Brasileiros comem o dia todo?

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Um novo estudo usou um aplicativo de smartphone para rastrear o consumo alimentar diário dos americanos ao longo dos dias.

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Não é novidade nenhuma no meio científico que comer menos vezes durante o dia com dietas saudáveis está associado a uma ingestão calórica diária reduzida, uma vez que não há necessidade de beliscar ao longo do dia. Tampouco a ideia de que consumir várias refeições ao dia acelera o metabolismo foi comprovada por ensaios clínicos. Uma teoria infundada.

Há um número crescente de evidências com roedores e seres humanos de que uma janela restrita de consumo alimentar diária proporciona melhoras metabólicas dentro do contexto de uma dieta saudável.

O jejum Ramadan, como empregado pelos mulçumanos durante 1 mês como cerimônia religiosa, demonstrou-se eficiente na redução da inflamação corporal, peso e perfil lipídico em um estudo relativamente recente.

Quanto menos refeições diárias em uma dieta saudável reduzida em carboidratos, maior a janela diária para que ocorra a lipólise ativada por glucagon-adrenalina, um estado de queima de gordura que ocorre até o peso do corpo se estabilizar.

A autofagia ocorre após 12 a 13 horas de jejum diário e persiste durante o tempo necessário, quando as células do corpo entram em um estado de limpeza e reciclagem de compostos celulares prejudiciais, para um estado celular mais otimizado e livre de toxinas

A maioria das pessoas do estudo comeram por mais de 15 horas por dia, o que se traduz a um jejum diário de menos de 9h por dia. Isso significa não apenas que a maioria das pessoas estão dormindo pouco, o que a propósito engorda, mas que estão comendo logo após acordarem e também logo antes de adormecerem.

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“Um ritmo diurno de comer e fazer jejum promove a saúde, mas o padrão alimentar dos seres humanos raramente é avaliado. Usando um aplicativo móvel, nós monitoramos os eventos de ingestão alimentar em adultos saudáveis ​​que não estavam trabalhando, por vários dias. A maioria dos participantes comiam com frequência e de forma irregular ao longo das horas de vigília, e a duração do jejum foi paralela ao tempo na cama. Houve uma tendência a comer tarde, com uma estimativa de menos de 25% das calorias consumidas antes do meio-dia e mais de 35% após as seis horas da tarde.  “Jetlag metabólico” decorrente da variações de fusos horários devido a viagens foi predominante.

A duração diária de ingestão (95% de intervalo) excedeu 14.75 h para metade dos participantes. Quando os indivíduos com sobrepeso e que comiam por mais de 14h de duração passaram a comer por apenas 10-11 horas por dia, durante 16 semanas, auxiliados por um visualizador de dados que desenvolvemos, eles reduziram o peso corporal, relataram ter mais energia, e melhoraram o sono. Os benefícios persistiram durante um ano.”

Em outras palavras, elas vivem em um estado de consumo alimentar constante, muitas vezes comendo mais de 7 vezes ao dia, fazendo com que seja impossível que o organismo entre em um estado de queima de gordura. Um estado de hiperinsulinemia constante, quando os níveis de insulina, o hormônio que promove o acúmulo de gordura corporal, nunca é reduzido com este consumo constante de alimentos, na maioria dos casos, fontes baratas de carboidratos.

Talvez, a solução mais eficiente esteja em adotar hábitos familiares mais tradicionais, como os que ainda são empregados na França e em famílias e países tradicionais, por exemplo, onde só se come quando é hora de comer, ou seja, café almoço e janta.

Mais adiante, se adotássemos hábitos mais primitivos de consumo alimentar (que não seja visto de modo pejorativo, por favor), como aqueles observados em populações indígenas de caçadores e coletores ao redor do globo, viveríamos sobre a simples regra: Comer quando sentir fome! Mas fome de verdade, não aquela busca crônica, e por vezes patológica, de conforto psicológico, como no caso dos indivíduos do estudo acima. Enquanto a barriga não roncar não há fome.

Tão importante quanto, uma forma inteligente de tratar a questão de maneira saudável e eficaz é começando o dia com o pé direito e sobre como fazer isso, já relatei diversos estudos no blog que apontam para a melhor solução, para que a fome seja reduzida e protelada na primeira metade do dia.

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