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Como aumentar a saúde e a performance escolar do seu filho e torná-lo resistente a qualquer doença – parte 2

Na primeira parte deste artigo vimos que:

Além dos benefícios de controle de peso, estabilidade dos níveis de insulina e leptina, perda de peso e normalização de açúcar no sangue, um dos principais benefícios do exercício e de um sono adequado é que eles promovem a criação de proteínas BDNF que agem para promover a neurogênese (criação de novos neurônios). Esses fatores, por sua vez, desencadeiam uma série de benefícios para a saúde, sendo tão importantes para as crianças como são para os adultos.

Neste meio tempo, me deparei com dados interessantes demonstrando a relação entre os níveis de atividade física dos pais e dos filhos, reforçando assim ainda mais a ideia por trás não somente da responsabilidade dos pais em assegurar a adesão dos filhos a planos de atividades físicas, como a importância de guiá-los por meio do exemplo.

Quando pais são fisicamente ativos e dentro do peso a correlação é muito grande com o peso e o nível de atividade física dos filhos, foi o que o estudo demonstrou, ou seja, maiores as chances dos filhos de serem metabolicamente saudáveis e, portanto, menos propensos a desenvolver doenças. Vale notar que o mesmo se aplica à alimentação.

Os pesquisadores afirmam que intervenções orientadas para as mães de crianças pequenas são muito importantes para estimular os níveis de atividade de ambos, pois ambos estariam intimamente ligados tanto fisicamente quanto emocionalmente. Se o pai joga tênis, por exemplo, a criança irá querer jogar tênis e ser ativo fisicamente também. Se você não fizer esportes, o seu filho provavelmente irá seguir os seus passos.

Para complementar, em um estudo da universidade de Illinois, nos EUA, o pesquisador Charles Hillma’s constatou que após 30 minutos em uma esteira, alunos de uma escola tiveram uma performance 10% maior na resolução de problemas. De acordo com o pesquisador Dr Charles Hillman’s houve um avanço em matemática e os testes de leitura foram os mais chocantes, com aumento substancial no processamento das informações após um período de prática.


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(http://sparkinglife.org/page/successful-school-fitness-models)

O que pode ser concluído deste e de outros estudos:

  •  Atividades físicas promovem crescimento neural no hipocampo, relacionado à orientação espacial e a memória, com possíveis repercussões para outras atividades cognitivas.
  •  Promovem a criação de proteínas BDNF que agem para promover a neurogênese (criação de novos neurônios)
  • Melhor performance acadêmica
  • Evolução da saúde metabólica, controle do apetite e peso, via regulação dos níveis de insulina e leptina.
  • Melhora da função imune, portanto na capacidade do organismo de combater doenças.

Proíba o querido doce venenoso e traiçoeiro (açúcar)

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 Um novo estudo conduzido pelo neurocientista Dr Aaron Blaisdell, da Universidade UCLA (Califórnia), fortalece mais a ligação entre o ganho de peso com o sedentarismo, preguiça, falta de motivação e performance cognitiva.

36 ratos foram divididos em dois grupos (16/16) que consumiram duas dietas diferentes ao longo de seis meses. A principal diferença entre as duas dietas foi a caseína (proteína do leite), açúcar sucralose e maltodextrina (glicose) de um grupo e um maior processamento dos alimentos neste mesmo grupo, ou seja, carboidratos mais refinados.

O resultado foi previsível no que diz respeito ao ganho de peso, mas o fato que mais surpreendeu os pesquisadores foi a perda da motivação e o aumento do sedentarismo no grupo que consumiu açúcar e carboidratos refinados.

Aaron_Blaisdell_photo_1_-prv Os ratos que consumiram açúcar e carboidratos refinados demonstraram uma performance motivacional prejudicada, representada pela velocidade reduzida ao pressionar a alavanca para fornecer comida e água para eles automaticamente, fazendo intervalos mais longos nesta tarefa. Foram duas vezes mais lentos do que os ratos magros.

 Isto representa a ordem dos eventos: Ao consumir alimentos processados por certo tempo, o indivíduo torna-se quimicamente dependente deste alimento, ganha peso durante o processo enquanto desregula todos os hormônios do corpo, acarretando em uma perda de histamina e capacidade cognitiva. Não o contrário!

Outro fato interessante foi que não houve mudança significativa na composição corporal em ambos os grupos de ratos, após inverterem a dieta entre eles durante um período de nove dias. Isso significa talvez que a regra 95/05, ou 90/10 pode funcionar com sua criança, pelo menos quando as junk foods representam um parcela da alimentação relativa a um período de seis meses.

Outros estudos apontam para a mesma direção, no que diz respeito a perda motivacional e cognitiva, como este outro estudo, menos recente, com indivíduos obesos.

Foram selecionados dois grupos, um composto por 109 indivíduos ex-obesos que passaram por cirurgia bariátrica (redução do estômago) e outro grupo com 41 indivíduos obesos que não passaram por cirurgia. A memória dos participantes foi avaliada antes, depois da cirurgia e 12 semanas após a cirurgia. Houve uma melhora significativa na memória dos indivíduos que fizeram a cirurgia, tanto logo após a cirurgia quanto 12 semanas depois, enquanto houve uma pequena piora nos participantes que continuaram obesos.

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                                                      A chave do carro está com quem?

Os pesquisadores levantam a hipótese de que a perda cognitiva ocorre gradualmente e não de modo imediato. No caso do estudo com os cobaias não houve perda cognitiva significativa após 9 dias seguindo uma dieta rica em açúcar.

A propósito, um novo estudo foi lançado com dados estatísticos da população canina dos EUA. Mais de 60% da população de cães adultos se encontram obesos ou acima do peso. Adivinhem qual é a prevalência dos humanos da mesma nação? Você que pensou que não é muito diferente de seus donos, acertou. Afinal, uma alimentação ideal para cães não é muito diferente que a dos seres humanos, ainda assim os alimentos fornecidos as pobres criaturas são até mesmo piores que os alimentos processados consumidos pelo homem moderno! Por conseguinte, não é a toa que as principais causas de mortes entre os cães são as mesmas, ou seja, câncer, infarto do miocárdio, artrite reumatoide, enfim, doenças degenerativas. São os filhos da nação!

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                                                                   A culpa não é minha!

Altos níveis de glicose sanguínea e capacidade cognitiva:

A ciência tem constatado uma ligação entre altos níveis de glicose sanguínea em indivíduos com o metabolismo da glicose prejudicados, com uma perda de performance cognitiva, sendo que alguns estudos conseguiram constatar tal efeito mesmo em indivíduos  dentro da faixa considerada normal de glicose no sangue.  Alterações no hipocampo também foram identificadas em indivíduos quando os níveis de glicose sanguínea foram diminuídos.

Neurocientista da Alemanha Agnes Floel e seus colegas, neste estudo publicado na Neurology, um dos jornais mais prestigiosos de neurologia clínica do mundo, conseguiram identificar alterações cognitivas substanciais de maneira mais impactante do que em outros estudos, pois neste caso três fatores de perda cognitiva, além de mudanças estruturais no hipocampo, foram identificados por meio de testes cognitivos e impactados significantemente como fruto de níveis de glicose sanguíneos mais altos:

  • Atraso de recordação: -0.27 (P=0.001)
  • Habilidades de aprendizagem: -0.22 (P=0.005)
  • Consolidação da memória -0.18 (P=0.037)

Utilizaram equipamentos de imagem cerebral (3-tesla MRI scans) para acessar ao volume do hipocampo e microestrutura como indicado pela densidade da barreira de matéria cinzenta e em seguida examinaram a associação entre a memória (testes), volume do hipocampo e o metabolismo da glicose representado pela Hb A1c (hemoglobina Glicada), útil para identificação de altos níveis de glicemia durante períodos prolongados.

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 Agnes Floel

Os resultados validaram o fato de que baixos níveis de glicose sanguínea (representados por HbA1c) estão diretamente relacionados a capacidade de aprendizado e consolidação da memória mesmo em indivíduos dentro do peso e dentro da faixa considerada normal de glicose sanguínea (90-100 mg/dl em jejum), sendo que associação com a memória é ainda mais forte. Na ausência de diabetes tipo 2, níveis altos de glicose sanguínea produzem mudanças estruturais no hipocampo (perda de volume) e efeitos negativos na cognição. De acordo com Agnes Floel:

“These results suggest that even for people within the normal range of blood sugar, lowering their blood sugar levels could be a promising strategy for preventing memory problems and cognitive decline”

Estes resultados sugerem que, mesmo para pessoas dentro da faixa normal de açúcar no sangue, reduzir os seus níveis de glicose sanguíneos pode ser uma estratégia promissora para a prevenção de problemas com a memória e declínio cognitivo”

Sabemos há muito tempo que o controle da glicemia por meio de uma dieta baixa em carboidratos é um dos meios mais eficazes, se não a forma mais eficaz, para prevenir a perda cognitiva e o desenvolvimento de doenças degenerativas e transtornos cognitivos. (1)(2)(3)(4)(5)(6)(7)(8)(9)(10)(11)(12)(13)(14) Aconselhamento alimentar e estratégias direcionadas a manter estabilidade dos níveis de glicose no sangue são ferramentas essencial para saúde física cognitiva, para indivíduos de todas as idades.

“These findings are important because they indicate that even in healthy non-diabetic, non-impaired glucose tolerant individuals, lifestyle choices that tend to lower blood glucose levels in young and old individuals should be recommended,” Dr. Flöel

Essas descobertas são importantes porque elas indicam que mesmo em indivíduos saudáveis ​​não-diabéticos  e tolerantes a glicose, escolhas de estilo de vida que tendem a diminuir os níveis de glicose sanguínea em indivíduos jovens e idosos devem ser recomendadas”, Dr. Flöel

Enfim, embora os mecanismos biológicos pelos quais células neurais do hipocampo são perdidas causando um impacto negativo na memória, decorrentes de altos níveis sanguíneos de glicose representados por HbA1c não tenham sido estabelecidos por esta pesquisa acima, penso que o motivo esteja relacionado aos danos celulares causados pela captação excessiva de glicose pelas células. Provavelmente a cascata de reações químicas e metabólicas adversas fazem parte da equação.

O quadro oposto é um ganho cognitivo causado redução da glicose e pela maior disponibilidade de corpos cetogênicos utilizados por áreas cerebrais.  Nestas circunstancias há uma maior produção de energia das células devido ao crescimento e o aumento do número e das mitocôndrias das células e a diminuição da morte celular (Apoptose e Necrose),

No entanto, as causas da elevação dos níveis de glicose sanguínea são facilmente identificadas em estudos clínicos randomizados, tanto em animais quanto em seres humanos. Portanto, a identificação e o emprego de uma estratégia que vise a redução ou eliminação destes alimentos, assim como os fatores ambientais que propiciam tais comportamentos se torna primordial, pois o contrário poderia ser considerado uma  displicência aos fatos, ou falta de compromisso com quem mais adoramos.

Abordamos aqui mais a questão dos efeitos prejudiciais do açúcar na cognição em consonância com o ganho de peso, todavia, dentre todos os problemas causados pelo consumo excessivo de açúcar e da frutose a perda cognitiva é apenas um deles. Para uma perspectiva melhor é importante destacar que o consumo excessivo de açúcar (não é muito) promove:

  •  Resistência à insulina.
  • Inflamação
  • Supressão do sistema imunológico
  • Permeabilidade intestinal
  • Transtornos metabólicos e ganho de gordura nas vísceras (abdominal)
  • Os efeitos da frutose no fígado são semelhantes ao efeito do álcool, causando a síndrome metabólica e a esteatose hepática
  • Crescimento tumoral

Existe algo pior que isto? Espero que os estes estudos sejam o suficiente para convencê-los, por enquanto, de seu perigo. Para mais informações sobre os efeitos devastadores do açúcar no metabolismo leiam: A dieta dos nossos ancestrais.

 

Referências:

(1). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3321471/

(2). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3321471/

(3). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9823827/

(4). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1176378/?report=reader

(5). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2898565/?report=reader

(6). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2731764/?report=reader

(7). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23242044

(8). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22796483

(9). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22787591

(10). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21070829

(11). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3321471/

(12). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20395146

(13). http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20204773

(14). http://www.tampabay.com/news/aging/doctor-says-an-oil-lessened-alzheimers-effects-on-her-husband/879333

http://www.neurology.org/content/81/20/1746.abstract?sid=2989f713-7f76-49fc-ab6a-fdff936cfb9c

http://newsroom.ucla.edu/portal/ucla/does-a-junk-food-diet-make-you-271793.aspx

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3 Comentários

  1. Davi Storini disse:

    No texto acima diz: Enfim, embora os mecanismos biológicos pelos quais células neurais do hipocampo são perdidas causando um impacto negativo na memória, decorrentes de altos níveis sanguíneos de glicose representados por HbA1c não tenham sido estabelecidos por esta pesquisa acima, penso que um dos motivos esteja relacionado com o efeito na produção de energia das células, pelo crescimento do número de mitocôndrias, e a diminuição da morte celular (Apoptose e Necrose) , devido a uma maior disponibilidade de corpos cetogênicos utilizados por áreas cerebrais, em virtude dos baixos níveis de glicose disponíveis, e provavelmente a cascata de reações químicas e metabólicas causadas por uma dieta alta em carboidratos refinados fazem parte da equação. —–(Acho que ha uma contradição ou erro de digitaçao no texto, pois diz que um dos motivos podem estar relacionados com o crescimento do n° de mitocondrias e a diminuição da morte celular. Nao seria ao contrario? Causando impacto positivo na memória?)

    • Bruna e Caio disse:

      Olá Davi, Kind of… pois a ausência da perda de memória é a saúde cognitiva. Veja se ficou mais claro agora! Obrigado pelo comentário! =)

  2. Davi Storini disse:

    BDNF = Brain Derived Neurotrophic Factor (proteína fabricada pelos neurônios)
    A leptina = Proteína secretada por adipócitos e que age no sistema nervoso central (SNC) promovendo menor ingestão alimentar e incrementando o metabolismo energético

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