Como a agricultura arruinou sua saúde (e o que fazer quanto a isso)

Esta seção é dedicada à tradução de artigos relacionados ao estilo de vida primal. É direcionada para aqueles que querem saber um pouco mais sobre o assunto e desejam se aprofundar em alguns aspectos específicos. Se você acabou de conhecer o blog, clique aqui.

Você está acima do peso. Me desculpe por ser tão direto, mas provavelmente é verdade: a maioria dos adultos vivendo em países ocidentais está acima do peso. Grande parte deles são obesos.

Metade de vocês está tomando, pelo menos, um remédio prescrito. Metade dos idosos toma, pelo menos, três. Você pode não estar tomando nada, mas você conhece alguém que está.

Isso soa normal? Quero dizer, doenças crônicas perpétuas e obesidade são o estado normal de existência para nós? Nossa constituição é tão falha que não conseguimos nos manter vivos sem pílulas e médicos?

Não. Absolutamente não. Não foi sempre assim, vocês sabiam?

A primeira grande virada aconteceu com a Revolução da Agricultura. Por volta de 10.000 anos atrás, quando os antigos caçadores-coletores começaram a plantar sementes, em fileiras organizadas, algo aconteceu. A população explodiu, pois agora nós tínhamos uma fonte estável de calorias. Vilas e cidades de expandiram, porque nós não precisávamos mais ir atrás de nossa comida. Nós podíamos apenas planta-la onde vivíamos.

Essas coisas soam como boas, certo? Mais abrigo e comida soa bem, não soa?

Bem, outra coisa aconteceu, também. Aqueles primeiros agricultores eram menores do que os antigos caçadores-coletores que eles substituíram. Eles não viviam por tanto tempo e tinham cérebros menores. Eles tinham muito mais doenças infecciosas e cáries. Resumindo, eles não eram tão saudáveis quanto os caçadores-coletores. Mesmos genes, mesmos Homo sapiens, ambiente diferente e saúde pior.

Mas espera aí – grãos integrais são supostamente saudáveis. Qualquer instituição do governo recomenda que os grãos integrais sejam grande parte da nossa dieta. Como podem os grãos e a agricultura terem causado todos aqueles problemas de saúde aos nossos ancestrais?

O grande problema dos grãos é que eles não ligam para você. Pense sobre isso: um grão é uma planta bebê. Ou um ovo de trigo, se você preferir. Para que este trigo possa passar a diante os seus genes, este grão precisa chegar até o chão, germinar e crescer para repetir o processo. Assim como a galinha precisa proteger seus ovos e mantê-los quentes até que se rompam, o grão precisa de maneiras para se manter protegido durante este processo e impedir que outros animais o comam.

Infelizmente para o grão, ele não tem pernas, dentes, asas ou garras. Ele não pode lutar. Ele não pode correr dos predadores. Ele parece indefeso, parado como um punhado de trigo.

Os grãos são tudo, menos indefesos. Eles têm uma série de defesas químicas, incluindo várias lectinas, glúten e ácido fítico, que desordenam sua digestão, causam inflamação e te impedem de absorver nutrientes e minerais que são vitais.

Todos os grãos contém alguns ou todos esses antinutrientes, em diversos níveis, então, quando nossos ancestrais começaram a fazer refeições regulares à base de grãos, a sua saúde sofreu com isso.

Ok – então nós temos os registros fósseis para provar que a agricultura dos grãos trouxe doenças e saúde inferior para a população humana, mas nós não sabemos se estes primeiros fazendeiros eram obesos. Eles provavelmente não eram. Mesmo se você olhar para as fotos dos americanos na década de 30 até a década de 60, quase todo mundo é magro. Como isso é possível?

Vamos continuar.

 Isso me leva à segunda virada: o final dos anos 70. Até aquela época, as taxas de obesidade nos EUA tinha se mantido constante, por volta dos 12% da população adulta. Não era ótima, mas não tão ruim para uma sociedade com acesso fácil à comida.

No começo dos anos 80, as coisas mudaram. As taxas de obesidade começaram a subir constante e consistentemente até hoje, onde quase 30% da população adulta é obesa e 70% está acima do peso e/ou é obesa. 1 em cada 3 adultos são obesos. Mais de 2 em cada 3 estão acima do peso. Isso parece certo?

O que mudou?

A propaganda da dieta baixa em gordura começou. Foi dito às pessoas que a gordura e o colesterol estava matando-as (baseado em ciência ruim) e as tornando mais gordas.

Então, para evitar toda essa gordura, eles começaram a comer mais grãos, carboidratos e outros alimentos processados com baixa gordura.

A outra coisa sobre os grãos (e carboidratos em geral) é que eles elevam os níveis de insulina do seu corpo. A insulina é necessária para transportar nutrientes, como carboidratos e proteína, para as várias células do corpo. Você come carboidratos e a insulina lida com eles. Mas, se você comer muitos carboidratos – como, por exemplo, uma pessoa que sempre ouviu que nunca deveria comer gordura e que poderia comer o quanto quisesse de grãos e produtos processados, com pouca gordura e muito açúcar – sem se exercitar insanamente, o seu corpo libera insulina em excesso e você se torna resistente à insulina.

Quando você é resistente à insulina, qualquer quantidade de carboidrato é intolerável. Ele vai virar gordura corporal e quanto mais gordura corporal você tem, mais resistente à insulina você se torna. Quanto mais resistente à insulina você é, menos nutrientes são transportados para as suas células, significando que você continua com fome, mesmo quando está comendo, então, você come mais carboidratos que você não consegue tolerar. É um ciclo vicioso, como você pode ver, e nos leva à bagunça em que vivemos hoje.

Para piorar ainda mais as coisas, a maior parte dos carboidratos que estamos consumindo hoje vem na forma de açúcar, ou ainda de uma fonte mais barata e popular, o xarope de milho, rico em frutose. Ambas as formas de açúcar são ricas em frutose, que o fígado transforma em glicogênio, um tipo de energia baseada em carboidratos, até que as reservas de glicogênio estejam cheias. Estas reservas de glicogênio se enchem rápido, já que a maioria das pessoas não estou usando o glicogênio (o que é meio difícil de fazer quando você tem que trabalhar em um escritório e fica preso no trânsito o dia todo), essa frutose se torna gordura no fígado.

Juntas, a dieta rica em açúcar e grãos refinados e a dieta baixa em gorduras, se tornaram a população obesa e doente que vemos hoje. A boa notícia é que resolver o problema – pelo menos em nível individual – é fácil.

Tudo o que você tem que fazer é seguir a lei número 9 do Primal Blueprint: evitar coisas venenosas. Aquelas toxinas que os grãos utilizam para se defender? Estes são os venenos que você deveria parar de comer.

Então, livre-se dos grãos. Aqui você vê como. Livre-se do pão. Reduza seu consumo geral de carboidratos. (Veja aqui a curva de carboidratos). Mesmo se você não está acima do peso, eu garanto que você vai se sentir melhor sem este veneno na sua vida.

P.S. Você sabe o que não deve comer e porque não deve comer. Mas o que você deve comer? Veja aqui.

Este artigo é uma tradução de um newsletter enviado por Mark Sisson,

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4 Comentários

  1. O Primitivo

    Viva!

    > uma alimentação ideal para todos, não minha opinião, igualmente penso que isso é uma generalização um pouco grotesca e um reducionismo.

    Infelizmente é esta a ideia predominante, resultante das ideias do nutricionismo e da moderna cardiologia, como sabemos ambos altamente comercializados e controlados pelos respetivos lóbies de interesses, as indústrias alimentares e farmacêuticas, que nos impõem as estórias dos colesteróis assassinos, dos cereais essenciais à vida, da dieta mediterrânica salvadora da humanidade, dos azeites protetores do coração, dos vegetais, frutas e fibras anti-cancro, dos pequenos-almoços hipeglicémicos e hiperinsulinémicos, à base de pães com margarina e leite, e outras mitologias modernas.

    > No entanto, creio que quantidades mínimas de alimentos provenientes de animais são extremamente necessária para a saúde humana,

    Carne, peixe, ovos, etc. sempre foram os alimentos primordiais e ancestrais de sempre, por mais que isso custe a muitos nutricionistas vegetarianos equivocados, foram eles a base para o desenvolvimento do cérebro humano, e não só. Mas os nutricionistas atualmente estão encantados com a ideia de que carnes vermelhas são a causa de todas as doenças possíveis e imaginárias, há imensos estudos de “provam” isso (a cor vermelha, associada associada ao sangue, deve ter algum efeito psicológico desconhecido no cérebro humano). No entanto, dietas estritamente vegetarianas, sem precedentes na evolução humana, também não parecem ser muito favoráveis a um cérebro desenvolvido e à saúde em geral (veja-se todo o blogue de Denise Minger). Por mais que se tente, será sempre muito difícil demonstrar que alimentos ancestrais são responsáveis pelas doenças da civilização, é a própria lógica que o nega.

    > o que obviamente envolve o consumo de proteínas e gorduras, o que torna importante a questão dos macronutrientes,

    A meu ver, apenas torna importante o que é realmente importante, os “alimentos”, e não os macronutrientes que são uma abstração do nutricionismo, uma abordagem ideológica à alimentação com efeitos nulos, ou mesmo nocivos, na saúde humana. O WHI Study (intervenção focalizada na redução do macronutriente “Gorduras”) é uma prova mais que cabal disso, até conseguiu degradar a saúde nas pessoas já doentes, mas os “especialistas não o conseguem ver assim. O nutricionismo não é a única via, longe disso, também se podem analisar nos estudos padrões alimentares, considerando os alimentos. Por exemplo, esta abordagem começou a aparecer recentemente, aliada a técnicas epidemiológicas e bioestatísticas mais sofisticadas, como a análise de componentes principais (PCA). Existem uns tantos estudos do EPIC seguindo esta abordagem. Vários investigadores já se aperceberam que é a hora de privilegiar os alimentos, secundarizando certas abstrações como, por exemplo, gorduras saturadas, ómegas, colesteróis, etc.

    > como os Kitavas consomem quantidades mínimas de proteína provenientes de animais (peixes) e gorduras (neste caso do coco e em menores quantidades do peixe), aproximadamente na proporção de 10% proteínas e 20% gorduras.

    Os Kitava são um bom exemplo de uma dieta low-fat (arrhggg) em populações primitivas. No passado, ao longo de milhões de anos, o que determinava as dietas era o contexto ecológico, sempre foi assim. Por outras palavras, se a minha terra tem bananeiras, vou naturalmente comer bananas. Mas hoje são os poderos lóbies das indústrias de alimentos processados e desnaturalizados, com a influência das ideias impostas pelos lóbies farmacêuticos, através do nutricionismo, que nos determinam as escolhas “saudáveis”.

    > de 50% de das calorias provenientes de gordura e proteína como demonstrado pelo estudo da revisão do atlas etnológico conduzido por Dr. Loren Cordain,

    Mas isso não torna inviáveis as dietas que não cumprem estas percentagens médias. Não deixando de ser uma linha orientadora, não deixa de ser meramente observacional.

    > Creio que Gary Taubes, assim com outros autores “Paleo ou Primal” muitas vezes

    Não considero Taubes um autor paleo, longe disso, quando muito é um investigador inteligente, mas com muitas ideias equivocadas, tentando demonstrar que a obesidade mundial se deve unicamente ao consumo de HC, de qualquer tipo, que dietas cetogénicas emagrecem sempre, independentemente das calorias, porque o acumulo de gordura depende apenas de níveis insulínicos, que o exercício é irrelevante para a perda de peso porque só aumenta a fome, que défices calóricos não interessam, etc. Tudo coisas amplamente negadas por inúmeros estudos e evidências, conforme se pode ler no CarbSane e no Whole Health Source. Apesar disto, não tenho grandes dúvidas de que uma dieta Atkins, desde que à base de alimentos tradicionais, é melhor para a saúde em geral (coração incluído) que a dieta low-fat de alimentos modernos dos “especialistas” do nutricionismo.

    > Generalizações como a curva do carboidrato de Mark Sisson pode ser um reducionismo, no entanto creio que é uma ótima ferramenta para da ilustrar ao público que está querendo emagrecer

    Uma ideia pode funcionar por mecanismos totalmente diferentes do que o autor pensa. Se a redução de HC modernos pode produzir, e realmente produz em várias situações, múltiplas vantagens (acredito que por exemplo na diabetes tem vantagens terapêuticas), até mesmo perda de peso, essa perda não se dará necessariamente porque HC acima de certa quantidade são “maus” e desreguladores calóricos, mas certamente porque, seja qual for a via, se atingiu um défice calórico. O problema é que a focalização em variáveis secundárias, como macronutrientes ou hidratos, desvia o enfoque do que realmente funciona, o défice calórico. Tal como a focalização em colesteróis desvia o enfoque do importante, o controlo glicémico. Mas isto é outra estória. Pode argumentar-se que não são variáveis independentes, que só é possível manter uma dieta sustentada, a prazo, com alimentos de baixa carga em HC. Isto até pode ser verdade para algumas pessoas, principalmente as insulino-resistentes, que até são as que apresentam maior prevalência de obesidade, mas o facto é que perdas de peso eficientes também são possíveis com dietas low-fat, comprovadamente funcionam em várias pessoas.

    > consuma bastante verduras, produtos derivados de animais, frutas e tubérculos e evite consumir açúcar, carboidratos de alta carga glicêmica (trigo, arroz, milho,etc), açúcar e alimentos processados. Ficar longe dos processados, do açúcar é o maior desafio de mais de 95% dos visitantes, portanto creio que isto deve ser nossa maior contribuição.

    A vossa mensagem é bastante boa, funciona realmente e tem uma base evolucionária que a suporta. É difícil encontrar um paradigma melhor, ou menos pior que todos os outros. As mensagens convencionais/oficiais já demonstraram a sua nulidade em inúmeros estudos, declaradamente nunca funcionaram, mas quando isso acontece os “especialistas” entram em negação e continuam a recomendar as mesmas inutilidades. Acho que a única forma de anular a sua ignorância é fazendo o “bypass”, e divulgando informação credível e sustentada (apesar de eu não concordar integralmente com tudo, mas a ciência é isso mesmo) em blogues de qualidade, como é o caso deste Primal Brasil.

    > Concordo plenamente com seu ponto de vista quanto ao reducionismo e a guerra dos macronutrientes por assim dizer.

    Acho que o nutricionismo foi a pior coisa que aconteceu à alimentação humana nos últimos anos. Repare que os lóbies alimentares adoram o nutricionismo, a teoria dos nutrientes, que aliada à farsa da hipótese lipídica, é a única forma de “validarem” todo o tipo de junk foods modernas. O melhor exemplo de junk food funcional moderna que consigo encontrar é a margarina. Os doutores da Fundação Portuguesa de Cardiologia recomendam vivamente margarina, em substituição da nociva manteiga. Dizem que é muito boa, porque aparentemente faz baixar o colesterol “mau”, um tal de LDL.

    > existe um padrão de consumo de alimentos animais ricos em gordura e proteína e uma menor predominância de carboidratos em sociedades isoladas.

    Digamos que existe, na globalidade, uma menor predominância de “alimentos” modernos e processados em sociedades isoladas da civilização e da indústria alimentar, por acaso isso revela-se mais nos HC que em outros macronutrientes, porque é mais difícil obter, por exemplo, “proteínas processadas”. Dentro dos povos primitivos há variações enormes na relevância dos HC, acho muito difícil associar a um maior consumo destes, isoladamente, maior incidência das doenças da civilização. Pois se em ambos os casos as incidências são nulas ou próximas de nulas.

    Mais uma vez, os Kitava são o exemplo mais estudado que contaria uma hipótese, a teoria carbofóbica de Gary Taubes ou, num plano de ainda maior irracionalidade, do Dr. William Davis. Repare que para se construir uma lei universal é necessário realizar estudos em condições muito diversificadas, num vasto domínio, que a demonstre (quase) inequivocamente. Mas para anular essa hipótese basta um bom contra-exemplo, e existem muitos. Taubes, apesar de conhecer o exemplo, nunca o refere nos seus livros, porque não encaixa nos seus dogmas.

    > alimentos processados e provenientes da agricultura, que são fontes de carboidratos extremamente concentrados e com poucas fibras, o aumento da carga glicêmica destes

    Nunca entendi a suposta funcionalidade das fibras na dieta, pois quando olhamos para os estudos, mesmo os de intervenção aumentando fibras, todas as promessas do nutricionismo, à semelhança de tantas outras, se desvanecem. Não bastam “soft end points” (por exemplo, certo alimento produz efeitos num certo marcador que se pensa serem favoráveis – fibras associadas a redução de colesterol ou saciedade), para induzir ou palpitar que isso é bom. São precisos estudos com “hard end points” (contagem de corpos, eventos cardiovasculares, incidência de doenças, etc.), de preferência com riscos absolutos/NNT credíveis, para se estabelecer uma associação, formular hipóteses. E nem isto demonstra causalidade, só mesmo estudos de intervenção podem trazer alguma luz sobre os benefícios de algo. Quanto às fibras, e a muitas outras ideias, nunca vimos nada de substancial.

    > á muito tempo cientistas e pesquisadores concluem que os responsáveis pelas doenças crônicas que atualmente acometem o ser humano civilizado estão mais relacionados ao perfil dos carboidratos consumidos e a carga glicêmica destes alimentos, do que aos carboidratos em si.

    Você sabe que eu sou um cético em relação a tudo (mas não me considero um negacionsta), e muitas vezes até me questiono se é possível termos a certeza absoluta de que a dieta humana moderna será mesmo responsável pelas doenças da civilização. O fato de se encontrarem associações, por mais sugestivas que possam parecer, entre dieta moderna vs doenças da civilização, com boa parte da variância de uma explicada pela outra, isso constituirá uma certeza absoluta de que a dieta, isoladamente, é responsável pela instalação, pela “activação” digamos assim, das doenças? E o que dizer de outros aspetos quase não-mensuráveis ou usualmente desconsiderados nos estudos epidemiológicos, como a poluição urbana, a exposição a químicos, o sedentarismo, o défice de exposição solar, etc.? Temos mesmo a certeza absolutíssima de que a dieta moderna, por si só, é capaz de gerar doenças? Estou aqui a pensar, em especial, na génese do cancro, a meu ver a doença mais complexa e incompreendida. Em matéria de dieta, onde a desorientação oficial é completa, a maior parte das dietas nunca funcionaram, ou apenas produzem fracos resultados. Talvez porque este estará muito para além da dieta.

    > é unanimemente aceito pela comunidade científica e comprovado o fato de que é essencial consumirmos quantidades necessárias de proteína animal e gorduras em nossa dieta, uma vez que diversos estudos comprovam a forte relação entre o consumo de proteínas e gorduras e a regulação de diversos hormônios e reações químicas de nosso organismo que controlam a saciedade e a saúde das células, as quais são

    O problema é que os supostos “especialistas”, nomeadamente nutricionistas e cardiologistas, pensam (a eterna mentalidade low-fat) que estes fontes ancestrais de alimentos, naturalmente proteicas e gordurosas, são um mal necessário, pelo que devem ser reduzidas ao mínimo indispensável. Isto fica bem patente nas rodas e pirâmides oficiais, baseadas na malograda mitologia low-fat, que nunca funcionaram. Mesmo com todos os estudos à frente, como é exemplo cabal o WHI Study, que colocam em evidência a inutilidade desta estratégia, os especialistas não o conseguem reconhecer. Perderiam todo o seu pseudo-status científico, mais suportado por lóbies de interesses que por ciência factual.

    > acredito que é consensual a muitos, se não à maioria dos pesquisadores, que pelo menos 50% da alimentação da maioria das pessoas deveria consistir em proteínas e gorduras “saudáveis”, principalmente de animais selvagens ou orgânicos, sendo o

    A abordagem moderna, portanto a maioria dos investigadores, discorda desta ideia. Falando de percentagens de macronutrientes, o que recomendam é 50-70% de HC (existe um artigo sobre a roda dos alimentos portuguesa que chega aos 70%, já agora porque não tentar os 100%?), e o restante em proteínas e gorduras. Os nutricionistas e cardiologistas até acreditam que o ideal seria reduzir as gorduras a 20% ou se possível menos, isso seria fantástico. Apenas com o ligeiro inconveniente de que é o próprio corpo humano que recusa esta fantasia moderna, conforme se constata em todos os estudos low-fat, em que a aderência e os danos na saúde são inversamente proporcionais à redução de gorduras.

    > o que precisamente está de acordo com nosso histórico de consumo

    A compreensão da alimentação humana só vai melhorar quando, ao invés de chamarem um nutricionista, optarem por chamar um historiador, um antropólogo, um biólogo, etc. para analisarem multi-disciplinarmente a dieta humana. O que não faz sentido é manter a atual situação caótica, com recomendações oficiais, por regra, inúteis ou mesmo prejudiciais para a saúde geral das populações. Se não sabem, o melhor é mesmo não fazer nada ou mudarem de profissão.

    > Obrigado pelo comentário, e pela sua contribuição para o blog. Seja sempre bem vindo!

    Mantenha o bom trabalho no blogue, faz muita falta informação credível em português. Um abraço.

    Responder
  2. O Primitivo

    Viva, deixo mais um comentário, desta vez de caráter geral. Em primeiro lugar, parabéns pela nova apresentação do blogue, está lindo e com conteúdos sempre interessantes. Estou bem impressionado com as argumentações aqui apresentadas, acho mesmo que é uma lufada de ar fresco ouvir falar, por exemplo, de “novos” termos como “palatividade”. Faz muita falta informação on-line de qualidade sobre alimentação e estilo de vida, e então em português nem se fala (Os blogues de nutricionistas, principalmente os brasileiros, apesar de “abertos” a comentários, não aceitam comentários discordantes; Não estão interessados em discutir ciência, e muito menos em ver as suas fracas certezas contestadas em “público”; Digo isto porque os meus comentários são usualmente rejeitados nesses blogues, não vou citar nomes mas são os “principais”). O que se verifica nesta área da alimentação (repare que nunca uso o termo reducionista nutrição) é uma completa falta de criatividade oficial, a incapacidade de procurar novas abordagens, a rejeição de qualquer ideia diferente, até mesmo da evolução humana, uma anti-ciência generalizada, e daí a importância de blogues como este.

    No que respeita aos artigos do blogue, nesta nova versão, gostaria de ver mais artigos originais/opinião, textos exatamente como os comentários que o autor deixou neste blogue, e não tanto interpretações das ideias de outros autores. Isto é apenas uma sugestão pessoal do que eu gostaria de ver, outros pensarão de forma diferente. Tenho a certeza que o autor (ou autora?) do blogue conseguem dar esse salto, mais para o lado da ciência, incluindo nas suas análises umas tantas citações de uma coisa que a maior parte dos nutricionistas e médicos desconhecem, acho que se chama Pubmeb!?

    > comprovando maior emagrecimento e melhor marcadores sanguíneos com uma dieta rica em proteína e gorduras.

    O eterno duelo entre macro-nutrientes bons e maus, apenas para se chegar à conclusão, daqui por mais uns anos, que quando a focalização se faz estritamente neles ou, pior ainda, nos nutrientes, que é atual abordagem “científica”, se perde o enfoque no que realmente é importante. Eu não estou a dizer que são irrelevantes, algum nível de abstração até é necessário, mas atualmente o que se observa é que toda a ciência está dominada pela obsessão-compulsão desta abordagem, e em paralelo ignora totalmente a abordagem evolucionária, a antropologia, a biologia, etc. Isto já para nem falar nas fantasias do colesterol assassino do coração, e dos estatinadores compulsivos que nos virão salvar a vida baixando o LDL. Neste sentido, o blogue da CarbSane que eu sigo regularmente, uma senhora até muito inteligente e perspicaz, acaba por ser uma dolorosa sequência de artigos tentando sempre aniquilar algo, mas nunca propondo nada em substituição. Talvez porque seja sempre muito mais fácil mostrar que a maior parte das ideias não funciona, e muito difícil provar que algo é realmente eficaz.

    Mas não quero divagar, o que apenas queria deixar como ideia neste comentário é que existem múltiplos mecanismos segundo os quais determinada ideia pode funcionar, estou a referi-me a mecanismos efetivamente causais e não meramente fatores de confusão dos estudos epidemiológicos, e podemos estar enganados pensando que algo resulta por mecanismos que nem sonhamos. Afinal o corpo humano é um organismo altamente redundante, seria muito ingénuo acreditar que a falha (não múltipla) em alguns processos seria suficiente para causar o colapso de um sistema biológico que perdura há milhões de anos. É por este conceito, o da redundância, que todas as ideias focalizadas em algo, assumindo-o como fator de “risco” determinante, seja colesterol, ou gorduras, ou percentagens “vitais” de gorduras e proteínas, ou qualquer outra figuração, nunca funcionam. A este respeito dos mecanismos ilusórios na dieta, veja-se este artigo muito interessante, The Dieter’s Paradox, Chernev 2010 (http://www.myscp.org/pdf/short%20articles/JCPS_10-00088_180.pdf) e também o livro com o mesmo título (http://www.amazon.com/Dieters-Paradox-Why-Dieting-Makes/dp/1936572109/).

    > acredito na frase de Gary Taubes “a sociedade vive em um tipo de ilusão em massa” a respeito do que é uma dieta saudável. Por este motivo continuo divulgando a Dieta Primal.
    Muito obrigado!

    Qual é a tradução de “primal” que propõe para o português? Primitiva, original, ancestral, tradicional? É a dos povos neolíticos, portanto que não conheceram a revolução agrícola e a sedentarização, ou é a dos povos tradicionais que não conheceram a revolução industrial? Entre uns e outros não existirá uma solução de compromisso, que poderemos hoje emular, para tirar benefícios práticos na nossa vida? Quanto à vida, toda ela, é uma grande sequência de ilusões. “A sociedade vive em um tipo de ilusão em massa”, gosto de umas tantas citações de Taubes porque encaixam nele como numa luva, são como que premonitórias. Enfim, tenho que confessar que não simpatizo com Taubes, acho que ele é um genial investigador jornalístico, mas não tem uma mentalidade sólida de cientista como Guyenet, Colpo ou até Denise Minger (na minha visão, para ser um bom cientista não é preciso um PHD, mas sim alta inteligência, e por isso coloco Colpo como um dos meus favoritos de sempre). Bom, está na hora de regressar à caverna…

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