Consumo de gordura saturada nas populações nativas da polinésia

O consumo de gordura saturada na maioria das tribos nativas da polinésia é muito alto, se comparado com os padrões de consumo atuais, apesar do alto consumo de carboidratos de baixa carga glicêmica da dieta deles. Este consumo pode chegar até a 70% da dieta principalmente na forma de tubérculos, seguido de frutas e verduras, como no caso dos Kitava de, Papua Nova Guiné, população estudada extensivamente pelo médico Staffan Lindberg.

Além dos Kitavas, foram feitos estudos com duas outras populações da polinésia francesa, os Pukapukans e os Tokelauans. Assim como os Kitava (17%), o consumo de gordura saturada é muito alto nos Pukapukans (34%) e os Tokelauans (64%), se comparado com a porcentagem das calorias diárias recomendado pelas autoridades nutricionais dos EUA (10%) e até mesmo da média das populações de caçadores coletores (15%) ao redor do mundo.

coco

No entanto, assim como em outras populações isoladas, obesidade, doenças cárdicas e o câncer são praticamente inexistentes, o que leva diversos cientistas e pesquisadores concluírem que uma dieta rica em gorduras saturadas não é prejudicial a saúde. No caso dos pesquisadores das populações da polinésia francesa, a conclusão dos pesquisadores é obvia, de que não há evidencias de que um consumo de gordura saturada alto é prejudicial aos indivíduos destas populações.

Das três populações estudadas, todas consomem uma dieta rica em carboidratos provenientes de tubérculos, frutas e vegetais e o IMC e a porcentagem de gordura corporal destas populações é extremamente baixo (IMC menor que 20), se comparado com a média de indivíduos de populações industrializadas.

O  consumo de carboidratos representa em torno de 70% das calorias diárias consumida pelos Kitavas, 52% pelos Pukapukans e 34% pelos Tokelauans. O consumo de proteínas é em torno de 12% nas três populações.

mandioca

Os Pukapukas passaram a incluir em sua dieta alguns alimentos neolíticos consumidos por populações vizinhas industrializadas, porém em quantidades muito pequenas (<20%), como carnes enlatadas, arroz, farinha de trigo e açúcar. Mesmo assim isso gerou mudanças mínimas no estilo de vida deles, de modo a permanecerem saudáveis sem haver um caso de doenças cardíacas e câncer entre os habitantes.

Entre as 3 populações estudadas, peixe de lagos e do mar é a principal fonte de proteína, seguido por carne de porco e galinha que eram reservados para rituais que ocorriam com uma certa frequência.  Os principais alimentos de origem vegetal destas populações, com algumas diferenças entre elas são tubérculos (inhame, mandioca e batata doce) coco, fruta-pão e banana. Vegetais em geral são consumidos diariamente, assim como outras frutas. O consumo diário de carboidratos dos indivíduos destas três populações está na faixa de 180g a 350g diárias e o consumo calórico diário é em torno de 2.200 calorias. Os níveis de triglicérides e colesterol são baixos e o álcool não é consumido.

Fruta Pão

Fruta Pão

O coco representa mais de 60% das calorias diárias consumidas pelos Tokeauas, em torno de 35% das calorias consumidas pelos Pukapukans e 20% das calorias consumidas pelos Kitavas. O coco é um alimento extremamente rico em gordura saturada, por isso o consumo de gordura saturada destas populações é muito alto (Kitavas (17%), Pukapukans (64%) e os Tokelauans (34%).

De acordo com a análise dos cocos, foram encontrados um alto conteúdo de acido láurico saturado (12:0) e mirístico (14:0). Segundo os diversos pesquisadores do estudo não há nenhuma evidência de que o alto consumo de gordura saturada causa algum malefício a estas populações, dado a exuberante saúde e vigor físico dos habitantes destas populações e a não ocorrência de doenças crônicas e degenerativas.

A gordura saturada tem demonstrado ser cada vez mais de vital importância para a saúde das populações equatoriais como as populações tropicais do oceano pacífico e das 229 populações estudadas ao redor do mundo estudadas por Dr. Cordain, cientista da Universidade de Colorado dos EUA e sua equipe, onde o consumo da mesma é alto (15%) quase o dobro do recomendado por autoridades nutricionais dos EUA, que não possuem nenhum fundamento evolucionário para Homo sapiens pré agricultura, quase que idêntico anatomicamente e com poucas diferenças genéticas.  Não obstante o consumo mundial de populações caçadoras e coletoras é muito  similar a países europeus que tem uma menor incidência de doenças cardíacas (o tão chamado “paradoxo” Europeu).

Menos gordura saturada, mais doenças cardíacas. Mais gordura saturada, menos doenças cardíacas.

Menos gordura saturada, mais doenças cardíacas.
Mais gordura saturada, menos doenças cardíacas.

Menor incidência de doenças cardíacas em países que consomem mais gordura saturada

A ideia de que gordura saturada está por trás do aumento da incidência de doenças cardíacas em países industrializados não é suportada pelas evidências científicas mais recentes e possuem pouco fundamento epidemiológico. A inflamação parece estar por trás, como pesquisas vem demonstrando cada vez mais, ao contrário do que se pensava uma década atrás, o que torna cada vez se torna mais evidente a ligação entre a obesidade, síndrome metabólica e doenças cardíacas  que são impulsionadas pelo excesso de açúcar, farinha de trigo e óleos refinados. Reduzir o consumo de gorduras saturadas não tem fundamento evolucionário e científico e na pratica significa jogar o bebê junto com a água do banho, ou seja, tentar curar a obesidade gerando subnutrição.

Colesterol

Referências:

http://ajcn.nutrition.org/content/34/8/1552.long

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7270479

http://www.carbohydratescankill.com/2435/pearl-of-kitava-study-2-of-2

Multiple risk factor intervention trial. Risk factor changes and mortality results. Multiple Risk Factor Intervention Trial Research Group.

http://ajcn.nutrition.org/content/66/4/845.full.pdf

http://thepaleodiet.com/wp-content/uploads/2012/04/CRC-Chapter-2006a1.pdf

Framingham Heart Study

4 Comentários

  1. elielson

    esse site eh perfeitooooooooooooo,parabenssss a v6!!!

    Responder
  2. Adriana Ponce

    Qual a diferença entre o óleo de coco e a fruta , pois consumo a fruta todos os dias , teria algum problema ? abraços…

    Responder
    1. Bruna e Caio (Publicações do Autor)

      O óleo é apenas a gordura. A fruta tem fibras, gordura, água e nutrientes. Abs

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  3. Melissa Gaiva

    Eu melhorei muito meu Francês de casa, professores nativos online, melhor curso online que eu já fiz. Pra quem estiver interessado: https://preply.com/pt/skype/franc%C3%AAs-professor-nativo

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