A mídia continua confusa….

Jonathan Bailor é um expert em nutrição exercícios, ex-personal trainer que se especializou em utilizar alimentos de alta qualidade e exercícios para simplificar o bem estar. Ele colaborou com os melhores cientistas nos últimos 10 anos, analisando mais de 1,300 estudos e reunindo o suporte dos melhores médicos da Harvard Medical School, Johns Hopkins, Yale e UCLA.

Ele já registrou mais de 25 patentes e é autor do best seller “O mito das calorias” – ainda sem tradução no Brasil.

Seu livro baseia-se no princípio de que uma alimentação rica em alimentos de verdade, assim como a dieta Paleo/Primal, priorizando alimentos como carnes orgânicas, ovos, frango, peixes, vegetais com pouco amido e oleaginosas e eliminando grãos, açúcar e óleos de sementes processados.  Sua teoria baseia-se no fato de que calorias não são iguais, pois algumas têm um potencial para levar as pessoas ao sobrepeso mais do que outras, o que concordo plenamente. Neste artigo você pode encontrar um de seus vídeos em que ele explica sobre os sobre os princípios de sua teoria e de uma dieta saudável.

bailor

Recentemente, seu livro foi destaque em uma matéria publicada por um jornal brasileiro, que retratou sua dieta de maneira superficial e tendenciosa, para dizer o mínimo. É incrível a capacidade da mídia de distorcer a idéia do livro e do autor para tornar a idéia compatível com os conceitos nutricionais vigentes.

Alguns dos alimentos foram citados pelo jornal como promovidos pelo autor, apesar de serem completamente excluídos de suas recomendações. Já li muitos dos seus artigos e já escutei pelo menos uma dúzia de suas entrevistas em podcasts para saber que ele adota e promove uma dieta com um approach low-carb-high-fat 60-20-20 (% de gordura, proteína, carboidratos respectivamente), contudo este fato crucial de que a gordura compreende a maior parte das calorias de sua dieta não foi sequer mencionado.

Disseram apenas uma coisa certa que o autor promove, para seu crédito: se preocupe em consumir alimentos saudáveis e não em contar calorias. Porém, curiosamente, distorceram completamente a lista dos alimentos saudáveis a serem consumidos segundo Balior, incluindo os cereais integrais no topo da lista. Apesar do autor geralmente fazer uma “média” com a mídia para tornar suas idéias mais digeríveis para a população e para a mídia, a maior parte de seus conceitos não são alterados pelo autor. Contudo, a mídia brasileira criou tantas distorções que foram capazes de colocar a alimentação proposta por Bailor de pernas para o ar.

Pois bem, irei tentar listar os erros para ficar mais fácil, na ordem decrescente de acordo com a gravidade do erro cometido:

Grãos – Eles são completamente excluídos de suas recomendações e mesmo assim o jornal incluiu cereais integrais no topo da lista. De onde será que tiraram essa idéia? Tenho a impressão de que ninguém sente vergonha por tal calúnia.

grãos

                     Bailor não recomenda cereais integrais, muito menos no topo da lista de alimentos!
 

 Vegetais com pouco amido – Apesar de ser altamente promovido pelo autor, tenho certeza de que ele não promove que a maior parte das calorias venha de vegetais verdes e isso se deve simplismente pelo fato de sermos seres humanos e não gado!

Gorduras boas – As oleaginosas estão também no topo da lista, mas onde estão os ovos, bacon e carnes ricas em gordura altamente promovidas pelo autor?  A mídia os inclui por serem ricos em gordura monoinsaturada. Alguém precisa dizer a eles que mais de 60% da gordura de carnes e ovos é gordura monoinsaturada.

Frutas – O alimento foi incluso duas vezes na lista para reforçar ao leitor a idéia de que elas devem constituir boa parte da dieta. Mais uma vez errados de acordo com os princípios de Bailor.

Amido- A batata ficou por último. O curioso é que grãos possuem muito mais amido do que a batata e estão no topo da lista! Esta reportagem é muito tola, mas devo agradecer os autores, pois ela me rendeu boas risadas! ☺

 Comentários dos “experts”

Fiquei mais perplexo ao ler o comentário dos experts que provavelmente não estão familiarizados com as pesquisas do autor e dão opiniões sem relacioná-las com o trabalho do autor. Ora, afinal de contas a reportagem foi sobre o livro dele! Pelo menos deveria ter sido…

Um deles sugere que calorias são iguais e que seu consumo afeta o organismo da mesma maneira independente de qualquer outro fator, até mesmo sugerindo que devemos consumir TUDO em quantidades moderadas, porém, de acordo com o mesmo, alguns são saudáveis e outros não. Em outras palavras, coma em moderação até mesmo o que não é saudável. Alguém percebe a incoerência neste raciocínio?  Já a solução do problema para outro deles é comer muito mato, novamente, como se fossemos gado ou qualquer outro animal herbívoro. E assim vai…

Ok, já esta ficando cansativo criticar a mídia, pois acho que este esforço não vale a pena, já que tenho e impressão de que informações de qualidade sobre nutrição não serão divulgadas pela mídia de maneira imparcial e abrangente. Porém, mais uma vez, não resisti!  De qualquer modo, o objetivo deste post é de alertar novamente vocês, leitores, de que a mídia é uma péssima fonte de informações no que diz respeito à nutrição, portanto é preciso que estas notícias sejam interpretadas com muita cautela ou simplesmente ignorá-las.

Não é a toa que a mídia nacional é a pior maneira de obter informações, seja sobre temas gerais ou nutrição, pois é cada vez mais evidente o fato das reportagens serem incompletas e distorcidas para tornar o artigo mais digerível para o leitor e acima de tudo, compatível com a ”sabedoria” popular.

Sem mais delongas,  segue a reportagem abaixo:

Em livro, americano defende que contar calorias para emagrecer não funciona

O que engorda mais: cem calorias de brigadeiro ou cem de espinafre? Para os adeptos de dietas baseadas na contagem de calorias, como a dos pontos, dá na mesma –o que importa é o valor energético da comida.

Mas, para o americano Jonathan Bailor, autor de “The Calorie Myth (o mito da caloria), não é bem assim. Em seu livro, lançado hoje nos EUA e já nas listas de mais vendidos, ele defende que as calorias são diferentes, e contá-las para emagrecer, em vez de ajudar, atrapalha.

Bailor tem 30 e poucos anos (ele não diz ao certo), é formado em ciência da computação e trabalha na Microsoft. No fim da adolescência, motivado pela vontade de ganhar músculos, foi personal trainer por tempo suficiente para concluir que o método “coma menos, se exercite mais” nem sempre funciona.

Editoria de Arte/Folhapress

Bailor se afastou do ofício e se tornou um pesquisador independente. Por quase 15 anos, analisou estudos sobre perda de peso e exercício. Em 2012, lançou o primeiro livro e agora lança o segundo, com base em 1.300 pesquisas.

“Contar calorias é eficaz para perder peso a curto prazo. Mas a longo prazo esse método falha na maioria das vezes”, disse o autor à Folha.

Mais importante do que a quantidade é a qualidade das calorias, defende Bailor –ele adota o slogan “coma mais e se exercite menos, mas de forma inteligente”.

“Não usamos as mesmas técnicas cirúrgicas de 40 anos atrás nem os mesmos computadores. Não precisamos usar as mesmas abordagens para dieta e atividade física”, afirma na introdução da obra, que termina, claro, com a proposta de um novo método para emagrecer.

MENOS CONTAS

No lugar da calculadora de pontos, Bailor propõe uma régua que separa as calorias saudáveis das não saudáveis, levando em conta os nutrientes que elas oferecem e a forma como são metabolizadas.

No topo estão os vegetais com pouco carboidrato (como brócolis e alface) e as carnes magras, que podem ser ingeridos à vontade.

Depois, vêm os cereais integrais, as sementes e as castanhas. No pé da lista estão doces e carboidratos refinados, que devem ser evitados.

Editoria de Arte/Folhapress

“Esses alimentos têm uma densidade nutricional muito mais baixa que a dos vegetais com pouco amido e as frutas cítricas. Devemos comer carboidratos de alta qualidade.”

Ele compara 250 calorias de espinafre com 250 de farinha branca. Enquanto o vegetal supre 107% das necessidades diárias de cálcio, a farinha supre 1%.

Além de menos nutritivos, carboidratos refinados são absorvidos de forma rápida pelo organismo e uma parte maior é convertida em gordura, em comparação com a proteína, diz Bailor.

“Faz sentido. O corpo transforma o excesso de carboidrato em gordura. Parte da proteína também vira gordura, mas é uma parcela menor”, diz Fabio Bessa Lima, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Editoria de Arte/Folhapress

Mas, para ele, o que faz a matemática da ingestão e do gasto calórico não ser exata é a absorção do alimento pelo organismo, que varia de pessoa para pessoa e até de acordo com a flora intestinal.

“Nem tudo que você come é absorvido. Uma parte passa pelo tubo digestivo e sai nas fezes. Não dá para ficar escravo dos rótulos.”

EM DEFESA DO DOCE

Para o endocrinologista Alfredo Halpern, que criou a dieta dos pontos há mais de 40 anos, se o objetivo é emagrecer, as calorias são, sim, todas iguais.

“Qualquer dieta com menos calorias faz perder peso. Você pode emagrecer com a dieta do brigadeiro: come seis brigadeiros e nada mais.”

Mas ele admite que esse emagrecimento é menos saudável do que com uma dieta variada. “Se o objetivo é ter saúde e manter o peso, é preciso comer de tudo em quantidades moderadas.”

Por isso, critica a dieta de Bailor, que restringe os carboidratos. “É mais ou menos o que prega a dieta da proteína. Mas não dá para ficar sem carboidrato, a pessoa enjoa.”

O nutrólogo Celso Cukier recomenda observar outras características do alimento além das calorias, como a quantidade de sal e o fato de ser processado ou não. “Industrializados são ricos em gordura e açúcar. As calorias são concentradas, e o risco de comer em excesso é maior.”

A nutricionista Michelle Bento, do Vigilantes do Peso, concorda: se forem priorizados alimentos naturais e ricos em fibras, a quantidade de calorias cai naturalmente.

Em 2010, o Vigilantes do Peso abandonou o sistema de pontos baseado só nas calorias e adotou um método em que os alimentos ganham valores conforme a quantidade de fibras e proteínas.

“A grande questão é procurar comidas mais nutritivas, não necessariamente menos calóricas.”

4 Comentários

  1. Consuelo Marra

    Não seria interessante colocar o link para esta matéria???? Afinal ficamos sem saber onde isto foi publicado…

    Responder
    1. Bruna Machado (Publicações do Autor)

      Diz na própria entrevista. Abs

      Responder
  2. Diego

    Consuelo, o post colocou o título completo da matéria. Basta procurar. Copiei e colei no Google e veio o link: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/12/1391727-em-livro-americano-defende-que-contar-calorias-para-emagrecer-nao-funciona.shtml

    Responder

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