Como sua comunidade pode te engordar

Estudos têm demonstrado que o bairro pode aumentar ou diminuir a sua probabilidade de se exercitar ou permanecer fisicamente ativo. Os níveis de atividade física podem ser aumentados através de um melhor planejamento urbano e da melhora da disposição física das construções de um bairro.  Uma das principais características físicas de uma comunidade ideal seria a criação de parques ricos em características naturais e com iluminação no período da noite, ruas e calçadas largas e a criação de centros esportivos/recreativos, basicamente tudo o que pode proporcionar aos moradores um senso de ordem, limpeza, contato com a natureza  e sentimento gregário entre os moradores e principalmente a segurança do bairro.

academia ao ar livre

 Em um outro estudo, realizado pela Universidade Médica e Dental de Tóquio, foi analisada a relação entre áreas verdes publicas próximas às residências e a longevidade dos cidadãos idosos de uma metrópole desenvolvida.

Os pesquisadores analisaram a sobrevivência por mais cinco anos (de 1992 a 1997) de 3.144 pessoas, nascidas em 1903, 1908, 1913 e 1918. 2211 cidadãos sobreviveram e 897 faleceram. A probabilidade de sobrevivência aumentou de acordo com o espaço para efetuar caminhadas, parques e lugares arborizados próximos às residências e a preferência por continuar vivendo na mesma comunidade. Após controlar os efeitos da idade, sexo, estado civil e estado socioeconômico dos residentes, os fatores “ruas verdes para praticar caminhada” e “lugares arborizados próximo as residências” mostraram um valor preditivo significante para a sobrevivência dos cidadãos idosos ao longo dos cinco anos.

O que estudos demonstram é que mesmo em grandes cidades e ambientes tipicamente urbanos, a presença da natureza, seja em ruas arborizadas ou em ambientes verdes como parques e praças, contribui significantemente para a saúde geral e longevidade. Infelizmente, com a falta de planejamento para o crescimento das cidades brasileiras, muitos bairros ou grandes áreas carecem de um ambiente verde que esteja disponível para a população e com fácil acesso, prejudicando enormemente a qualidade de vida dos moradores urbanos. Soma-se isso à criminalidade, abandono e falta de segurança que eventualmente ocorrem, alguns destes espaços dificultam ainda mais o acesso dos habitantes das grandes cidades a um ambiente verde.

Estudos recentes têm sugerido que um suposto ”distúrbio de déficit de natureza”, acomete crianças que passam muito tempo olhando para as telas podem desenvolver hiperatividade, déficit de atenção e depressão. Imagine então o que acontece com muitos de nós que passamos 40 horas por semana, ou mais, com os olhos grudados na tela do computador? Com certeza podemos ter conseqüências negativas similares. De acordo com este estudo, os habitantes de vizinhanças com mais espaço têm menores riscos de diminuição da saúde mental. O risco de doenças cardíacas foi reduzido em todas as vizinhanças com mais de 15% de espaço verde disponível.

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Parque do ibirapuera. O problema é chegar lá.

Supermercados

Um relatório do departamento de saúde de Nova York aponta para os indícios de que há uma maior probabilidade de indivíduos desenvolverem obesidade, diabetes, doenças cardíacas e uma série de problemas em bairros que possuem menos acesso a alimentos de verdade.

Uma tendência em cidades modernas é a de que supermercados, cada vez mais, ofereçam uma maior disponibilidade de produtos processados e embalados. Aqui no Brasil, podemos notar que nos supermercados mais de 80% das prateleiras de alimentos servem de exposição para produtos ricos em carboidratos refinados, açúcar e óleos vegetais processados. O que podemos notar é que estas empresas de alimentos processados são extremamente poderosas. Elas representam o marco do capitalismo moderno, atraindo top-executivos, profissionais de marketing e de engenharia da alimentação para desenvolver estes produtos e divulgá-los da maneira mais eficiente para gerar lucro.

As empresas que não utilizarem ingredientes prejudiciais e de baixa qualidade estão sujeitas a um risco muito maior, caso não possuam um plano de marketing superior, o que é extremamente difícil dado o estado em que se encontra a consciência do consumidor atual, condicionado a pensar que produtos com trigo integral junto com outros grãos e óleos de sementes representam o que há de mais saudável. Motivo pelo qual as empresas de produtos “naturais” mais bem sucedidas são as que vendem produtos com tais ingredientes, apesar de todos os estudos demonstrando o grande potencial danoso à saúde destes produtos e ingredientes, podendo levar ao desenvolvimento de doenças e problemas de saúde.

supermercado ratos

 Como o médico sueco Dr. Andreas Eenfeldt afirma: “Sinto-me preso como um rato em um labirinto…”

Grandes redes de supermercados usam a estratégia de vender produtos extremamente nocivos, com efeitos semelhantes ao uso de drogas quando os consumidores estão mais propensos a consumi-los, nas filas do caixa. Eu me pergunto quando este ato será proibido? Quando empresas serão obrigadas a colocarem uma imagem no verso dos rótulos destes produtos como feito com os cigarros?

Não tão cedo acredito, pois creio ser mais difícil para o público se conscientizar do fato de que “alimentos” agem como drogas no mesmo nível em que as “drogas” propriamente ditas são reconhecidas. Estes produtos já conquistaram o consumidor, de modo que qualquer tentativa de alertá-los aos seus malefícios está destinada ao fracasso, sendo mais provável que fiquem em estado de negação como qualquer dependente químico. Assim como o cigarro veio para ficar, eles irão ficar também, contudo ninguém sabe até quando eles serão reconhecidos como inofensivos.

A chance de que o governo promova tais mudanças, na minha opinião, é a mesma que algum dia ele mude as diretrizes de nutrição invertendo a pirâmide alimentar, por exemplo, ou pare de jogar nosso dinheiro no ralo e passe a utilizá-lo eficientemente para servir o público e resolver os problemas da sociedade, o que deveria ser sua função.  Contudo, você, caro leitor, sempre esteve ciente disso e sabe o que fazer e é aí que a mudança irá começar.

Relação entre o desenvolvimento das comunidades e a saúde.

Estudos como este têm demonstrado que é preciso que haja um planejamento eficiente antes que seja feita a construção e o desenvolvimento urbano, pois a probabilidade de que problemas com a educação e infraestrutura sejam corrigidos de maneira eficaz após a construção e ocupação das cidades é muito menor.

23 maio  Av. 23 de maio em São Paulo, como se encontra por horas todos os dia. Como ratos em um labirinto…

 Quando os níveis de pobreza são altos demais é difícil resolver os problemas da comunidade, mesmo após a ocorrência de fatores que acelerem o crescimento econômico, pois obras se tornam mais caras em morros e locais com muitas construções, além de dependerem de governos corruptos e ineficientes. Já a educação é construída e cultivada geração após geração, sendo algo que não pode ser alcançado imediatamente com o crescimento econômico, apesar do mesmo ter o poder de influenciá-la positivamente. Este estudo sustenta uma parte desta teoria, como Browning, o autor do estudo afirma:

 Quando há altos índices de pobreza e baixos níveis de confiança em uma comunidade, é mais difícil mobilizar as pessoas para atingir metas de bairro, como a melhoria parques e limpeza das ruas. Parece provável que um fator reforce o outro”

Lembrando que este estudo foi conduzido no país mais rico do mundo, os EUA.

O estudo demonstrou que características sociais de uma comunidade, como os níveis de educação, além da situação econômica, são os fatores que mais determinam o nível de atividade física de um indivíduo.  De fato, a condição dos bairros foi mais determinante do que a renda do indivíduo neste estudo. No entanto, quando há um maior senso de segurança nas comunidades, indivíduos se tornam mais dispostos a sair de casa e se exercitar.

A segurança de um bairro e a confiança entre os moradores é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento de uma comunidade, aumentando o sentimento gregário entre os moradores e servindo como um alicerce para iniciativas como a construção de parques, ciclovias e feiras que irão estimular os moradores a praticarem mais atividades físicas e consumirem alimentos mais saudáveis, aumentando assim os níveis de satisfação e sensação de pertencimento com o bairro.

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