Dieta low-carb e a cura da diabetes

Por: Caio Fleury

Este artigo é uma compilação feita por mim sobre os principais pontos de uma revisão sistemática sobre a dieta baixa em carboidratos como terapia para diabetes tipo 2 e também em comparação com outras dietas no tratamento deste distúrbio metabólico.

Apresento uma síntese do conteúdo com linguagem muito técnica para facilitar a compreensão por parte de vocês leitores do blog.

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Destaques do estudo:

 

  • Apresentamos evidências sólidas para dietas de baixo carboidrato como primeira abordagem para a diabetes.
  • Essas dietas reduzem de forma confiável os níveis de glicose no sangue elevados, a característica mais saliente da diabetes.
  • Benefícios não necessitam a perda de peso, embora nada seja melhor para redução de peso.
  • Dietas restritas em carboidratos reduzem ou eliminam a necessidade de medicação.
  • Não há efeitos colaterais comparáveis ​​com aqueles observados em tratamentos farmacológicos intensivos.

Resumo:

 

A incapacidade das recomendações atuais de controlar a epidemia de diabetes, a falha específica das prevalecentes dietas de baixo teor de gordura para melhorar a obesidade, risco cardiovascular, ou a saúde geral e os relatos persistentes de alguns efeitos secundários graves de medicamentos para a diabetes comumente prescritos, em combinação com o contínuo sucesso das dietas de baixo carboidrato no tratamento de diabetes e síndrome metabólica sem efeitos colaterais significativos, aponta para a necessidade de uma reavaliação das orientações dietéticas.

Os benefícios da restrição de carboidratos na diabetes são imediatos e bem documentados. Preocupações sobre a eficácia e segurança da dieta a longo prazo são conjecturais, em vez de baseadas em dados sólidos. Restrição de carboidratos dietéticos reduz de forma garantida a glicose no sangue elevada, não requer a perda de peso (apesar de ela ainda ser melhor é para perda de peso), e leva à redução ou eliminação da medicação.

Ela nunca mostrou efeitos colaterais comparáveis ​​com aqueles observados em muitas drogas. Aqui nós apresentamos 12 pontos de provas que sustentam o uso de dietas de baixo carboidrato como a primeira abordagem para o tratamento da diabetes tipo 2 e como adjuvante mais eficaz de farmacologia no tipo 1. Eles representam os resultados, menos controversos e mais bem documentados. A insistência de basear-se em ensaios clínicos randomizados de médio e longo prazo como os únicos tipos de dados que serão aceitos, é sem precedentes na ciência, o que torna a ciência mais precisa e confiável.

A gravidade da diabetes exige a avaliação de todas as evidências que estão disponíveis. Os 12 pontos são suficientemente convincentes de que nós sentimos que o ônus das provas recai sobre aqueles que se opõem. São evidências sólidas.

Ponto 1.

A hiperglicemia é a característica mais saliente da diabetes. Restrição de carboidratos tem o maior efeito sobre diminuição dos níveis de glicose no sangue do que qualquer dieta ou terapia medicamentosa.

gráfico glicose e hemoglobina glic

A dieta low-carb/ cetogênica (linha azul) leva a redução dos níveis de glicose sanguínea (linha vertical) substancialmente maior do que uma dieta baixa em calorias (lina vermelha) ao longo de 24 semanas (1)

Ponto 2.

Durante as epidemias de obesidade e diabetes tipo 2, o aumento calórico na pupolação foi devido quase exclusivamente ao aumento de carboidratos na dieta.

Ponto 3.

Benefícios da restrição de carboidratos na dieta não necessitam de perda de peso.

gráfico glicose

Glicemia drasticamente reduzida nos participantes com a dieta baixa em carboidratos após 10 semanas de estudo. Gráfico superior mostra a glicemia ao longo do dia antes das 10 semanas de estudo e no gráfico inferior a glicemia ao longo do dia dos participantes após 10 semanas seguindo a dieta low-carb.

gráfico perda de peso low-carb

O gráfico da direita representa a alteração do peso após um tratamento com a dieta low-carb (vermelho) e uma dieta montada pelo governo britânico (azul).  A perda de peso foi substancialmente maior com a dieta low-carb.  Já no gráfico da esquerda na barra vertical a glicose sanguínea (HbA1c) foi significantemente mais reduzida com a dieta low-carb (vermelho) com relação a outra dieta com baixo índice glicêmico (azul)  – (Dyson et al.)

 

Ponto 4.

Embora a perda de peso não seja necessária para ter benefícios, esta intervenção dietética é melhor para perda de peso.

Ponto 5.

A adesão a dietas de baixo teor de carboidratos em pessoas com diabetes tipo 2 é pelo menos tão boa quanto a adesão a quaisquer outras intervenções dietéticas e freqüentemente é significativamente melhor.

Ponto 6.

A substituição carboidratos por proteínas é geralmente benéfica.

Ponto 7.

Gordura saturada dietética não se correlaciona com risco de doença cardiovascular. Frequentemente, o oposto ocorre.

Ponto 8.

Ácidos graxos saturados no plasma são controlados por dietas low-carb mais do que por redução de lipídios dietéticos.

Ponto 9.

O melhor preditor de complicações  microvasculares e, em menor grau, complicações macrovasculares em pacientes com diabetes tipo 2, é o controle da glicemia (HbA1c)

Ponto 10.

A restrição de hidratos de carbono dietéticos é o método mais eficaz (exceto jejum) de redução de triglicérides no soro, aumentando as lipoproteínas de alta densidade (colesterol “bom” HDL)

gráfico marcadores de saúde de diversas dietas

A linha vertical representa o percentual de alteração dos níveis de diversos parâmetros metabólicos (peso, hemoglobina glicada, glicemia,Total-C, colesterol LDL “neutro”, colesterol HDL “bom” e triglicérides – na ordem) em 4 tipos de dietas diferentes (Dieta baseada em cereais, dieta de baixo índice glicêmico 1, dieta de baixo índice glicêmico 2, e dieta low-carb)

Ponto 11.

Os pacientes com diabetes tipo 2 em dietas com restrição de carboidratos reduzem e eliminam frequentemente medicação. Pessoas com a diabetes tipo 1 geralmente requerem muito menos insulina.

Ponto 12.

A diminuição da glucose pela restrição de carboidratos na dieta não tem efeitos colaterais comparáveis ​​aos efeitos do tratamento farmacológico intensivo.

 

“No final do nosso dia na clínica, vamos para casa pensando:” As melhorias clínicas são tão grandes e óbvias, por que outros médicos compreendem se até mesmo os pacientes entendem que a “restrição de carboidratos funciona? Porque carboidratos na dieta aumentam a glicose no sangue, e como a diabetes é definida pela glucose sanguínea elevada, faz sentido reduzir os carboidratos na dieta. Ao reduzir o carboidrato na dieta, somos capazes eliminar dos pacientes tanto quanto 150 unidades de insulina por dia em 8 dias, com acentuada melhoria na normalização do controle glicêmico e todos parâmetros glicêmicos.”

– Dr. Eric Westman, MD, MHS [1]. 

Conclusão e recomendações:

Quais evidências seriam necessária para alterar as recomendações atuais para o tratamento dietético da diabetes? A medicina baseada em evidências tende a enfatizar ensaios clínicos randomizados (ECR) como padrão-ouro. É preciso perguntar: Quem decide sobre a admissibilidade das provas? Dado o estado atual de financiamento da investigação científica e do viés palpável em relação às abordagens de baixo teor de carboidratos, é improvável que um experimento clínico randomizado (RCT) possa ser executado de maneira á satisfazer todas as vaidades pessoais de profissionais que não estão acostumados a fazer investigação científica das evidências, ou vivem em eterna negação delas. A gravidade da diabetes sugere que temos provas suficientes de diferentes tipos para reavaliar as nossas recomendações atuais para o tratamento.

Precisamos ser pragmáticos e não idealistas. Esta avaliação descreveu 12 pontos de evidências baseadas em estudos clínicos e experimentais publicados e a experiência dos autores. Os pontos são suportados por princípios estabelecidos em bioquímica e fisiologia e enfatizam que os benefícios são imediatos e documentados, enquanto as preocupações sobre o risco a longo prazo são hipotéticas.

Nós recomendamos que o governo ou agências de saúde privadas realizem audiências abertas sobre estas questões em que os investigadores da restrição de carboidratos possam relatar seus casos clínicos. Nós pensamos que as características tradicionais da análise de evidências, como o interrogatório vigoroso deve ser parte do processo. Sugerimos que debates abertos com todas as partes contribuindo será valiosa. A gravidade da diabetes implora por esta causa.

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