepsia têm sido as mais estudadas, seguidos de outros transtornos como a Síndrome de Tourette, transtorno obsessivo compulsivo, entre outros. Ela se mostra muito promissora no tratamento de Alzheimer embora, o volume maior de estudos e tratamentos tem sido conduzido em indivíduos com epilepsia.

Especificamente no caso da Epilepsia, não é incoerente afirmar que o ser humano em seu estado natural, não venha a apresentar sintomas de epilepsia. Me permitam abordar melhor esta questão. Como observado por populações primitivas, a dieta humana em seu habitat natural é de natureza cetogênica cíclica, ou seja nossos ancestrais e os membros de populações primitivas vivem em privação parcial de carboidratos, seja ao longo de períodos quando as fontes de carboidratos não estão disponíveis, durante períodos de jejum, ou durante jejuns que são praticados involuntariamente com frequência.

Visto que em pelo menos 20% das crianças com epilepsia resistentes a drogas antiepiléticas são totalmente curadas com a dieta cetogênica e uma porcentagem maior sofrem redução nos sintomas, não seria insensato supor que estas crianças não teriam esta condição se já seguissem antes uma dieta cetogênica, ou uma dieta cetogênica cíclica como os nossos ancestrais, ou populações tradicionais seguem. De fato esta doença não é identificada em populações primitiva por médicos e historiadores ao longo dos últimos 2 séculos.

Particularmente, a incidência do mal de Alzheimer aumentou drasticamente durante as últimas 5 décadas. Principalmente com relação ao começo do século passado quando a incidência era extremamente menor (em uma base de idade estatisticamente ajustada) em uma população da terceira idade com mais 10 milhões de adultos. Para mais informações leia (Taubes; Weston  A. price, Stefan, Nina Teicholz, Staffan Lindeberg, etc)

http://www.sciencedaily.com/releases/2014/10/141029203747.htm

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Segue uma revisão de 5 estudos feitos com ADULTOS sofrendo de epilepsia que ilustram bem a situação:

“Dietas de baixo teor de carboidratos, e alta em gordura, tipo cetogênica ou A dieta Atkins modificada pode reduzir crises epilépticas, em adultos com epilepsia resistente a outros tratamentos, de acordo com uma revisão do estudo publicado em 29 de outubro de 2014, edição online da Neurology.

A epilepsia é um distúrbio do sistema nervoso em que as células nervosas do cérebro funcionam de maneira anormal, causando convulsões. Cerca de 50 milhões de pessoas têm epilepsia em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.

“Precisamos de novos tratamentos para os 35 por cento das pessoas com epilepsia, cujas convulsões não são impedidas por medicamentos”, disse o autor do estudo Pavel Klein, do  Mid- Atlantic Epilepsia e Sleep Center , em Bethesda, EUA., e um membro da Academia Americana de Neurologia. ” A dieta cetogênica é usada frequentemente em crianças, mas pouca pesquisa tem sido feita em termos de como ela é eficaz em adultos. “

O cetogênica e a dieta Atkins modificada incluem itens como bacon, ovos, creme de leite, manteiga, vegetais verdes folhosos e peixes. A dieta cetogênica consiste em uma proporção de gordura para proteína/carboidratos de 3/1 ou 4/1 por peso. A dieta Atkins modificada tem a proporção de 1/1 de gordura para carboidrato/ proteína.

Cientistas revisaram cinco estudos sobre a dieta cetogênica com um total de 47 pessoas incluídas na análise e cinco estudos com a dieta de Atkins modificada com 85 pessoas incluídas.

Os pesquisadores descobriram que em todos os estudos, 32 por cento das pessoas tratadas com a dieta cetogênica e 29 por cento dos pacientes tratados com a dieta de Atkins modificada sofreram uma redução de 50 por cento ou mais em suas convulsões. 9% por cento no grupo de tratamento cetogênica e 5% no grupo da dieta Atkins modificada tiveram uma redução maior do que 90 por cento das convulsões.

Os resultados positivos ocorreram rapidamente com ambas as dietas, dentro de dias a semanas. O efeito persistiu a longo prazo, mas, ao contrário das crianças, os resultados não continuaram depois que os participantes pararam de seguir a dieta. Os efeitos colaterais de ambas as dietas foram semelhantes e não são graves, com perda de peso o efeito colateral mais comum.”

Eu conheço muitas pessoas que gostariam de sofrer estes efeitos colaterais, ainda por cima =)

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Comparação entre a dieta cetogênica e a dieta Atkins modificada

Mais uma vez divulgo o que uma parte da literatura científica sobre a dieta cetogênica no tratamento de doenças neurológicas.

Neste estudo recente conduzido no ano passado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, a dieta cetogênica se mostrou inegavelmente superior do que as drogas no tratamento de epilepsia. O estudo ganhou o prêmio saúde de 2014.

O estudo constatou que os corpos cetônicos produzidos pela gordura da dieta causam um aumento nos níveis do neurotransmissor Gaba, um neurotransmissor antiexcitatório, responsável por atenuar a carga elétrica em áreas do cérebro, onde ocorre o ataque epilético. Ou seja a dieta cetogênica afeta a neuroquímica cerebral de maneira favorável aos portadores de epilepsia.

O original encontra-se aqui: http://www.premiosaude.com.br/vencedores/

Leiam o estudo:

Uma dieta para controlar a epilepsia resistente

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 0,7% da população mundial sofre com essa desordem neurológica que provoca convulsões. Isso significa que são 50 milhões de indivíduos no planeta com o problema. Infelizmente, entre 30% das crianças com o distúrbio, as drogas antiepiléticas simplesmente não funcionam. É a chamada epilepsia refratária, que aumenta inclusive o risco de o paciente morrer. De olho nisso, os autores desse trabalho finalista avaliaram o impacto de uma alimentação especial em 26 jovens com esse tipo resistente da doença.

Durante seis meses, eles foram incentivados a seguir uma dieta cetogênica, que substitui carboidratos por proteínas e gorduras. Ao final desse período, 68% dos jovens apresentaram uma redução nos espasmos em sete dos casos, eles pararam totalmente. Ainda houve uma diminuição de 26% no uso de anticonvulsivantes, medicamentos que não são livres de efeitos colaterais. Está aí uma medida ao alcance de todos os pais para garantir maior qualidade de vida às crianças com epilepsia refratária.

Impacto da dieta cetogênica nas características oxidativas, físicas e lipídicas de lipoproteínas de crianças e adolescentes com epilepsia refratária

Autores: Patricia Azevedo de Lima, Daniela Kawamoto Murakami, Leticia Pereira de Brito Sampaio, Nágila Raquel Teixeira Damasceno.

Instituições: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo e Instituto da Criança do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo”

E o que uma revisão da literatura científica diz a respeito do tratamento da epilepsia com a  dieta cetogênica.

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 Em português:

Dieta cetogênica para Epilepsia

Já não existe nenhuma dúvida de que a dieta cetogênica (DC) é eficaz na melhora das convulsões em pacientes, especialmente as crianças com epilepsia refratária (Vining, 1999; . Neal et al, 2008; . Freeman et al, 2009). Após sua introdução em 1920, a DC foi utilizado como primeira ou segunda linha de tratamento para a epilepsia infantil grave. Com a introdução de medicamentos anticonvulsivantes na forma de pílulas convenientes, o uso da DC no tratamento diminuiu, mas ressurgiu mais tarde no início de 1990, devido em grande parte aos esforços de pais preocupados que trouxeram a dieta de volta com uma maior sensibilização do público (Wheless, 2008). Nos últimos anos temos acompanhado um aumento notável na investigação sobre o DC, incluindo esforços básicos da ciência, assim como protocolos clínicos e estudos (Kim fazer e Rho, 2008; . Neal et al, 2008; Kessler et al, 2011.). A DC tornou-se parte integral do protocolo da maioria dos principais centros de epilepsia em todo o mundo (Kossoff e McGrogan, 2005).

 Alzheimer e transtornos cognitivos.

Dieta cetogênica se mostra promissora também para o tratamento do mal Alzheimer, depressão, tratamento de tumores e com menos sucesso, porem significativamente no tratamento de outros transtornos cognitivos.

A carência de glicose como substrato energético para o cérebro e a presença de corpos cetônicos acarretam em uma transição de metabolitos fermentáveis para metabolitos respiratórios, os quais servem como uma fonte de combustível diferenciada, promovendo a morte celular programada, sendo pro-apoptótica para células tumorais, pois as células tumorais não têm a capacidade metabólica de outras células normais para adaptar-se ao uso de corpos cetônicos como combustível.

Estudos clínicos e randomizados tem sido promissores com o Alzheimer, embora não conclusivos, havendo uma melhora na função cognitiva de uma parcela significativa dos participantes. Isto não é de se surpreender, uma vez que os estudos demonstram uma relação entre a neuroquímica cerebral destes indivíduos com indivíduos portadores do mal de Alzheimer, sendo que uma parte dos primeiros sofrem de convulsões, ou hiperexcitação que os tornam mais propensos a estas crises.

Há um aumento na densidade e o número das mitocôndrias com a presença de corpos cetônicos e a ausência de glicose e a diferenciação celular dos neurônios, crescimento e aumento das conexões neurais. Também ocorre uma remoção nos AGES (produto final de glicação avançada) relacionado ao mecanismo degenerativo da doença.

Em outras palavras, em um dia de faxina na sua casa, os corpos cetônicos são, a faxineira, o rodo, a água e os produtos de limpeza que farão aquela faxina que deixará sua sala brilhando. A sala seria o cérebro e os neurônios.

Pesquisas indicam que, em indivíduos portadores da doença de Alzheimer, corpos cetônicos são os melhores substratos energéticos para o cérebro deles, uma vez que muitos neurônios são inaptos a usar a glicose como fonte de energia, causando assim a morte dos mesmos e uma gradual perda cognitiva ao longo dos anos. Ou seja, as células neurais de indivíduos portadores da doença de Alzheimer podem manter-se vivas e ativas caso seja proporcionada esta alternativa energética ao cérebro, impedindo assim a perda cognitiva.

Esta incapacidade cerebral de usar glicose é supostamente decorrente da resistência à insulina, quando o pâncreas de um indivíduo se torna inapto a produzir o hormônio insulina, que é responsável por promover o ingresso da glicose nas células. Esta condição pode ser desenvolvida em indivíduos com a síndrome metabólica, obesos e com sobrepeso.

Como entrar em cetose.

Não obstante, acho ser pertinente reproduzir o texto de um post meu antigo que explica como entrar em cetose e se manter ao longo do dia.

“Não é novidade para muita gente que para entrar em estado de cetose é preciso restringir o consumo de carboidratos e diminuir o consumo de proteínas, de modo a usar gordura como principal fonte de energia. É possível dizer com base em estudos que o consumo de carboidratos deve ser restrito a menos de 40g diárias para alcançar este objetivo, e o consumo de proteínas não devem passar das 80-100g.

Um pequeno aumento na quantidade de carboidratos ingeridos pode reduzir substancialmente o número de corpos cetônicos produzidos. No entanto, de acordo com alguns médicos que têm usado a dieta cetogênica para o tratamento de versas condições, é possível aumentar mais ainda a produção de corpos cetogênicos com o óleo de coco ou o óleo MCT e é possível produzir os mesmos efeitos ingerindo quantidades ligeiramente mais altas de carboidratos, até 50-60 gramas, aproximadamente. Eles recomendam como tratamento o consumo de 40g a 50g de carboidratos com mais duas colheres de óleo MCT diárias em indivíduos mais vulneráveis ao efeito da restrição de glicose, além da redução da ingestão de proteínas.”

Limitar a porção de proteínas para não mais que 40g por refeição também é importante para este fim.

 Estudo do tratamento do câncer com a dieta cetogênica:

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As células que exibem as taxas metabólicas mais ativas (isto é , células cancerígenas) são mais sensíveis à falta de energia metabólica para alimentar a sua atividade (glicose), um fenómeno bem reconhecido bioquímica conhecida como o efeito de Warburg. Teoricamente, privando as células cancerígenas de divisão rápida altamente metabólicas do seu combustível habitual, por exemplo, a glicose (por uso da dieta cetogênica ou 2DG), pode ser clinicamente terapêutico (popa et al, 2002; . Pelicano et al, 2006; Otto et al., 2008). Apesar desta observação celular bem documentada, a DC só recentemente foi considerada como um tratamento clínico no campo da oncologia.

Pioneering work by Seyfried et al. (2011) over the past decade has shown that animals with experimentally produced brain tumors placed on a KD exhibit markedly decreased tumor growth rates, and these remarkable effects appear to be a consequence of calorie restriction (i.e., reduced blood glucose levels)

While clinical validation of this phenomenon is not yet forthcoming, there are several case reports suggesting that the KD may be efficacious in humans with brain tumors. Nebeling et al. (1995) reported beneficial effects of an MCT-based diet in two pediatric patients with advanced stage malignant astrocytomas. More recently, Zuccoli et al. (2010) described a case study of an elderly woman with glioblastoma multiforme who was treated with standard radiotherapy plus concomitant temozolomide therapy together with a calorie-restricted KD, and a complete absence of brain tumor tissue was noted on FDT–PET and MRI imaging after 2months of treatment – results the authors attributed in part to the adjunctive dietary treatment. Further, in a pilot trial of the KD in 16 patients with advanced metastatic tumors, six individuals reported improved emotional functioning and less insomnia, indicating that in some instances, the KD may lead to improved quality of life (Schmidt et al., 2011). Thus, it may be that distinct tumor types within different organ systems may respond differently to the KD or other dietary treatments and that such differences may reflect variations in the metabolic vulnerability of specific tumor types, perhaps through intrinsic differences in the expression of metabolism-related genes (Stafford et al., 2010).

Óleo de coco/MCT

O óleo de coco extra virgem é muito eficaz na produção de corpos cetônicos (convertido em energia). Entre outros estudos, este estudo publicado no jornal da neurobiologia do envelhecimento (journal Neurobiology of Aging), mostrou que a gordura MCT (constitui metade dos ácidos graxos do óleo de coco, aproximadamente) produziu um aumento nos níveis de corpos cetônicos dentro de uma hora e meia, aproximadamente, após o seu consumo. Também mostrando sua potencial eficácia no tratamento de transtornos cognitivos como o Alzheimer. (http://www.greenmedinfo.com/article/medium-chain-triglycerides-coconut-fat-increase-cognitive-performance-alzheimers-disease) e  (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15123336)

Para mais informações supre o óleo de coco e as gorduras, sugiro escutar o podcast 4 – Primal Brasil.

CTA coaching 3

 

2 Comentários

  1. Orlando

    Estive lendo sobre a dieta cetogenica, entendi que é um jejum. Gostaria de saber se a agua pode alterar alguma coisa no organismo ou interromper o processo?
    obrigado

    Responder
    1. Bruna e Caio (Publicações do Autor)

      Água é vida! =)

      Responder

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